Talento como moeda de troca: conheça novo modelo de consumo

Grupo “Escambo de Talentos” promove interação pelo Facebook para divulgação de serviços e atividades ao invés do uso dinheiro

Por: - 6 meses atrás

Crédito: Livia Deodato

Trocar habilidades sem custo nenhum. Esse é o objetivo do grupo “Escambo de Talentos” criado pela jornalista Livia Deodato, em janeiro de 2017. Hoje, com mais de 17 mil membros de várias cidades do Brasil e até países do exterior, a comunidade desenvolvida em uma rede social se baseia em um modelo antigo de transação: o escambo, prática ancestral de se realizar uma troca comercial sem o envolvimento de moeda ou objeto, geralmente feitas em comunidade.

A ideia de criação do Escambo de Talentos surgiu de maneira inusitada, conta a jornalista. “A ideia surgiu depois que eu voltei de umas férias longas para a Bahia, gastei todas as economias e cheguei com uma mão na frente e outra atrás. Eu precisava voltar a trabalhar, estar apresentável para fazer meu networking e queria fazer a mão, ir na manicure, mas não tinha dinheiro. Então, eu decidi postar no meu perfil do Facebook e oferecer meus talentos em troca, como revisão de texto, edição”, conta.

Com a crise econômica e a boa repercussão da postagem, Livia começou o grupo na rede social com os amigos mais próximos e a comunidade foi criando forma.  “Criei um grupo e só chamei meus amigos mais próximos, quem estava nessa pegada mesmo. Esses amigos foram chamando outros, que chamaram outros e eu lembro que em dois meses já tinham 6 mil pessoas. Deu um boom muito rápido”, comenta.

“Escambar”

Dois anos após a fundação e com a expansão do grupo, Livia revela que os talentos mais trocados e mais buscados são os relacionados ao bem estar, como reiki, massagem e theta healing, técnica de cura energética, presente no campo das chamadas terapias alternativas.

Outra busca no grupo é por serviços de tecnologia e nas próprias redes sociais. “Muitas pessoas surgiram em busca de pessoas que saibam desenvolver sites, logos para novas empresas, que saibam produzir conteúdo digital, como impulsionar páginas dentro do Instagram, do Facebook”, afirma Livia.

A jornalista comenta que durante as trocas, os próprios participantes criaram o verbo “escambar” para nomear as transações.

“A gente até criou esse verbo lá, escambar, e as pessoas postam com a minha moderação e de pessoas próximas, que estão desde o começo no grupo. A ideia é essa, as pessoas postam primeiro o que precisam, seguindo as orientações que estão fixadas na página, mas a ideia é você dizer o que está precisando, o que você oferece, de onde você é e as pessoas começam a comentar” conta.

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Consumo Consciente

Na era digital e no momento em que pessoas estão repensando seus hábitos como o uso de materiais recicláveis, canudos e até o consumo de carne, Livia aponta que o grupo fez com que os participantes repensassem suas relações de interação com o outro e sobre os próprios talentos escondidos.

“Faz muita gente repensar coisas em vários níveis. Eu lembro de muita gente entrando em crise porque não tinha nenhum talento para oferecer. As pessoas estão tão acostumadas no seu trabalho no dia a dia e não param para pensar nos talentos que tem. Qual é o seu propósito? O escambo é bacana por isso, ele dá uma cutucada nas pessoas”, diz.

Restabelecimento de confiança

Com a maioria de participantes de São Paulo e os hábitos de metrópole, Livia acredita que o Escambo de Talentos também consegue promover o restabelecimento da confiança entre as pessoas no mundo atual.

Em grandes cidades como São Paulo, por exemplo, tem esse resgate da confiança também, de sair da sua bolha entrar em contato com outras pessoas, de outros lugares também, expandir as suas relações” finaliza.