Paulo Ferezin: “O Brasil não é um país para amadores”

Em entrevista, sócio-diretor da KPMG fala sobre a importância da retomada da confiança nas relações de consumo e do que pode ser feito para mantê-la

Por: - 5 meses atrás

Relações de consumo

Em entrevista à “Consumidor Moderno”, Paulo Ferezin, sócio-diretor líder para o setor de Varejo da KPMG no Brasil, falou sobre a importância da retomada da confiança nas relações de consumo e do que pode ser feito para mantê-la. Confira:

CONSUMIDOR MODERNO – O SENHOR ACREDITA NA RETOMADA DA ECONOMIA?

Paulo Ferezin – Os indicadores de mercado começam efetivamente a exibir certa recuperação ou tendência de recuperação. Isso ainda é tímido, mas mesmo essa timidez já faz o consumo subir. Antes de falar sobre a melhora, precisamos entender que as principais alavancas do consumo são: renda, crédito e confiança do consumidor. A confiança melhorou, mas renda e crédito ainda não.

CM – POR QUE A CONFIANÇA É TÃO IMPORTANTE PARA O AUMENTO DO CONSUMO?

PF – O índice de confiança é o principal indicador de ampliação do consumo, mas ele precisa perdurar. Com a sua melhora, o consumo já sinaliza uma reação. Além disso, ele eleva a produção e, com isso, o próprio varejo tem um desempenho melhor.

CM – E O QUE O GOVERNO PODE FAZER PARA QUE ESSA CONFIANÇA SEJA RESTAURADA?

PF – O primeiro ponto é aprovar a reforma da previdência. O atual modelo está quebrando Estados e Municípios, o que cria um ambiente de insegurança para os negócios. As empresas precisam sentir confiança no governo para que operem de maneira mais eficiente. Feito isso, temos a reforma tributária, mas penso que isso vai ocorrer no médio prazo. Temos que revisar algumas burocracias e melhorar a abertura de novos negócios no Brasil. É como dizem: o Brasil não é um País para amadores.

Paulo Ferezin - relações de consumo

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