Brasil e outros sete países questionam solicitação de domínio na web da Amazon

Domínio “.amazon” gera debate sobre a herança cultural do termo e prejuízo para operadores de turismo na América do Sul

A maior varejista online do mundo em valor de mercado tem seu nome inspirado no maior rio do mundo, o Amazonas. Depois de descartar “Cadabra” e “Abracadabra”, Jeff Bezos batizou sua livraria online como Amazon por duas razões: a visão de ser o maior – como a bacia hidrográfica – e estar no topo da lista alfabética.

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Depois de 24 anos, o nome escolhido por Bezos é motivo de uma queda de braço da varejista com oito países sul-americanos. Por ser traduzido como “Amazônia” para o português e o espanhol, a razão social da companhia incomoda países que têm em seu território parte da Floresta Amazônica. Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Venezuela, Guiana e Suriname têm ressalvas em relação ao endereço da Amazon na web: amazon.com, e que agora a companhia quer registrar seu domínio apenas como ‘.amazon’.

O problema

O Itamaraty divulgou nota na última quinta-feira (18) na qual questionou o movimento da empresa de comércio eletrônico para obter um domínio de primeiro nível “.amazon” (a exemplo dos “.com”, “.org”, “.edu” entre outros). A companhia entrou com pedido para ter o controle do domínio junto à Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (Icann, na sigla em inglês), ente responsável pela definição de designação dessas denominações.

A discussão envolve tanto questões emocionais como técnicas. A grande preocupação é com o significado do nome para os países que abrigam a Floresta Amazônica, já que a empresa se apropriou de um nome anterior a ela e que tem um significado maior para seus cidadãos.

Depois do Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Venezuela, Guiana e Suriname também se mobilizaram pela causa. “Qualquer decisão que a ICANN venha a tomar deveria levar em conta a sensibilidade política envolvida na atribuição exclusivamente a interesses privados de um nome de domínio indissociavelmente relacionado à identidade de milhões de pessoas”, diz a nota do Itamaraty. Outro ponto da discussão é sobre as empresas de turismo. As nações alegam que operadores de turismo locais perdem a chance de registrar domínios como “hotels.amazon”.

O que diz a Amazon

Em uma carta enviada à Icann, Brian Huseman, vice-presidente de políticas públicas da Amazon disse: “a Amazon ofereceu repetidas vezes trabalhar com os governos interessados para encontrar uma solução amigável, oferecendo explorar como podemos usar melhor o domínio para nossos negócios, respeitando o povo, a cultura, a história e a ecologia da região amazônica”.

Com informações do New York Times

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