A Era do Diálogo: as mudanças irreversíveis para 2019

Abertura do Simpósio Brasileiro de Defesa do Consumidor contou com palestra de Luciano Benetti Timm, Secretário Nacional do Consumidor – Senacon, que trouxe perspectivas para 2019

Por: - 4 meses atrás

Era do Diálogo O CEO do Grupo Padrão, Roberto Meir (Foto Douglas Luccena)

A abertura do Simpósio Brasileiro de Defesa do Consumidor, uma iniciativa “A Era do Diálogo”, trouxe reflexões sobre os caminhos que a jornada do consumidor pode seguir diante de mudanças profundas por todo o país. Sob o tema “As Relações de Consumo em Tempos de Mudança: Uma Agenda de Harmonia, Colaboração e Evolução”, a edição de 2019 joga luz sobre a entrada de um novo momento político que pressupõe, também, a colaboração por uma nova agenda no setor para o Brasil, mais humana e colaborativa.

Em fala durante a abertura, Roberto Meir, CEO do Grupo Padrão, alertou que o momento pede mais conexões e menos individualidades. “Temos um país dividido, cada um defendendo apenas o seu quintal e as relações de consumo assumem papel fundamental nesse momento de transformação do Brasil. Muito mais do que política, esse momento impacta a cada um de nós e todos os setores, sem exceção. Está tudo se redefinindo e os novos players estão assumindo uma representatividade sem igual”, disse.

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O especialista em relações de consumo também destacou a profunda mudança do conceito de posse, de modo que esse fenômeno está sendo repensado no mundo todo. “Estamos caminhando para uma era de desmaterialização e com todos esses movimentos, isso vai atingir naturalmente esse pós-consumidor, que está atento às causas das empresas nesse mundo polarizado”, disse.

Na sequência, Luciano Benetti Timm, Secretário Nacional do Consumidor – Senacon – apresentou panorama para o Brasil na palestra “Harmonização das relações no Brasil: Uma Proposta Para Uma Agenda Baseada na Colaboração Para Evolução”. Para o especialista, um dos primeiros passos é repensar a estrutura organizacional do Procon. “Há uma ideia de padronização, pois há muitos órgãos agindo pela mesma causa nos estados e isso acarreta em maior dificuldade para a gestão governamental”, disse.

Era do diálogo

Ele explicou que a secretaria definiu três pilares para esse primeiro momento. Dinamização da plataforma consumidor.gov.br, pois promove a desjudicialização do segmento. “Entendemos que essa plataforma faz isso sem precarizar a demanda do consumidor”, disse. O segundo pilar é o recall, de modo que o especialista destacou que não podemos correr riscos neste sentido no Brasil.  O terceiro é regularização de fundos de direitos difusos.

A saída fundamental, segundo o especialista, é um esforço de controle de gastos públicos, algo que não ocorreu nos últimos anos e, consequentemente, envolve os órgãos de defesa do consumidor. “Precisamos pensar sobre essas questões, quem defende o consumidor deve se preocupar com eficiência estatal e concorrência”, explica.

De acordo com Luciano, é necessário repensar a desjudicialização do setor. “Acredito que é possível ainda apostar em harmonização e menos em disputas e conflitos. Nós gastamos com judiciário 90 bilhões por ano, isso é mais do que se gasta em saneamento básico e educação, por exemplo. É o dilema do prisioneiro onde está todo mundo saindo pior. Então há muito espaço de melhora para esse cenário”, explica.

Pontos de avanço necessários

Nesse sentido, as plataformas digitais surgem como alternativa, de modo que já existem cortes no Canadá que estão criando seus próprios mecanismos. No Brasil, o formato que mais se aproxima disso é o consumidor.gov.br. “É o último momento que a empresa tem com o seu cliente para o diálogo”, diz o especialista.

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Perspectivas para o futuro

A inclusão do Brasil na OCDE se torna um fator determinante nesse momento. Para Luciano, ela significa um compromisso do país com a democracia e com o livre mercado. “A análise de impacto regulatório é fundamental para a defesa do consumidor, ou seja, é necessário fazer contas. Depois de implementada a política, fazemos essa análise das consequências geradas com aquela prática. A conclusão da OCDE é que é melhor dar a informação e o consumidor decidir”, conclui.

Foto: Douglas Luccena

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