Veja como a geração Alpha vai influenciar o nosso comportamento

Considerado o grupo que será mais inteligente do que todos os anteriores, os pequenos prometem fomentar mudanças significativas em diversas áreas, principalmente na educação

Por: - 5 meses atrás

Geração Alpha

Visto como “A era dos extremos” pelo historiador Eric Hobsbawm, este foi o século em que o homem se reinventou com os avanços da ciência e da tecnologia. A velocidade das transformações entre uma década e outra foi tão drástica que novos perfis de comportamento nasceram. E, com eles, vieram gerações que guardam peculiaridades específicas de seu tempo. A competição na quebra de paradigmas de uma nova geração sobre a anterior se tornou algo natural no curso dos acontecimentos.

Para entender como a geração Alpha deverá conduzir importantes transformações no comportamento contemporâneo conversamos com Fernanda Furia, mestre em psicologia de Crianças e Adolescentes pela University College London e fundadora do Playground da Inovação – consultoria de inovação em psicologia e educação. Confira:

Consumidor Moderno: Quais são as principais diferenças comportamentais entre a Geração Alpha e as anteriores?

Fernanda Furia: Conhecida também como Geração de Vidro (por causa das telas) ou Geração IA(Inteligência Artificial), a Alpha – que contempla pessoas nascida entre 2010 e 2025 – deve se distinguir das gerações anteriores pelo fato de crescer com máquinas inteligentes. Smartphones, tablets, assistentes de voz, brinquedos conectados à internet, robôs companheiros e tecnologias imersivas estão moldando a formação cerebral, social e psicológica desta nova geração.

CM: Como será essa nova interação com a tecnologia?

FF: As crianças da Geração Alpha confiarão muito mais nas novas tecnologias dos que as gerações anteriores e irão se relacionar com as novidades tecnológicas de maneira cada vez mais emocional. Estamos vivenciando o início de uma era marcada por uma relação afetiva entre os seres humanos e as máquinas. A Geração Alpha buscará experiências mais imersivas e interativas já que tecnologias como realidade virtual e realidade aumentada serão parte do cotidiano delas.

Geração Alpha

CM: Como os canais de vídeo entram nesse processo?

FF: As crianças da Geração Alpha mostram uma maior necessidade de escolher e de tomar decisões no seu dia a dia. Essa é uma das razões pelas quais canais como YouTube fazem tanto sucesso. Ao navegar pelos vídeos, as crianças podem escolher quais elas querem ver e em qual momento elas querem parar e mudar para outro vídeo. Na internet, elas escolhem e decidem o tempo todo, enquanto na vida presencial dificilmente os adultos lhes dão a chance de tomar decisões. A Geração Alpha será monitorada a todo o todo momento através de tecnologias vestíveis, monitores de saúde, reconhecimento facial e de voz etc. A quantidade de dados que teremos no futuro sobre as crianças será imensa, e as empresas precisarão saber organizar estes dados e interpretá-los adequadamente para criar estratégias de curto, médio e longo prazos.

CM: Qual é o tipo de comunicação que as empresas devem estabelecer com essa geração?

FF: Antes de as empresas se preocuparem em como se comunicar com a Geração Alpha, é fundamental que elas reflitam em como podem contribuir de forma ética para a formação global das crianças. Esta reflexão deve guiar a criação de novos negócios que sejam alinhados às necessidades e aos direitos desta nova geração. Os serviços e produtos voltados para a Geração Alpha devem ser cada vez mais personalizados, respeitando as características relacionadas ao desenvolvimento emocional e social de cada faixa etária.

CM: Ao que mais as marcas devem se atentar?

FF: Além disso, as tecnologias criadas para a infância devem ser desenvolvidas por equipes cada vez mais multidisciplinares, envolvendo profissionais de várias áreas para que seja garantido o bem-estar das novas gerações. Parcerias entre empresas de diferentes setores serão cada vez mais necessárias para o desenvolvimento de iniciativas voltadas para a infância. Uma comunicação autêntica, genuína e natural será muito importante para criar um diálogo de longo prazo com esta nova geração. Será cada vez mais importante, ainda, a criação de conteúdos simples, diretos e personalizados, sempre respeitando os direitos da infância porque não será mais sustentável a venda de serviços e produtos para este público sem garantir a ética e o bem-estar infantil. Somos todos responsáveis pela formação das novas gerações.

CM: Quais serão os impactos psicológicos da vida digital para essa geração?

FF: O impacto do ritmo acelerado, das mudanças constantes, da ultraconectividade e da falta de contato presencial ainda está longe de ser compreendido. Por isso, é importante lembrarmos que o amor, a interação olho no olho, o toque físico e a conversa entre as crianças e os adultos são os ingredientes mais importantes para o desenvolvimento saudável. As novas tecnologias devem ser nossas parceiras para nos ajudarem a exercer o nosso lado humano de forma mais eficaz em um mundo cada vez mais tecnológico.

LEIA MAIS: Millennials, X, Z ou Alpha: a qual geração você pertence?

Geração Alpha

Fernanda Furia, mestre em psicologia de Crianças e Adolescentes pela University College London e fundadora do Playground da Inovação

GERAÇÃO ALPHA

Nascidos a partir de 2010: Dependendo da sua idade, seu filho provavelmente faz parte dessa geração. Tal qual a Z, tem a tecnologia ocupando a centralidade de suas decisões. Serão monitorados e devem acompanhar uma profunda mudança nos processos de aprendizagem

HÁBITOS
OS CONSUMIDORES DO FUTURO

Primeiro é preciso entender a origem do nome Alpha. Esse termo foi utilizado pelo sociólogo australiano Mark McCrindle para identificar os novos bebês que nasceram a partir de 2010. Para ele, trata-se de uma geração que será formada por pessoas mais independentes e com maior capacidade de resolver problemas em relação aos seus pais.

Considerada a geração que será mais inteligente do que todas as anteriores, esse grupo já começa a dar indícios de profunda transformação em diversas áreas, principalmente na educação.

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