Geração X: O consumidor esquecido pelas empresas e pelo mercado

Millennials e Zs ocupam o centro das atenções e decisões de negócios. Essa escolha pode ser um erro, conforme aponta pesquisa apresentada no WRC. Entenda

Por: - 2 meses atrás

Geração X

Carla Buzasi, CEO e curadora de conhecimento da WGSN, uma das principais e mais cultuadas consultorias de comportamento mundial, trouxe um estudo exclusivo e inédito para o World Retail Congress: “Geração X, o consumidor esquecido”. Em foco, a inexplicável opção das empresas pelo consumidor mais jovem, ignorando o poder econômico e a influência da Geração X, bem como o quanto essa renúncia afeta os resultados de vendas e lucros.

A executiva procurou demonstrar a si mesma como genuína representante da Geração X, um contingente que representa 31% do rendimento total dos EUA, 25% da população do país, 60% da renda conjugal e 55% das startups de EUA e Canadá.

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É importante ressaltar, para Carla, que os membros da geração X ainda representam 51% da força de trabalho global e detém muito poder de consumo. Ao contrário do Brasil, que foca demasiado nos consumidores dessa faixa etária – ainda que desconhecendo ou ignorando seu comportamento e alinhamento com o pós-consumidor, ao passo em que vacilam no relacionamento com os millennials – os X englobam os PANKS e PUNKS (Professional Aunts No Kids, Professional Uncles No Kids ou Avós e tios profissionais sem crianças) e conservadores avessos a decisões, com enorme capacidade de alterar o rumo dos negócios no varejo.

Geração X

Os “compreensionalistas” são um corte demográfico preocupado em tornar sua vida mais simples, que são intolerantes com tudo aquilo que significa barreira ou atrito no consumo. São práticos e multifacetados, com diversos interesses simultâneos e, ao mesmo tempo, irritam-se facilmente com sistemas que não funcionam.

O fato é que as empresas em geral e o varejo em particular, nos mercados maduros, procuram criar ambientes voltados para millennials e ignoram as necessidades da geração X. Carla destaca que esse público demanda interfaces limpas e com curadoria efetiva, particularmente no e-commerce. A tomada de decisões precisa ser mais simples, livre de senhas, cadastros e autenticações. Em sua opinião, a audiência da geração X é mais sensível a assistentes de voz e a produtos e serviços livre de intermediários. Ela defende que esse público composto por compressionalistas prefere formatos de venda direta para eles, razão pela qual são tão aderentes a modelos de assinatura.

Geração X

Já os avôs e tios profissionais sem filhos se caracterizam pelo poder e influência nas decisões de consumo. Adoram presentear parentes que tenham filhos, viajam muito e socializam tanto quanto, ao mesmo tempo em que redefinem o conceito de meia-idade. A geração X tem pontos de contato com a Geração Z, no estilo de vida, na valorização de ícones de moda, como Levi’s e All Star. Por outro lado, a geração X também gosta de ser vista como um “jovem médio”, (middle youth), buscando produtos que possam representar esse apelo mais jovem, como jeans, mochilas, conforto. Carla Buzasi também falou sobre consumidores X que gostam de jogos eletrônicos, os pioneiros da cultura dos games e de ambientes onde seja possível testar produtos que permitam obter sensações.

A geração X é indulgente, influente e é aquela que realmente define como as empresas devem orientar seus negócios para as outras gerações. Apesar desse poder, vale ressaltar que o mercado brasileiro, na contramão dessa tendência, é totalmente desenhado para as gerações mais jovens e descolado das necessidades dos millennials. A maior parte das empresas no país continua apegada a modelos de negócios voltados para boomers e X, razão pela qual apresentam pouca propensão à inovação.

De todo modo, as decisões de negócios precisam levar em conta a força e as características de cada geração. Ignorar a influência e o poder das diferentes gerações pode simplesmente derrotar negócios por miopia.

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