“Luxo envolve inclusão social e uso correto de recursos naturais”, diz diretor da Osklen

Para Oskar Metsavaht, a moda tem o papel de mostrar que a sustentabilidade é fator fundamental no conceito de luxo. Entenda

Oskar Metsavaht, diretor de criação e estilo da Osklen / Crédito: Divulgação, FBV

Há 20 anos, a Osklen lançava sua primeira camiseta feita com algodão orgânico. O compromisso da varejista de moda de luxo com a sustentabilidade, que começou em 1999, já gerou mais de 120 materiais sustentáveis para a confecção de 130 mil peças até 2015. A marca tenta ressignificar o conceito de luxo, acrescentando a sustentabilidade como item indispensável na alta costura.

A Osklen começou a transformar comunidades ribeirinhas, valorizar o trabalho artesanal e gerar renda para classes desfavorecidas criando seus próprios materiais ao invés de trabalhar com o que é comum no segmento – algodão, poliéster, seda.

A aposta no sustentável aconteceu por causa do fundador da marca, Oskar Metsavaht. O atual diretor de criação e estilo da Osklen associa o conceito de luxo à maneira sustentável de desenvolver suas coleções. Para ter sua imagem ligada ao uso consciente de recursos naturais, a companhia produz as roupas a partir de materiais que foram descartados por outras indústrias.

A Osklen desenvolveu técnicas, investiu em pesquisa e em comunidades que poderiam ajudar no processo de criação de materiais como algodão reciclado, garrafas PET reaproveitadas, couro de peixe e solado reciclado. Cada um desses materiais gerou impacto positivo em alguns ecossistemas. A empresa reuniu números dos 20 anos de atuação sustentável e divulgou os resultados durante a Feira Brasileira do Varejo (FBV).

Vestindo sustentabilidade

Os calçados da Osklen são feitos a partir de pala de arroz, cortiça e aparas de borracha. A empresa divulga que conseguiu economizar 1.887 KWh a cada mil pares produzidos.

Já a produção de camisetas com algodão reciclado é responsável pela economia de 3.900 litros de água por peça produzida. Só em 2017, a Osklen produziu 3.500 peças com algodão reciclado.

A varejista de moda conseguiu reciclar 272 mil garrafas PET apenas em 2017. O material é usado para fazer fibras de poliéster que, por sua vez, é matéria-prima de agasalhos e camisetas. A reciclagem de garrafas PET gerou a economia de 199 milhões de litros de água no ano retrasado, além de reduzir em 70% o uso de energia na comparação com o uso de materiais tradicionais.

O couro de peixe é outro material usado nas roupas da Osklen. Nativo da Amazônia, o Pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Sua carne é apreciada, seu couro, porém, é descartado por ser um material extremamente resistente. A varejista de moda se uniu a comunidades ribeirinhas que fazem a pesca da espécie para viabilizar o uso da pele do Pirarucu em suas coleções.

A prática resultou na redução de 27 toneladas na emissão de gases do efeito estufa. Já são oito anos que o projeto gera renda para pequenos produtores na Amazônia.

Sustentabilidade é o novo cool

Para Oskar Metsavaht, o papel da moda é mostrar que a sustentabilidade é o “novo cool”. Ele fala sobre o conceito de luxo contemporâneo: “O luxo precisa ser percebido, não dito. O luxo contemporâneo envolve inclusão social e o uso correto de recursos naturais”.

No caso da Osklen, a inovação tem um custo alto. Os materiais sustentáveis ainda não têm escala, o que eleva seu preço, a empresa investe em pesquisa para desenvolver novos materiais e ainda precisa educar o consumidor, que precisa conhecer todo o processo de desenvolvimento para entender o valor do produto. “É um dever da sociedade consumir produtos de desenvolvimento sustentável. Não é caro, a Osklen tem um custo por ser original, não copiamos. As outras marcas vão lá para fora e copiam, isso acontece muito”, diz Metsavaht.

Tags:

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

Vídeos

VEJA MAIS

Revista Consumidor Moderno

VEJA MAIS