Da cura do câncer à luta contra o plástico: como cogumelos podem mudar o mundo

Associados à decomposição, os fungos podem ajudar a sociedade a lidar com diversos problemas. Pesquisadores ao redor do mundo descobriram novos usos

Por: - 3 meses atrás

cogumelos Crédito: Shutterstock

Normalmente associados à decomposição, os fungos podem ajudar a sociedade a lidar com diversos problemas. Recentes descobertas de pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, mostram que cogumelos ajudam no combate ao câncer e na decomposição de plásticos.

Um dos pesquisadores responsáveis encontrou os cogumelos do mel na floresta de Crystal Fallls, em Michigan, nos Estados Unidos. Descoberto há 30 anos ele é encontrado em florestas temperadas em toda a Ásia, América do Norte e Europa, onde cresce em madeira morta ou prestes a morrer, ajudando a acelerar sua decomposição. Frequentemente, seu único sinal visível acima do solo são corpos de frutificação, de coloração amarelo-marrom, que crescem até 10 cm de altura.

As novas amostras revelaram que não apenas se tratava de um único indivíduo, mas ele era muito maior e mais antigo do que eles previam. Os novos resultados revelaram que  é quatro vezes maior, 1.000 anos mais velho e pesa 400 toneladas.

LEIA MAIS: Confira a edição online da Revista Consumidor Moderno! 

Os pesquisadores canadenses descobriram que o fungo tem uma taxa de mutação extremamente baixa, o que significa que evita alterações potencialmente prejudiciais ao seu código genético.

Em alguns tipos de câncer, as mutações podem desestabilizar as células, uma vez que os mecanismos normais que verificam e reparam o DNA foram rompidos.

“O Armillaria gallica pode oferecer uma potencial de resposta à notória instabilidade do câncer”, diz Anderson. “Se você olha para uma linha de células cancerígenas com idade equivalente, ela estaria tão repleta de mutações que você provavelmente não conseguiria reconhecê-la. O Armillaria está no extremo oposto. Pode ser possível escolher as mudanças evolutivas que permitiram isso e compará-las às células cancerosas.”

Isso não apenas permitirá que os cientistas aprendam mais sobre o que dá errado nas células cancerosas, mas também como fornecer novas formas de tratar o câncer.

Outros usos

Os fungos são alguns dos organismos mais comuns em nosso planeta. Um relatório recente publicado pelo Jardim Botânico Real Kew, em Londres, destacou que eles já são usados de centenas de maneiras diferentes, desde para fabricar papel até a ajudar a lavar a roupa. Cerca de 15% de todas as vacinas e drogas produzidas biologicamente vêm de fungos.

As proteínas complexas utilizadas para desencadear uma resposta imune ao vírus da hepatite B, por exemplo, são cultivadas em células de levedura, que fazem parte da família dos fungos. Talvez o mais conhecido seja o antibiótico penicilina, que foi descoberto em um tipo comum de mofo doméstico, que geralmente cresce com o pão velho.

JÁ VIU? Dia mundial sem tabaco: 10,1% dos brasileiros são fumantes

Plástico de cogumelo?

Cogumelos podem, acima de tudo, ajudar até a evitar o uso de plástico. Para tal, cientistas ao redor do mundo já vêm explorando uma característica-chave dos fungos, a formação de uma rede de fios – parecidos com veias – chamada micélio, para criar materiais que possam substituir as embalagens de plástico.

À medida que os fungos crescem, redes de micélio se ramificam por cantos e fissuras no solo, unificando-os. Ele funciona como a cola da natureza.

Em 2010, a empresa de biomateriais Ecovative Design começou a explorar o micélio para unir resíduos naturais, como os de cascas de arroz ou de madeira, trazendo alternativa às embalagens de poliestireno. Seu trabalho evoluiu para o MycoComposite, um biomaterial que usa pedaços de planta de cânhamo como base.

Esses são embalados em moldes reutilizáveis, juntamente com esporos de fungos e farinha, que crescem por nove dias. Assim, produzem enzimas que digerem os resíduos. Uma vez que tenha crescido na forma desejada, o material recebe calor para secar e tem seu crescimento interrompido. A embalagem de cogumelos resultante é biodegradável e já está sendo usada por empresas como a Dell para embalar seus computadores.