Ficar em casa é o novo sair

Com novas prioridades, consumidores passam a usar tecnologias, serviços e plataformas de streaming para transformar suas casas em centros de bem-estar, trabalho e entretenimento

Por: - 1 mês atrás

bem-estar Foto: Unsplash

Ficar em casa é o novo sair, essa é a máxima de um grupo crescente de pessoas que têm aproveitado os benefícios da conveniência e valorizado o JOMO – do inglês, “Joy of missing out”, ou “a felicidade de deixar passar”. Otimizar a vida tendo isso em mente é prioridade para o novo consumidor. Eles passam cada vez mais a trabalhar em casa e por isso usam novas tecnologias, serviços e plataformas de streaming para transformar suas casas em centros de bem-estar, trabalho e entretenimento.

A consequência desse movimento é que as pessoas estão gastando mais em casa e estão mais seletivas na hora de decidir onde e como devem usar o seu tempo. Dado o contexto, algumas indústrias em especial serão impactadas diretamente por este comportamento e devem se atentar para criar produtos, serviços e mensagens mais assertivas ao momento do seu público alvo.  

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Na era da ansiedade, a casa virou uma espécie de santuário, um refúgio para os que buscam momentos de tranquilidade, foco ou diversão sem preocupação. De máscaras faciais a aplicativos de meditação, a indústria do bem-estar ganhou um impulso extra ao se aliar com a conveniência. A exemplo das start-ups Peloton e Mirror, que vêm impactando o setor fitness, empresas que apresentam produtos que ajudam as pessoas a se exercitarem em casa com um programa personalizado e on demand estão ganhando relevância no mercado.

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A Peloton, uma marca de Nova York, é dona da bicicleta mais vendida atualmente. Com uma tela sensível ao toque e um sistema operacional próprio, ela permite que o usuário acesse vídeo aulas e/ou aulas ao vivo. Ou seja, ele tem a experiência do spinning em casa. E como aluno, é possível participar das aulas indicando músicas, conversando com os professores ou ao ver a própria performace no gráfico ao lado dos outros participantes.

Além da venda de bicicletas, a empresa também é dona de estúdios de gravação e renova diariamente seu conteúdo que pode ser visto ao adquirir o acesso mensal da plataforma.

Já a Mirror, possui uma proposta parecida de ginástica em casa, porém com um diferencial: enquanto não está sendo usado, o espelho conectado se camufla na decoração. Sem precisar de um espaço ou cômodo especial para a prática dos exercícios, basta conectar o aplicativo ao device e escolher a modalidade da aula que deseja fazer. 

Outro exemplo de como o simples ato de ficar mais em casa impacta a indústria do bem-estar, é aumento do uso das máscaras faciais.  Atualmente essa indústria gera uma receita de USD $268 milhões e possui uma projeção de aumento de 68% nos próximos 5 anos de acordo com Zion Market research.

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O mais interessante é que o uso desse produto não é feito apenas em momentos de autocuidado, mas também em encontro de amigos em um sábado à noite. Jovens ao redor do mundo estão marcando encontro com seus amigos para testarem diferentes máscaras, bater papo e tomar um vinho ao invés da balada de sempre. 

Quando o assunto é trabalho remoto, além de ser um benefício atraente para a nova geração de profissionais, é também uma forma de economizar tempo e dinheiro. A medida que essa prática cresce, é possível perceber o crescimento de serviços e ferramentas que auxiliam a criar um ambiente confortável e ao mesmo tempo professional. Quem costuma trabalhar de casa, constantemente se identifica com dilemas como não saber que roupa colocar para encarar o dia. Ficar de pijama dá a sensação de improdutividade enquanto a roupa social, desnecessária.

Parece pequeno, mas não é à toa que marcas como a Offhours vem ganhando espaço. Afinal, sua proposta é criar roupas confortáveis e com design para momentos de inatividade, como eles mesmos dizem. De acordo com o instituto Statista, o mercado de loungewear tem uma projeção de crescimento de 37% ao ano até 2023. E é por esse motivo que as marcas de vestuário têm uma ótima oportunidade, já que o público que trabalha remotamente busca o conforto, mas não quer abrir mão do aspecto profissional.

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Saindo das roupas, é preciso pensar na estrutura da casa para receber esse modelo de dia a dia. Pensar em móveis, cômodos que se adaptem para momentos de lazer ou de trabalho quando necessário é um grande diferencial. Um exemplo é a coleção do segmento “work from home” (trabalhe de casa) da Good Thing. Entendendo que nem toda casa tem um escritório e que muitas pessoas trabalham na mesma mesa que servem o jantar, a marca começou a colocar tomadas e entradas USD em todas as suas mesas afim de facilitar a vida dos seus clientes.  

Ao desenvolver a qualidade do ficar em casa cria-se o desafio para aqueles que vivem da experiência externa, como no caso do setor de lazer. Em 2017, o público dos cinemas na América do Norte chegou ao seu menor nível em 25 anos enquanto as TVs conectadas subiram 59%, de acordo com o site Box Office Mojo.

Como passam cada vez mais tempo em casa, os consumidores estão investindo mais em tecnologias como smart TVs, internet e serviços de streaming. Isso influencia a jornada de consumo das pessoas que antes tinham uma lógica mais linear de compra. Entendendo que essa jornada mudou, a marca Missguided fez uma parceria com o reality show britânico “Love Island” fornecendo roupas e criando ativações no programa. Por meio do recurso “Click to Buy” (clique para comprar), o público podia comprar o que via na mesma hora usando um aplicativo no smartphone. De acordo Kenyatte Nelson, CCO da marca, só com essa parceria a Missguided registrou um aumento de 40% das vendas no período.

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Estes são apenas alguns dos exemplos de como as motivações de consumo estão sendo influenciadas por conta da vontade de ficar mais em casa. O benefício de economizar tempo ao optar pela conveniência de consumir produtos e serviços é uma demanda de diversos grupos de pessoas, como pais que querem ficar mais com seus filhos ou jovens adultos que querem usar o tempo livre para fazer um novo curso por exemplo.

Como qualquer outra mudança de contexto, isso significa uma série de oportunidades para uns e claro, desafios para outros. Afinal, fazer o cliente sair para gastar o seu tempo, está cada vez mais complexo. Como marca, é importante entender que esse comportamento muda a jornada de consumo do seu cliente e já que eles conseguem replicar em casa muitos aspectos da experiência de loja, é preciso se dedicar ainda mais para atraí-los aos espaços físicos ou fazer com que eles engajem com seu serviço ou produto. Entender o comportamento das pessoas é o primeiro passo para desenvolver produtos que sejam verdadeiramente relevantes e úteis para o dia a dia dos seus consumidores. 

A WGSN mapeou as principais mudanças da casa e quais as demandas por cada geração no report “The Home Hub” (A casa como um hub) e você pode assistir à apresentação clicando aqui.

*Por Daniela Dantas – Diretora Regional WGSN Latam