A álgebra da felicidade: a teoria de Scott Galloway

Um dos painelistas mais aclamados da atualidade, Scott Galloway expõe números e tendências presentes no mapa de desejos do consumidor

Por: - 3 semanas atrás

Felicidade

Scott Galloway voltou aos palcos do Festival de Cannes Lions este ano. Em 2018 ele detonou as empresas que ele denomina “The Four” (nome dado também a um de seus livros): Amazon, Apple, Facebook e Google. Dessa vez, em um palco bem maior, ele veio falar sobre a Álgebra da Felicidade, uma apresentação disponível também online com mais de um milhão e oitocentos mil visualizações.

Segundo Galloway, a felicidade obedece a uma curva, que atinge o seu nível mais alto quando somos mais novos (o gráfico começa na idade de 16 anos, suponho que antes disso a curva seja ainda mais alta porque a adolescência não me traz exatamente melhores lembranças da minha vida) e vai declinando ano após ano, até chegar no seu nível mais baixo entre os 40 e 50 anos.

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A partir daí voltamos a recuperar o nosso elã perdido. Segundo ele, é quando começamos a ver a vida com mais sentido, quando conectamos os pontos perdidos, relações distantes e valorizamos mais as nossas conquistas, as pessoas que amamos e, sobretudo, o tempo que temos disponível por saber que nos resta menos tempo de vida pela frente.

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Galloway afirma que o casamento não apenas nos faz mais felizes, mas ajuda a acumularmos mais riqueza. Segundo um estudo da National Marriage Project da Universidade da Virginia, homens casados na faixa dos 26-30 incrementam sua renda anual em dezesseis mil dólares, enquanto homens na faixa dos 44-46 a incrementam em quase vinte mil dólares.

E, por sua vez, que o divórcio não apenas tem impactos negativos no aspecto financeiro, como causa um grande prejuízo psicológico que custa, em média, entre cinco a dez anos para se recuperar. Essa estatística, neste caso, é reforçada por um testemunho pessoal da sua infância. E, ironicamente ou não, dentre os motivos para se divorciar, o principal deles é também o dinheiro, segundo a pesquisa do The Independent, 2018.

Falando sobre felicidade e dinheiro, surge sempre aquela famosa pergunta: dinheiro compra felicidade? Galloway afirma, sem pestanejar: sim! Há um aumento gradual de felicidade até se chegar a um ganho salarial médio de 75 mil dólares anual. A pesquisa de 2010 da National Academy of Science, mostra que após atingir essa média salarial o nível de felicidade não se altera. E, que para que possamos chegar ao nível de segurança financeira que nos garanta uma felicidade (relativamente) plena, devemos começar a economizar cedo. Mas, ressalta: desde que o foco econômico não sacrifique seus desejos, sonhos e busca por aprendizado, principalmente entre os 20 e 30 anos de idade. Traduzindo livremente nas minhas próprias palavras (e minha experiência pessoal), se você investe em você independente da necessidade de ganhar dinheiro, o que você ganhará depois compensará o que deixou de ganhar para se aprimorar.

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No gráfico há a comparação do montante acumulado aos 65 anos, ao começar a economizar aos 25, 35 ou 45 anos. A diferença é gritante, mas nada surpreendente aos que já se depararam com a cruel realidade de uma previdência privada tardia.

Em toda essa álgebra combinação de gráficos, o que determina o nosso potencial de sucesso é o nível de resiliência diante das dificuldades que enfrentamos na vida. É a resiliência que determina o nosso nível de sucesso porque há uma clara correlação entre a nossa capacidade de recuperação diante de erros e frustrações, e o nosso nível de felicidade.

E, finalmente, o número e o nível de profundidade das relações pessoais que você nutre são fundamentais nessa composição de felicidade. Você se sente respeitado e admirado? E as pessoas que você ama, elas sentem que você as admira e respeita? Você sente uma sensação de cumplicidade e alegria com os seus próximos? Eles são conscientes de que você sente isso por eles? Você sente um alto nível de apoio e amor da parte deles? E você sabe se eles sabem que você sente isso? São perguntas que não nos fazemos, mas que se conseguirmos ensaiar essas respostas talvez possamos ser mais conscientes da nossa própria felicidade.