Este é um ótimo momento para ser uma marca que tem história para contar

Novas gerações vêm com uma necessidade de se relacionar com empresas e marcas que estejam alinhadas com seus valores. Veja nova coluna de Daniela Dantas

Por: - 1 mês atrás

marca Crédito: Unsplash

Costumo dizer que em relacionamentos longos crises são inevitáveis e algumas vezes se tornam marcos importantes para o nosso desenvolvimento. Afinal, sem crise, sem incomodo, quando tudo está dando certo é difícil querer mudar apenas pela vontade ser melhor.

Entendo que o custo de oportunidade de mexer em um “time que está ganhando” é mais alto, portanto dá mais medo e mais vontade de ficar na zona de conforto. Já deu certo por tanto tempo, pra que mudar agora?

Quando entramos no universo da relação entre marcas e pessoas, essa resposta está aos poucos ficando mais clara. As novas gerações de profissionais e consumidores vem com uma necessidade de se relacionar com empresas que estejam alinhadas com seus valores.

Por esse motivo, as pessoas estão deixando de consumir produtos que por anos lideraram em seus mercados e por consequência estão influenciando nos resultados de marcas gigantes. Empresas que viam seus números crescerem ano após ano mesmo sem terem um propósito claro e alinhado com as necessidades das comunidades que eles se relacionavam, hoje correm atrás do prejuízo.

Os baby boomers estão se preparando para aposentar e estamos vivendo aos poucos o movimento que está conhecido como: “the great wealth transfer”, ou a maior transferência de riqueza dos últimos tempos. O que significa que a geração X (40 e poucos anos) e os Millenials (30 e poucos) estão prestes a receber uma quantia recorde de seus antecessores.

Pelo menos US $ 30 trilhões sairão da mão dos boomers para as gerações seguintes nos próximos anos e essa mudança sem precedentes terá um efeito profundo na economia e em como marcas continuarão relevantes no futuro.

Consumidor responsável compra a mudança que quer ver no mundo

Consumo Consciente

Consumir se tornará, cada vez mais, um ato político e uma forma de impulsionar boas práticas e empresas que não apenas não prejudicam a sociedade, mas incentivar as que constroem um mundo melhor. Ao lidar no dia a dia com novos hábitos, comportamentos e crenças dos seus consumidores as empresas devem começar a desempenhar um novo papel na sociedade.

Em algum momento, irão entender que o que realmente importa agora, não é o que importava há 10 anos atrás. Portando aqueles que perceberem que a relação entre propósito e lucratividade de longo prazo está cada vez mais interligada, sairão na frente.

Para quem ainda acredita que propósito é um assunto apenas do CMO e não do CEO, vou dividir um trecho da carta aos Ceos de 2019 escrita por Larry Fink, presidente da BlackRock – atualmente a maior empresa de gerenciamento de investimentos do mundo. Nela, o executivo declara que o mundo está desesperado por uma figura de liderança e que esse papel também cabe aos empresários.

“As empresas que seguirem o seu propósito terão sucesso a longo prazo. Aquelas que ignorarem, terão problemas. Propósito não é um mero slogan ou campanha de marketing, é a razão fundamental de existir de uma empresa. É o que ela faz todos os dias para gerar valor para as partes interessadas. O propósito não é só a busca pelo lucro, mas a força principal para conquistá-lo”, explica Fink.

LEIA MAIS: Confira a edição online da Revista Consumidor Moderno! 

Iniciativa

Para ilustrar melhor o que digo, no início do ano, a Unilever anunciou que 28 das suas marcas que são sustentáveis cresceram 69% mais rápido do que a outra parte do negócio em 2018, comparado a 47% em 2017. Mas apesar da demanda por uma causa por parte dos consumidores, não dá para falar de propósito sem lembrar que estamos vivendo em um contexto de crise de confiança nas instituições, na mídia e nas pessoas em geral.

Como marca, não adianta falar sobre um propósito em uma propaganda sem impactar o mundo real, isso não é suficiente. Em 2017 uma pesquisa realizada pela Stanford University com 7800 pessoas nascidas na era digital e residentes nos Estados Unidos, mostrou que 80% dos respondentes não conseguiram distinguir a diferença entre propagandas e artigos.

Além disso, quando se mistura campanhas de marketing com uma mensagem de cunho social, é preciso muito cuidado pois isso pode ser percebido como oportunista e contraditório por parte do seu público. Logo, usar o bom senso como regra é um bom começo: não divulgue se ainda não for realidade.

As pessoas querem ouvir boas histórias e elas são frutos de casos reais, com demandas e resultados que impactam de verdade o contexto em que elas vivem. Portanto, veja isso como uma oportunidade, pois este é um ótimo momento para ser uma marca que tem história para contar. E como disse Carla Buzasi, Managing Diretor da WGSN, pessoas sempre precisaram de propósito para viver, agora marcas precisam também.