De Diabo Veste Prada a La Casa de Papel: como a geração Z enxerga o líder ideal

Um estudo identificou os perfis de liderança desejados e odiados pela geração Z. Personagens da ficção personalizaram os dois extremos

Por: - 2 meses atrás

Geração Z Álvaro Morte, ao centro, é o Professor. O chefe do grupo que planeja assaltar a Casa da Moeda na série espanhola

Em painel voltado ao comportamento do jovem da Geração Z, o Whow! Festival de Inovação contou com especialistas que atuam no recrutamento e no estudo comportamental para identificar as dificuldades das empresas de atrair os talentos da geração que está chegando agora no mercado. Segundo os especialistas, a falta de cultura diversa e uma liderança autocrática são alguns dos pontos levantados.

A AlmaBBDO, agência de propaganda, tem um projeto dedicado a entender como os jovens entendem a liderança do futuro. E de acordo com Cintia Gonçalves, sócia e CSO da agência, a primeira menção desses jovens é relacionada à máxima que diferencia líderes de chefes.

“Eles apontaram como exemplo do chefe que personaliza esse passado, a Miranda, do filme Diabo Veste Prada. Uma personagem hierárquica, que não dá espaço para sentimentos nem para fala”, conta Cintia.

Por outro lado, o líder do futuro foi personalizado no personagem principal da série La Casa de Papel, o Professor. “Ele é o líder do futuro porque tem empatia, sentimento, é vulnerável, sofre, erra. E tudo bem! Ele combina a diversidade no seu time, que não existiria se não fosse ele gerindo aquelas pessoas. Não é apenas um assalto, ele tem um propósito (ALERTA DE SPOILER): a história do pai dele. O Professor é a materialização da liderança do futuro e seus skills”, finaliza.

Priscila Zuini, gerente de Marketing e Comunicação da Glasdoor, antiga Love Mondays, destaca que a geração Z tem como uma das suas características mais latentes não tolerar a falta de diversidade.

“Ela quer estar num ambiente em que estejam representadas as diferenças”, afirma. “Uma pesquisa que realizamos nos Estados Unidos no começo deste ano apontou que os jovens também não toleram no mercado de trabalho ambientes onde não possam participar das conversas, hierarquia rígida e salário incompatível”, completa.

Processos seletivos com a geração Z

A executiva afirma que algumas empresas estão trabalhando a remodelagem do que ela chama de “viés inconsciente” durante os processos seletivos para receber a nova geração. Uma parte importante disso é realizado nas novas maneira de recrutamento às cegas.

“O gestor não recebe o currículo, ou, se recebe, não sabe a faculdade do entrevistado nem onde mora, mas vai ter a oportunidade de conversar com ele pelo motivo certo: a história de vida”, explica. “E as empresas que aplicam isso estão vendo uma melhora em produtividade”.

Merryl Streep vive a megera Miranda em “O Diabo Veste Prada”

Segundo Priscila, esse tipo de seleção já é possível por conta da uniformidade da formação técnica em determinados campos de atuação, o que abre espaço para que as empresas se debrucem sobre outras capacidades. E, do lado dos jovens da geração Z, essa nova maneira de arrumar um emprego é muito mais eficiente e recompensadora.

Rodrigo Masao, CEO da Empower, destaca que, apesar de nascer e crescer imerso no mundo da tecnologia, esse jovem ainda guarda muito para o relacionamento pessoal. Outra característica da nova geração é a sua falta de fit com a sala de aula.

“As universidades têm um gap muito grande em relação ao mercado. Os jovens percebem isso, que precisam se conectar à empresa para suprir o que a sala de aula não entrega. As empresas que se empenham nisso estão à frente e não precisam de mil inscritos na entrevista para escolher 40”, alerta Masao.

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