Serviços não tradicionais de cuidado com a saúde conquistam os millennials

Modelos de assinatura, wearbles, plataformas online de agendamento e atendimento das healthtechs têm aderência das novas gerações

Por: - 2 meses atrás

healthtechs Crédito: Unsplash

Cansados dos gargalos e problemas da saúde, os millennials, Z e Y abrem caminho para formatos de cuidados não tradicionais com a saúde, como clínicas de varejo e serviços virtuais digitais, segundo a pesquisa “Digital Health Consumer Survey”, da Accenture.

Ao considerar o atendimento tradicional, os millennials, de 22 a 38 anos, estão duas a três vezes mais propensos do que os baby boomers, idades de 55 a 73 anos, a ficar insatisfeitos com questões como localização/canal de atendimento.

O estudo revela ainda que métodos de tratamento não tradicionais têm rápida aderência em todas as faixas etárias nos últimos anos, com quase 30% dos entrevistados usando alguma forma de atendimento virtual e quase metade, cerca de 47%, fazendo uso de clínica de ambulatório/varejo.

Já o uso de serviços digitais de autoatendimento também está em ascensão. Mais da metade dos respondentes, 51%, revelam que usam aplicativo móvel ou wearables para gerenciar seu estilo de vida e condições de saúde.

“Com o crescimento de pacientes tomando as rédeas dos cuidados com a própria saúde, fica claro que empresas ligadas ao setor precisam se adaptar e fornecer meios para atender às necessidades de todos. Aqueles que estiverem à frente nas entregas aos pacientes ganharão lealdade e estarão fortemente posicionados ao que o futuro reserva”, afirma Vinícius Fontes, diretor executivo e líder de Transformação Digital para o setor de Saúde, Educação e Serviços Públicos da Accenture.

Metodologia

A pesquisa entrevistou 2.338 consumidores entre 18 e 91 anos para mapear a adesão do serviço entre todas as gerações nos Estados Unidos.

Otimização de serviço é tendência?

Facilidade de acesso, processo simples e engajamento da relação entre paciente e profissional da saúde são princípios norteadores de algumas healthtechs voltadas para a otimização do acesso à serviços de atendimento.

Uma das atuantes nesse segmento é a Doctoralia, criada em Barcelona, na Espanha, por um médico e um tecnólogo. A ideia de unir atendimento com suporte técnico rápido em uma plataforma gratuita já conta com a adesão de 12 mil usuários.

“Aproximar o médico do paciente com mais velocidade, mais informação e mais praticidade. Na palma da mão, no celular e no computador, o paciente consegue saber se o profissional de saúde é adequado, se ele atende o seu plano de saúde e sua avaliação por outros usuários”, conta Carlos Eduardo, CEO da Doctoralia no Brasil.

Com o recurso da telemedicina, processo avançado para monitoramento de pacientes, troca de informações médicas e análise de resultados, a plataforma da healthtech, segundo o CEO, oferece uma outra face da comunicação entre médico e paciente.

“O principal é o mais simples, mas que até então não estava sendo feito, que é a comunicação do profissional de saúde com o paciente. A telemedicina é um chamado grande do paciente do futuro”, diz.

Outro atuante nesse segmento é a Dr.Consulta, rede de centros médicos. A plataforma integrada promete oferecer atendimento de saúde sem mensalidade, filas ou burocracia. O serviço já conta com mais de 1,4 milhões de usuários e atende as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Renato Velloso, CEO da empresa, aponta o acesso eficiente à saúde como missão. “Temos um prontuário eletrônico que consegue armazenar todas as informações do paciente e onde a gente sabe toda a jornada dele ao longo da vida. Além disso, oferecer agendamentos rápidos e custo reduzido são importantes para expandir o atendimento das pessoas”, conta.

Se adequar ao cliente também representa o desafio da plataforma. Velloso reafirma a importância de conhecer o consumidor e as dificuldades dele nesse tipo de atividade.

“Hoje, o consumidor é moderno. Ele é empoderado, ele tem acesso às informações de forma muito fácil, ele é crítico. Para conquistar essas pessoas, é preciso desenvolver ferramentas para tornar a jornada mais fácil e melhor para esse paciente”, completa.

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