Agora motoristas de aplicativos podem tirar MEI

Categoria, oficializada no Diário Oficial da União, passa a ser conhecida como Motorista de Aplicativo Independente. Mas afinal, como essa nova economia tem impactado as cidades e principalmente o consumidor?

Por: - 2 meses atrás

MEI

Nos dias de hoje quem não tem ao menos um aplicativo de mobilidade urbana no celular faz parte de uma minoria. E não é para menos. A nova economia tem impulsionado os atuais modelos de transporte e facilitado a vida do usuário. Só a Uber tem mais de 600 mil motoristas cadastrados. A novidade é que a partir de agora quem trabalha com esses aplicativos poderá se registrar como microempreendedor individual (MEI) graças a uma mudança legislativa que possibilita de uma vez por todas a formalização do negócio.

Essa mudança foi oficializada no Diário Oficial da União (DOU) no início do mês e, a partir de agora, a categoria passa a ser conhecida como Motorista de Aplicativo Independente. Não à toa, segundo levantamento do Sebrae, o país tem hoje 8,7 milhões de pessoas cadastradas como MEI. Com ele é possível ter um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – o CNPJ – além de contratar funcionários, fazer licitações e, principalmente, emitir notas fiscais.

Um bem necessário às grandes cidade

E como essa nova realidade tem beneficiado as grandes cidades? Uma pesquisa recente da Fundação Instituto Pesquisas Econômicas (FIPE) concluíu que os apps de mobilidade urbana aqueceram em 34,2 milhões de reais a economia de São Paulo. Sem falar das inúmeras vantagens de locomoção e dos preços mais acessíveis.

NÚMEROS DA UBER NO BRASIL

600 mil motoristas
22 milhões de usuários
Segundo maior mercado da Uber no mundo
Em 2018 faturou aproximadamente 3,7 bilhões de reais com a operação no país

MEI

Além disso, o crescimento da modalidade liberou cerca de 78 mil vagas de carros – o equivalente a 20 garagens de shoppings centers, para se ter ideia. Sem falar que esses apps também serviram como facilitador para o transporte público da cidade. Pessoas que moram distantes de terminais de ônibus ou estações de metrô passaram a usar os aplicativos. Segundo dados da 99, 13% das chamadas de viagem começam em terminais de ônibus, estações de trem ou metrô.

O preferido dos brasileiros

Já uma pesquisa da SPC Brasil junto a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que mais da metade dos brasileiros (65%) prefere utilizar os apps em vez do serviço de táxi.

Entre os consumidores de 18 a 34 anos, o número é ainda maior, chegando a 77%.  A principal razão apontada por esse público para tal escolha é o preço. Em segundo lugar, com 58%, vem a qualidade de serviço superior.

MEI

O estudo mostra que essa variedade de transportes também influencia o comportamento do consumidor. Os transportes privados tornaram-se opção para os brasileiros fazerem compras – preferência de 50% do público. Tanto táxi como os apps (Uber, Cabify) aparecem nessa opção.

Ir às compras utilizando os serviços particulares de transporte é preferível por ser mais cômodo (55%), principalmente para os jovens entre 18 e 34 anos (64%), e também por ser de fácil acesso (55%), com maior frequência entre consumidores de 18 a 34 anos (63%).

Pra que carro?

A enorme variedade dos serviços de compartilhamento de carros, bicicletas e patinetes também impulsionou um novo cenário: queda na compra de veículos pelos jovens. Para se ter ideia o número de emissões de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vem sofrendo queda nos últimos cinco anos chegando a 26%.

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