Como a "Era Humana" modifica a relação máquinas x pessoas?

No painel final do Simpósio de Cobrança Digital, Rebecca de Moraes, da consultoria Soledad, falou sobre quatro tendências da chamada Era Humana e discorreu a respeito do monitoramento na era digital. Entenda

Foto Unsplash

O encerramento do Seminário de Cobrança Digital, uma iniciativa do Grupo Padrão, contou com o painel solo de Rebecca de Moraes, sócia-diretora da Soledad – consultoria especializada em tropicalizar tendências. Ao longo de sua exposição, ela falou sobre quatro tendências de um ciclo humano que se consolida no próximo ano e é chamado de  “A Era Humana”.
O assunto foi abordado no painel “O Consumidor latino: como adaptar as tendências globais à experiência da América Latina”
Segundo Moraes, o ciclo conhecido como “A Era Humana” consiste em um momento de união entre a máquina e o ser humano. Nela, inteligências artificiais e bots não dominam o mundo como nos filmes de ficção científica, mas ajudam as pessoas a resolverem os seus problemas no cotidiano. 
“Tudo o que está para ocorrer não é sobre robôs, mas como as máquinas vão se entrosar com um ser humano. Dentro desse contexto, a tecnologia deixa de mediar as interações humanas e torna-se uma parte das relações. Estamos falando de máquinas com alguma camada de sentimento”, explica.

máquinas

Crédito: Douglas Lucenna


Rebecca afirma que é a partir dessa ideia que surgem quatro tendências previstas pela consultoria. Veja:

Robotização da vida

A ideia dessa tendência é que robôs invadam as nossas vidas em diferentes interfaces, gadgets ou mesmo micromomentos das nossas existências. Segundo Rebecca, isso já está ocorrendo: há um aumento no número de casas conectadas em todo o mundo, inclusive na América Latina. “Existe um fenômeno de pessoas usando IoT (internet of things) dentro de suas casas e isso vem aumentando na América Latina”,  resume.
Esse processo, ainda de acordo com Rebecca, vem acompanhado de outra tendência: a interação com os robôs ou máquinas sai de uma era “touch” e segue para uma era “voz”.
“Em pouco tempo, metade das nossas interações será via voz. Hoje, temos um levantamento que mostra que 37% dos usuários já usa touch screen e voz para ativar os seus dispositivos. Mais: dentro do universo dos que já usam a voz, 86% afirmam que o comando vocal agiliza a comunicação”, afirma. 

Pertencimento virtual

Essa segunda tendência se inicia a partir da ideia de que a sociedade vive um momento de hiperconexão. Segundo a consultora, 36% dos usuários passam mais de cinco horas no smartphone por dia. O impacto disso é que essa hiperconexão resulta em solidão na vida real e pode desencadear casos de depressão. Curiosamente, os consumidores latino-americano ainda não possuem esse tipo de percepção.
“A ideia de pertencimento ocorre da premissa de como podemos ajudar as pessoas a se integrarem com as tecnologias sem desencadear em casos de solidão e doenças mentais. Hoje, muita gente fala em ‘detox de tecnologia’, mas existem outras maneiras de minimizar esses efeitos sem desgrudar tanto das telas. É possível usar cores mais sóbrias em uma rede social e, ao mesmo tempo, abandonar o uso de tons como o vermelho, que no passado foram amplamente usados para chamar a atenção do consumidor para um produto ou marca. Isso muda com essa exposição humana a essas tecnologias”, afirma.

Monitoramento de tudo

Hoje, o monitoramento digital está em todo o lugar. De acordo um levantamento feito pela Soledad, 35% das pessoas pesquisadas dizem que não têm privacidade e, mais do que isso, acreditam que as empresas podem rastrear de tudo um pouco. Felizmente ou infelizmente, essas pessoas têm razão: privacidade é coisa do passado.
Rebecca explica que o número de dispositivos que monitoram os nossos passos está crescendo. O MIT, por exemplo, criou um carro que identifica o humor de uma pessoa. Já o Walmart patenteou um carrinho de supermercado que, além de oferecer um mapa de calor, analisa informações de saúde do consumidor, tais como batimento cardíaco. Em outras palavras, a tendência é que dados pessoais serão usados para ajudar e não vigiar uma pessoa.
“O importante é entender como eu faço para tornar a vida de uma pessoa mais fácil. A ideia não é usar para invadir a privacidade de uma pessoa, assim como fez o tal hacker de Araraquara. Hoje, existe um movimento ascendente de pessoas que entendem que podem se beneficiar a partir do monitoramento”, afirma.

Transparência ressignificada

Em um passado não muito distante, empresas eram como caixas pretas quando o assunto é transparência: nada passava ao filtro da informação da companhia. Isso mudou. Consumidores querem mais informações das companhias.
“Hoje, surgem informações sobre as empresas nos mais variados canais. Pode ser por meio de um funcionário que posta uma foto em uma rede social, entre outras origens. Isso foge ao controle da empresa”, afirma Rebecca.
A exibição cada vez maior de dados sobre empresas, no entanto, vai resultar em outro debate bem conhecido do brasileiro: as fake news. Como se blindar sobre todo o tipo de informação, inclusive o que é mentira?
“O nosso estudo indica que 87% das pessoas não sabem identificar se o que elas leem é verdade ou mentira. Mais: 68% não sabem em qual político confiar e 45% não sabem em qual marca depositam a sua confiança. É uma era de muita desconfiança, onde muitas pessoas preferem acreditar em um parente e a sua fake news do que na imprensa séria”, disse. 
Rebecca acredita que esse processo vai resultar em empresas mais transparentes. “Muitas empresas já trazem os seus consumidores para dentro da companhia para promover um processo de cocriação de um produto ou serviço. A questão é colocar dentro de um contexto mais amplo: a transparência corporativa”, afirma.

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