Professora cria aplicativo de entregas feito por mulheres e transexuais

Com 20 entregadoras, a empresa apoia o empoderamento feminino e trans. As entregas cobrem toda a cidade de São Paulo e são feitas com horário marcado

Por: - 4 semanas atrás

entregas Crédito: Gil Sotero

Os serviços de entrega por bicicleta têm se tornado cada dia mais comuns nos grandes centros urbanos. E foi assim que surgiu o Señoritas Courier, um serviço de entregas realizado apenas por mulheres e transexuais. Com 20 entregadoras, a empresa apoia o empoderamento feminino e trans. As entregas cobrem toda a cidade de São Paulo e são feitas com horário marcado.

Criado em 2018 pela professora universitária e entregadora Aline Os, o projeto surgiu após a participação em um curso de Bike Negócio – iniciativa de empreendedorismo com o uso de bicicleta.

O curso ofereceu a Aline as ferramentas para estruturar a ideia. Sua relação com a bicicleta já era antiga. A professora já utilizava a bike para passeios em grupo e deslocamentos por São Paulo.

“Estava deprimida, mas já utilizava a bicicleta para alguns passeios com grupos e deslocamentos na cidade e não queria trabalhar com algo formal. Foi então que um dia eu vi um garoto fazendo entregas de bicicleta e perguntei a ele como funcionava, se dava para ganhar algum dinheiro. Foi assim que me tornei biker courier ou entregadora. Trabalhei como freelancer para uma empresa do ramo. Pedalava mais de 70 km/dia, com chuva ou sol”, comenta.

No mesmo ano, a empreendedora começou a realizar entregas em bicicleta para uma empresa do ramo, onde permaneceu até o início de 2017. Da experiência, percebeu que as mulheres muitas vezes são preferidas em trabalhos de entregas. A partir disso, surgiu o Señoritas.

“Sou mulher, negra, tenho uma irmã solo que ficou muito tempo desempregada por conta do preconceito do mercado que vê mulheres com crianças como alguém que não se compromete, não se dedica ao trabalho, independente da sua competência e longa experiência. Vivemos em um mundo onde a economia discrimina o que foge do padrão. Sim, se você não se encaixa no quadro, você já sofreu ou irá sofrer com a máquina do mercado de trabalho em algum momento”, afirma a criadora do projeto.

Inclusão

Segundo Aline, a política do Señoritas é de acolher essas pessoas. “E é nisso que eu penso quando digo que quero trabalhar com mulheres e LGBTQs: uma economia onde nós possamos fortalecer a outra, uma economia de confiança”, reforça Aline.

O trabalho de agendamento de entregas contempla mães, professoras, empreendedoras entre outras que trabalham na plataforma. Cerca de 70% do valor é dado a quem fez a entrega. Os outros 30% são para o custo operacional.

Mobilidade e novas soluções

Com a explosão de entregas por aplicativos, Aline comenta a importância de se pensar em modalidades de mobilidade e soluções que fujam da poluição e beneficiem a população de diversas formas.

“Eu penso em soluções para o mundo atual: mais bicicletas nas ruas significa desafogamento e acalmamento do trânsito, diminuição da emissão de poluentes, novas formas de se conectar com um mercado que busca inovação, entre outras possibilidades”, completa.


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