O papel das empresas no desenvolvimento de regiões e mercados complexos

Almaviva, Enel, Pernambucanas e Sherwin Williams falaram durante o CONAREC sobre as iniciativas de desenvolvimento social e do trabalho em regiões e mercados complexos

Por: - 6 dias atrás

empresas Foto Felipe Paes

A Almaviva entrou no Brasil para explorar as potencialidades de um mercado totalmente diferente do italiano, onde a empresa nasceu. O turnover da operação na Itália é de 1% ao ano, o que é impensável em qualquer empresa de atendimento no Brasil, onde a rotatividade é muito alta.

Mas a empresa obteve êxito em sua adaptação a uma realidade tão diferente. Hoje, está entre os 10 maiores empregadores do País com 33 mil funcionários. E tem gerado empregos principalmente longe dos grandes centros econômicos.


“Nosso crescimento foi totalmente orgânico e desses 33 mil funcionários, 53% têm o seu primeiro emprego, 65% são mulheres, mais da metade da operação está em estados do Nordeste e cerca de 90% dos colaboradores têm menos de 27 anos”

Francesco Renzetti,
CEO da Almaviva


Roteiro para o desenvolvimento

A Enel é outra empresa que tem apostado no desenvolvimento social em regiões críticas através de três pilares: sustentabilidade, mobilidade e inclusão social. A empresa tem projetos nesse sentido no estado do Rio de Janeiro, onde mantém as chamadas escolas criativas para desenvolvimento social e liderança.

“No Rio, a complexidade é muito grande, já estive em São Paulo e outros mercados da América Latina, mas lá temos problemas graves relacionados a, entre outras coisas, formação de referências e lideranças. As comunidades são engajadas, mas se assemelham a um barco sem rumo. A ideia é atrair empreendedores locais para gerar emprego. Para isso desenvolvemos 130 mil alunos com as escolas criativas”, explica Artur Manoel Tavares, diretor presidente da Enel RJ.

Foto Felipe Paes

Tavares, da Enel, concluiu, ao contestar a alegação do economista americano Milton Friedman, de que tudo está subordinado ao lucro. “Se você olha para o desenvolvimento da sociedade, você vai ajudar a desenvolver cada vez mais a empresa e o ecossistema. As pessoas não querem esmola, querem oportunidades. Essa diferença precisa ser trabalhada e as lideranças precisam estar atreladas a isso. Precisa ter troca de valor entre clientes, órgãos reguladores e empresas”, diz o executivo.

Ações diretas

A Sherwin Williams também trabalha no desenvolvimento profissional de quem compõe o seu ecossistema. Freddy Carrillo, presidente da empresa, afirma que, no Brasil, 85% das vendas de tintas são decididas por pintores. “São mais de 1 milhão de pintores no Brasil e criamos a academia do pintor onde ele é treinado por 3 meses. Isso facilita a promover o consumo porque o consumidor fica mais seguro com a qualidade do serviço. O Brasil ainda está entre os países com muito a crescer no consumo per capita de tinta”, analisa Carrillo.

Para Sergio Borriello, CEO da Pernambucanas, propostas de iniciativa social precisam ser bem planejadas e, acima de tudo, realizadas conforme o propósito da empresa. “São 111 anos de Pernambucanas fazendo história no Brasil. Capitalizamos isso e passamos a fazer parte família brasileira. Isso se cristaliza no dia a dia quando falamos de causa, e essa causa vira DNA. A causa desaparece quando está incorporada nas ações e na política”, afirma.