Privacidade dos dados: amiga ou inimiga das empresas?

Com a Lei Geral de Proteção de Dados, o uso de informações dos consumidores têm sido cada vez mais debatido pelas empresas. Saiba mais no painel do CONAREC

Foto Rafael Canuto

Em tempos de customização, os rastros deixados pelo consumidor em formato de dados pela internet são o insumo mais valioso que existe. Porém, eles tendem a ser cada vez mais protegidos: privacidade de dados é um tema que se torna cada vez mais relevante e, com isso, o cliente passa a entender que é detentor de suas informações.
O desafio das organizações com a regulamentação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é buscar a concordância no uso das suas informações, com a autorização ou não da liberação desses dados. Como um propulsor de marcas que atuam com respeito com o seu consumidor, a legislação, que entra em vigor em fevereiro de 2020, já gera opiniões diversas entre os próprios consumidores, fornecedores desses dados.
Em recente pesquisa realizada pela Mindminers, 92% das pessoas consideram suas informações pessoais na rede como um bem de valor. Já sobre o conhecimento da coleta desses dados pelas empresas, 74% conhecem esse fato.
Segundo o levantamento, 85% dos entrevistados estão dispostos a venderem seus dados ou gerarem alguma vantagem própria. Mas quem ganha e quem perde nesse contexto?
Alan Gomes, CTO e Co-founder da In Loco, reforça que a era dos dados ou big data não volta atrás. “Tenho um receio que esses dados sejam cruzados de um modo não responsável. Assim, nós perdemos a capacidade e a privacidade de existir”, comenta o executivo.

Vale a pena ceder dados?

Tecnologia e legislação podem estar unidos para minimizar os riscos da tendência da pós-privacidade? Para Anna Paula Gonçalves, Superintendente da Ouvidoria da MAPFRE, a preocupação com os dados disponibilizados deve existir por parte do consumidor e de quem recolhe essa informação.
“A lei com o qual vamos ter que lidar no futuro, vai dar a possibilidade de escolher se esses dados podem ou não ser vazados”, diz.
Francisco Virgilio, Head do Americas Innovation Lab da Altitude Software, aponta que a legislação, apesar de inovadora, requer cuidado para ser aplicada.


“Os dados estão em movimento. Eles se movimentam em todas as partes e de forma muito simples. Hoje, através da facilidade de armazenamento, isso dobra e triplica o armazenamento de dados. Até que ponto vai existir as leis que a gente conhece hoje?”

Francisco Virgilio,
Head do Americas Innovation Lab da Altitude Software


O sistema bancário e suas fragilidades estão presentes no cotidiano de trabalho de Luis Guilherme Bittencourt, Diretor de Atendimento do Santander. Para o executivo, expor os dados que o banco armazena de seu cliente é um esforço necessário.
“Com o app do Santander, o cliente consegue ver o que nós sabemos sobre ele. Isso não é um benefício, mas nada mais é do que uma evolução daquilo que ele nos dava e um retorno positivo para ele”, comenta.
Já para Celso Tonet, Diretor de Atendimento da Claro Brasil, o compartilhamento de dados pode trazer benefícios para a sociedade como um todo, desde que feito com cautela.
“Todo esse compartilhamento de dados pode trazer algum benefício para essa sociedade. O grande incentivo que enfrentamos é poder trabalhar melhor esse dado internamente, para que possamos ter uma personalização interna na realização do serviço”, completa.

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

As IDENTIDADES do novo consumidor sem rótulos #CM25ANOS

Futuro incerto? O que pensam os futuristas em tempos de crise social

“Contágio” e outros filmes sobre epidemias para ver dentro de casa

Manu Gavassi e sua brilhante estratégia de branding. O que as marcas podem aprender com ela?

A ascenção das newsletters

VEJA MAIS