Marcas mais humanas em 2019: três tendências para ficar de olho já

As tendências apontam uma busca latente por autoconhecimento, olhar para si e a busca pela fuga dos padrões. Confira mais no artigo de Rebeca de Moraes

Por: - 1 mês atrás

tendências Crédito: Austin Distel/Unsplash

Já que estamos batendo à porta do início do ano (o futuro, você sabe, só chega aqui depois do Carnaval, não é?), é hora de pensar nos desafios que os consumidores estão colocando para as marcas neste ano. Durante nossas pesquisas de tendências para 2019, fica evidente um movimento: estamos saindo da fase da super-racionalização da vida – dos algoritmos, dos aplicativos para controlar cada pequeno aspecto da vida, dos relatórios de quantos passos demos num dia, quanto tempo ficamos olhando o Instagram, quantas visualizações teve cada foto.

Depois de tantos registros, que mostram também que passamos os últimos anos aficionados pelo olhar do outro, vemos para este ano e os dois próximos um claro movimento de volta ao humanismo. As tendências nos apontam uma busca latente das pessoas por autoconhecimento, por olhar para si próprias tentando esquecer dos padrões. O que isso significa para as marcas?

Que vamos precisar cada vez mais oferecer produtos, comunicação, serviços e dados que deem conta de abraçar esse momento mais humano, de melhorar o uso da voz nos assistentes pessoais, até entender os dilemas mais íntimos dos consumidores e ajudá-los nisso. Não é uma tarefa simples, mas as tendências estão aí para jogar luz no caminho e ajudar a trilhar a estrada que os consumidores irão percorrer:

Meu Místico

Vivemos uma vida cheia de registros, supermapeada e rastreada. O excesso de informação da vida moderna alimenta o desejo de ter todas as respostas. Mas o Yahoo Respostas sabe tudo, menos uma coisa: quem sou eu? Diante dessa, a pergunta que é de uma vida, vamos nos próximos anos mergulhar em busca dessa resposta, numa viagem pelos mistérios individuais, que atiça o desejo de explorar o que é mais íntimo dentro de cada um. Da astrologia ao tarot, passando por banhos de ervas e a volta de antigas filosofias, como a do Sagrado Feminino, nos próximos anos o misticismo voltará com força.

Pós-empoderamento

É hora de sustentar comportamentos que emergem depois do avassalador empoderamento feminino. Com a chamada das mulheres para relações mais igualitárias em todos os âmbitos, os homens são chamados a rever seu lugar nas tarefas do dia a dia, na paternidade, nas relações (mostrando mais emoções) e na estética (adentrar esse campo sem medo). Porém, cada novo comportamento rompe um padrão, mas nada disso acontece sem alguma dor. Por isso, é hora de tirar o foco da “lacração” para lidar com as dificuldades que existem em criar novos jeitos de ser mulher e de ser homem. O principal desafio do PÓS-EMPODERAMENTO FEMININO é sustentar novas maneiras de pensar, de agir e de consumir.

Newstalgia

O que emerge agora pode ser lido como uma suave mistura entre nostalgia, essa saudade do que se viveu, com um sentimento que se aproxima da melancolia: uma possibilidade de viver de outro jeito, melhor, algo que passou por mim no passado. As duas construções mentais, estados de espírito alimentados por esse gosto amargo sobre o presente e a incerteza aguçada sobre o futuro.

É sobre a saudade de um passado conhecido, do que já foi acessado, mas diferente do hoje. O desejo de resgate do que fez feliz, mas também a saudade do tempo da infância, de lembranças que têm um ritmo diferente, mais lento – em contraposição ao mundo que vai cada vez mais rápido.

*Sócio-fundadora e diretora da Soledad