Como um perfil fictício no Instagram pode ajudar as marcas

Enquanto o email volta com força como canal de comunicação, o marketing de influência vem criando caminhos alternativos de alcance para as marcas

Por: - 4 semanas atrás

Instagram Foto Pexels

Por Gabriely Souza

A conta do Instagram de Vivi Guedes alcançou 1,5 milhão de seguidores desde que ela fez o seu primeiro post na rede social, em 25 de maio deste ano. Seria essa mais uma digital influencer que faz sucesso rapidamente nas redes, a não ser por um detalhe: ela é uma personagem de novela, representada pela atriz Paolla Oliveira. Empresas e marcas como a lingerie Hope já fizeram parcerias com o perfil fictício, com mais de 1700 comentários em postagens, através de posts patrocinados. Tal exemplo ilustra as mudanças que ocorrem no marketing de influência e novos canais de comunicação, que ultrapassam a barreira da realidade.

De acordo com a pesquisa Social Media Trends 2019, publicada pela Rock Content, a visibilidade (70,5%) e a divulgação de conteúdo e outros materiais (66,1%) nas redes sociais foram os principais motivos que levaram as empresas a criar um perfil. O fato de poder interagir com o público também serviu como motivação para 46,8% das empresas. O estudo mostra tendências e práticas adotadas pelas empresas que estão presentes nas redes sociais e os motivos daquelas que ainda não se inseriram nesse universo.

 

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Há dois aspectos que pautam novas estratégias de marketing de influência, segundo Pedro Galvão, especialista em redes sociais do Rock Content.

“A primeira delas é a criação de uma publicidade menos forçada ou invasiva, que tenha sentido e que se transforme em um conteúdo de qualidade, por mais que o espectador não vá adquirir seu produto/serviço no momento em que é alcançado pelo conteúdo”.

A segunda é a possibilidade de criar uma conexão mais profunda com uma audiência que se aproxima da sua. “Um influenciador é mais do que uma canal de TV ou uma celebridade convencional”, afirma.

É o que concorda Vinícius Picollo, CEO da Clooset, fashiontech que faz conexão de marcas e criadores de conteúdo a partir da mensuração de dados. “No mundo, cada vez mais o que vemos é o poder das micros e nano influenciadores, que mesmo tendo um menor impacto por alcance (redes menores, até 100k) detém uma capacidade de conversão e convencimento acima da média (ao redor de 3% vs 0,5% das grandes). Conhecer e dialogar em códigos cada vez mais específicos é um desafio enorme para as marcas, e nisso a hipersegmentação contribui positivamente para conquistar corações e bolsos de novas audiências”.

A autenticidade é a chave para influenciar. É o que acredita Maiara Mata, dona do canal no YouTube “Eu sei fazer”, que ensina receitas e customizações através de tutoriais. Para alavancar as possibilidades de influenciar, ela participou da primeira edição de um concurso da startup Méliuz, o “Desafio Méliuz”, que dava prêmios a vloguers do YouTube. Na última edição, alguns deles firmaram um contrato publicitário de R$ 30 mil com a empresa e ganharam um kit com tripé, softbox e microfone. “Mudou o olhar das grandes empresas sobre o criador de conteúdo. Quando comecei, e fazia mais por hobbie, em 2015, as marcas não davam muito valor. Só a quantia paga pelo YouTube pelo número de seguidores não era suficiente”.

Foto Unsplash

Canais de comunicação

Cerca de 62,6% das empresas consideram que as redes sociais têm um papel muito importante. A principal rede utilizada no país é o Instagram, ainda segundo o Social Media Trends.

“O Instagram é uma rede que se reinventa muito rapidamente e demonstra certo preparo para atender as mudanças de gosto da audiência. O feed, por exemplo, não tem mais a mesma força que já teve, uma vez que os stories se tornaram uma parte muito relevante da plataforma”, afirma Galvão.

Já Piccolo chama a atenção ao Pinterest, que já têm 38 milhões de usuários únicos mensais no país, segundo o Comscore. “Para o mercado de inspiração e varejo, o Pinterest tem crescido muito no Brasil nos últimos meses, associando o seu poder de descoberta (pesquisa e pins) com forte influência na conversão ao encaminhar o usuário diretamente para a compra. Com isso, passa a ocupar quase que sozinho um espaço de criação de inspiração, consideração e recomendação que antes era ocupado pelo Instagram”.

Ao mesmo tempo, tendências antigas acabam voltando e um exemplo recente disso são as newsletters, que estão cada vez mais em alta, mostrando que o e-mail está longe de morrer. “Outro exemplo de ascensão é o formato de áudio, que está conquistando uma parcela significativa de adeptos, principalmente quando se fala de podcasts”, alerta o especialista da Rock Content .

Erros

Para Picollo, um erro comum é confundir número de seguidores com impacto. Desde as menores até as maiores (ou da nano influenciadora a influenciadora celebridade), base de seguidores não significa impacto, e este último tampouco significa vendas – não só os algoritmos das redes fazem seu papel ao filtrar o que mostram, como também a adequação do produto versus influência versus rede, que precisa ser muito bem afinada.


Veja dicas para o empresário que quer ampliar seus negócios nas mídias:

Buscar a pessoa certa para seu nicho
Trabalhar com produtores de conteúdo muitas vezes demanda um investimento alto. Pensando nisso é importante que sua marca pesquise ao máximo tudo sobre o público da pessoa que vai representar sua label;

Reputação é importante
Falando em representação é essencial que sua equipe busque a fundo quaisquer possibilidades de polêmicas e/ou comportamentos inadequados para seu posicionamento de marca. Lembre-se que a pessoa se tornará porta-voz da sua marca. Isso significa que uma atitude controversa pode refletir gravemente na sua empresa.;

Construa uma campanha coesa
Isso significa definir objetivos antes de começar o processo. Desta forma será possível entender se o produto final foi um sucesso ou não. Assim, você conseguirá compreender quais melhorias precisa aplicar para as próximas ações.


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