Sequestro de estoque: saiba o que é e como se prevenir

No ataque, lojas compram do concorrente para prejudicar suas vendas durante a data de descontos. Evitar não é tão simples; entenda

Para os varejistas, a Black Friday começa muito antes da última sexta-feira de novembro. É preciso negociar com fornecedores, definir estratégia de comunicação e marketing, investir para executá-la e preparar o estoque para o grande dia de descontos.

Além de todo o processo natural de preparação para a data, os varejistas precisam se preocupar com um ataque que, infelizmente, é comum: o sequestro de estoque.

Na prática, varejistas fazem compras via boleto, geralmente com vencimento em três dias úteis, em lojas concorrentes e não pagam pelos produtos. As lojas vítimas precisam deixar os produtos encomendados pelos golpistas fora de circulação durante a Black Friday e perdem as vendas.

Quando vítimas do ataque, as lojas deixam de faturar os investimento em comunicação e produtos negociados com desconto com os fornecedores, além, claro, das vendas em si.

Esse tipo de ataque é particular da Black Friday. Em outras datas comemorativas importantes para o varejo, como Dia das Mães e Natal, não há um dia específico de descontos. Para se preparar para essas ocasiões, os clientes podem comprar tanto uma semana como um dia antes.

Quem é mais afetado?

Pequenos varejistas não são tão afetados pelo ataque. O sequestro de estoque é feito, na maioria das vezes, contra médios e grandes varejistas.

Segmentos mais disputados dentro do e-commerce, como o varejo de moda e eletrônicos, tendem a ser os mais visados por esse tipo de jogo sujo. Portanto, lojistas que atuam em nichos específicos podem ficar um pouco mais tranquilos.

Como evitar

A solução não é tão simples, explicam especialistas. O pagamento via boleto tem alta taxa de participação no e-commerce brasileiro. Por isso, deixar de oferecer essa opção trará prejuízo ao lojista.

Os varejistas devem traçar estratégias preventivas com base em dados. Tom Canabarro, cofundador da Konduto – empresa que investe em tecnologia para combater fraudes no e-commerce – diz que alguns varejistas fazem um pente fino em pedidos suspeitos.

”Não existem muito indícios de que um cliente não vai pagar. O que o pessoal faz é olhar alguns padrões. Se tiver um carrinho com 25 SKUs com o valor de R$ 5 mil, por exemplo, é estranho. Isso pode cair para um equipe fazer um pente fino”, explica Canabarro.

Para ele, um dos caminhos é criar um padrão para identificar pedidos suspeitos e, a partir daí, envolver pessoas no processo de auditoria dos carrinhos. Para pequenos varejistas, porém, a estratégia é mais complexa, já que a base de dados não é tão grande.

A PagBrasil, empresa de meios de pagamento, percebeu que no ano passado houve ataques bem sucedidos a clientes da companhia. Para minimizar o problema, a empresa criou o Boleto Flash, que tem data de vencimento personalizável e confirmação de pagamento em menos de uma hora.

Com a solução, os varejistas conseguem emitir boletos com vencimento para aquele dia útil com facilidade, o que ajuda a evitar o golpe, já que a Black Friday costuma se estender até a segunda-feira posterior.

Expectativa para a próxima Black Friday

Para Canabarro, da Konduto e Ralf Germer, CEO da PagBrasil, o problema ainda está longe de acabar. Germer, porém, é otimista: ”os varejistas têm consciência e estão usando nossas soluções para evitá-lo”.

Já o cofundador da Konduto explica que ”quem sofre esse tipo de ataque está preparado”. Porém, é preciso que pequenos e médios varejistas fiquem atentos para não se tornarem os próximos alvos.


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