Praga: uma cidade inteligente em 2030 – a reinvenção do espaço público

Consumidor Moderno Experience Summit traz ideias e insights sobre a criação de cidades inteligentes a partir de uma visão inovadora

Foto Unsplash

Todas as grandes cidades do mundo enfrentam o desafio da reinvenção a partir da incorporação das plataformas digitais. No Consumidor Moderno Experience Summit 2019, Alberto Levy trouxe Michal Fisër, responsável pela concepção de Praga como cidade inteligente, para descrever de que forma a belíssima capital da República Checa irá se tornar uma cidade capaz de transformar os problemas derivados do crescimento: mobilidade urbana, cultura, serviços públicos, ocupações, informação e integração do cidadão a um novo modelo urbano.

“Uma qualidade de vida superior em uma cidade próspera, por conta do uso ativo de modernas tecnologias”.

Esse é o objetivo estipulado para o projeto “Praga, cidade inteligente”, conforme explicou o executivo. Para atingir esse objetivo, a estratégia é baseada em seis pilares ou esferas temáticas – mobilidade do futuro, edificações e energia inteligentes, turismo atrativo, pessoas e ambiente urbano, captura de dados e cidade sem desperdício.

cidade inteligente

Alberto Levy e Michal Fisër, responsável pela concepção de Praga como cidade inteligente (Foto Douglas Luccena)


Estes pilares foram baseados na experiência de outras cidades europeias, tais como Londres, Madri e Amsterdã e funcionam como um roadmap de atividades e tarefas que podem ser desenvolvidas para que a cidade torne-se inteligente e mais amigável e eficiente ao mesmo tempo. Essa experiência tem imenso valor para a realidade brasileira, tão carente de boas soluções por um lado e infestada de ações oportunistas e descosturadas da realidade, por outro.
A visão da cidade inteligente passa claramente por assegurar a. tomada de decisões baseadas em dados. E isso significa tornar a cidade habilitada a captar, analisar e utilizar os dados de forma precisa e qualificada. Para isso, a experiência de Praga contemplou a criação da Golemio, a plataforma de dados da cidade, capaz de captar dados de múltiplas fontes, analisá-los e processá-los para facilitar a tomada de decisões das autoridades públicas, permitindo aprimorar os serviços públicos, mobilidade urbana, serviços de saúde, economia de energia, fomento ao empreendedorismo e criação de novos negócios e oportunidades de trabalho e ocupação.
cidade inteligente

Alberto Levy (Foto Douglas Luccena)


Outra iniciativa, Litacka, é um aplicativo para smartphones que permite a compra de ingressos para as diversas atrações e monumentos da cidade diretamente pelo meio digital, com todas as facilidades de agendamento e visitas programadas, o que se enquadra na esfera temática de turismo atrativo.
Outro exemplo de projeto em desenvolvimento é o “Automobility”, que contempla o compartilhamento de automóveis para melhorar a fluidez do trânsito e a redução da poluição gerada pelos veículos. De todo modo, o grande e real desafio é ver esses projetos ganharem tração e adoção pelos cidadãos e pelas instituições.

Foto Unsplash


Certamente, cidades como São Paulo, naturalmente maiores e menos organizadas do que Praga, time projetos que vislumbram um horizonte mais conectado e inteligente. Mas as dificuldades de implementação e de priorização impedem que essas iniciativas ganhem escala e relevo. Pensemos na organização arquitetônica: todas as cidades europeias mantêm uniformidade de design e qualidade na arquitetura. São Paulo é um exercício permanente de esquizofrenia. De que forma é possível levar inteligência para as edificações novas e antigas, que permitam oferecer melhores serviços, captura de dados com privacidade assegurada, uso racional da energia e segurança em uma cidade no Brasil?

Michal Fisër (Foto Douglas Luccena)


Segundo Michal, a cidade de Praga desenvolveu uma metodologia baseada em dados para melhorar a eficiência energética das construções. O projeto começou em seis diferentes locais, desde monumentos históricos até edifícios mais modernos, a partir de uma modelagem clássica de ideação, prototipação e piloto.
Nesse sentido, o Experience Summit convidou os participantes a desenvolverem ideias e projetos que possam “mudar o futuro” a partir do uso qualificado de tecnologias já existentes. As atividades envolveram grupos divididos nas diversas esferas temáticas (pilares) e representaram um valioso aprendizado que fez os executivos presentes refletirem sobre os desafios e possibilidades existentes nas cidades brasileiras. Será possível empregar as competências de nossas lideranças corporativas em favor da reinvenção das cidades?

(Foto Douglas Luccena)



LEIA TAMBÉM

Cidades inteligentes: dados e tecnologia a favor da mobilidade
Políticos discutem inovação e empreendedorismo nas cidades inteligentes do Brasil

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

Vídeos

VEJA MAIS

Revista Consumidor Moderno

VEJA MAIS