Começar do zero ou remodelar o existente: o melhor caminho para a inovação

O objetivo de uma ideia é resolver um problema, mas inovar vai além disso. Foi o que ensinou a designer de negócios Zuzana Maderová no Consumidor Moderno Experience Summit

O que é inovação? E em que situação a inovação mais bem construída revela todo o seu potencial? Todos usam inovação, e as definições variam de pessoa para pessoa. Na visão de Zuzana Maderová, designer de expansão e de negócios da Status Quack, é uma combinação de atenção, lucro e valor para partes interessadas. Esse balanceamento deve sempre ser considerado o núcleo de todo processo inovativo, conforme a executiva apresentou no Consumidor Moderno Experience Summit.
Zuzana citou diversos exemplos, como a Apple que conseguiu extrair valor de um produto rigorosamente comoditizado – os fones de ouvido. A gigante de Cupertino criou novo valor para o consumidor por meio dos ear pods, dando mais liberdade e melhorando a experiência de ouvir e interagir com os smartphones. Mais do que isso, redefiniu uma categoria, trazendo valor para um produto periférico (como aliás, é hábito da empresa).
A fintech Twisto, do mercado checo, também inovou no segmento de meios de pagamento. O Twisto foi desenhado para tornar mais simples a vida dos cidadãos checos, permitindo pagamentos via app em lojas online ou físicas. Combina a facilidade de controle dos recursos com a conveniência de uma carteira digital.
Zuzana destacou também a startup Shipvio, um marketplace para logística, voltado para aumentar o rendimento das companhias de frete. Por meio da plataforma, essas empresas podem utilizar seus veículos de forma mais eficiente, garantindo fretes, por exemplo, no retorno de uma entrega.
Mas quais são os desafios de inovar em corporações, considerando que a maior parte dos lançamentos do mercado advém das startups, via de regra.

O que podemos aprender sobre inovação a partir das fronteiras entre as indústrias e modelos de negócio? Podemos detectar tendências a partir de novas ideias?

INOVAÇÃO

Crédito: Douglas Luccena

Criando ondas de inovação

De acordo com Zuzana, as lideranças e times podem identificar tendências relevantes de tecnologia capazes de criar ondas para uma nova geração de inovação, bem como identificar os protagonistas dessa onda.
A executiva sugere um roadmap para que as corporações possam criar inovação de valor. Esse roadmap compreende questionar as áreas de pesquisa e desenvolvimento e inteligência sobre as novas tendências, criar um business case, procurar por soluções relevantes e destaque no mercado, adquirir/implementar, testar.
A consultoria EY, por exemplo, passou a trabalhar localmente em coworkings para aprender novas técnicas de produção de ideias, apartando o processo de inovação do negócio principal. A Skoda, montadora pertencente ao grupo Volkswagen, fez a mesma coisa com seu laboratório de novas ideias, tornando-o um negócio distinto e separado da companhia.
A inovação digital traz um escopo e um contexto a mais. Esse contexto obriga as empresas a buscar times compostos de pessoas com diferentes talentos para definir diversos objetivos de inovação para gerenciar soluções balanceadas.
É importante construir uma cultura de aprendizado e criatividade, reconhecendo os inovadores e encorajando a diversidade de pensamentos. É necessário também ter os criadores e os executores no mesmo time.
Fica evidenciado que Zuzana é adepta de técnicas clássicas de produção de inovação: abrir a empresa para outras influências, descontaminados da cultura sequencial, linear e ponto a ponto da organização tradicional e incorporar formas mais leves, líquidas e simultâneas de desenvolvimento de negócio, incorporando competências estranhas ou ausentes à empresa absorvida pela cultura e produtos existentes.
A Bolt by O2, empresa do grupo Telefônica que acelera e fomenta negócios, também adotou essa abordagem, ao acelerar startups com habilidades para navegar negócios voltados para tecnologias de última geração como o aproveitamento qualificado do 5G.
Criar uma ideia é mais arte do que ciência, mas a implementação é mais científica que artística. É necessário definir processos e indicadores, testar e aprender para que a ideia ganhe relevo e rendimento.

Crédito: Douglas Luccena

Desafios externos

Aspectos legais, o viés de curto prazo, o desenho competitivo do mercado. Estes são alguns dos obstáculos enfrentados pelas empresas incumbentes para propor inovação. Já as companhias de alto crescimento, por contraste, não se sentem limitadas por estas características que afetam suas competidoras tradicionais. Elas consideram todo o ecossistema, e procuram gerenciar diversos interesses conectados a partir do relacionamentos entre diversos stakeholders.
Dessa forma startups e scale ups criam maiores oportunidades tendo o propósito como guia. Elas se alinham no que chamamos de cenário “desajustado”, onde atores, empresas, desafiam as regras e processos regulares para propor um novo modelo de negócio, remodelando as propostas de valor existentes.

Metodologias para inovar com eficácia

Sempre houve e sempre haverá resistências à mudança, em qualquer empresa. A busca pela mudança, contudo, representa uma nova camisa de força que pode corromper – e não hackear – a essência do negócio.
Prototipar é sempre uma estratégia válida. Testar rápido de forma localizada e com pequena possibilidade de dano, para coletar aprendizados que identifiquem lacunas que possam ser preenchidas, bem como compreender de que forma consumidores e clientes criam expectativas a partir de ofertas diferentes – novos produtos, serviços e propostas de valor. Toda empresa precisa definir um propósito que não conflite com seu objetivo principal de gerar valor para assegurar a perenidade e o crescimento contínuo.


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