Como a acessibilidade está transformando a vida de gamers do mundo inteiro

Dispositivos acessíveis incluem pessoas com deficiência no mundo dos videogames, levando entretenimento, comunicação e autonomia para todos

Jogos de videogame são divertidos, mas, infelizmente, não foram projetados para todos os corpos.
Muitos PcDs (Pessoas com Deficiência) não conseguem utilizar os joysticks padrão, além de outros problemas que podem ser desencadeados com o uso dos botões tradicionais – sintomas de lúpus e dores crônicas, por exemplo, podem ser agravadas com alguns movimentos repetitivos.
Jogos digitais são tecnologias idealizadas para corpos padronizados. Desde os jogos de celular aos modernos Oculus Rift, seus dispositivos foram feitos para pessoas que tocam, enxergam, ouvem, percebem etc, da mesma forma.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 15% da população mundial possui algum tipo de deficiência. É uma enorme parcela da população que não é contemplada por esse meio de entretenimento.
Para resolver este – e outros tantos – problemas dos gamers PcDs, grandes empresas e empreendedores criativos têm buscado alternativas para trazer acessibilidade para todos os perfis.

Quando todo mundo joga, todos nós ganhamos

Em fevereiro deste ano, a Microsoft surpreendeu o mundo ao apresentar, durante o intervalo do Super Bowl, um novo controle de Xbox adaptado para PcDs. A propaganda mostrava a história de algumas crianças que amam games, mas que não conseguem utilizar os controles por conta de suas características físicas. Ao utilizar o Xbox Adaptive Controller conseguiram jogar da mesma forma que seus outros amigos que não acompanhavam as mesmas limitações.
A frase final da campanha representa bem a ideia por trás das tecnologias acessíveis: “Quando todo mundo joga, todos nós ganhamos.”

Posso jogar isso?

Can I Play That? não é exatamente um dispositivo acessível, mas um site especializado em análises e comentários de jogos através da perspectiva de jogadores com deficiência. Os guias presentes no site servem tanto para jogadores descobrirem novos jogos e dispositivos que sejam funcionais, como para desenvolvedores compreenderem melhor as necessidades e buscarem soluções acessíveis para o máximo de pessoas possíveis.
De acordo com Courtney Craven, uma das criadoras do site, a experiência de ser gamer e PcD pode ser muito frustrante, pois as opções disponíveis no mercado são muito limitadas e se esgotam muito rápido. Na maior parte do tempo, entusiastas dos jogos aproveitam algum grande lançamento acessível por algumas semanas, e assim que o jogo termina, a diversão se esvai.
Can I Play That?, então, dá voz aos jogadores com deficiência, para que esta comunidade seja fortalecida e ganhe visibilidade.
Há sessões separadas no site de acordo com diferentes tipos de deficiência: opções básicas de acessibilidade para jogadores com perda auditiva, acessibilidade para questões de mobilidade e acessibilidade para deficiências cognitivas.

acessibilidade

Foto Pixabay

Jogos de última geração para todos

A Blue Tip Gaming é uma fabricante de joysticks acessíveis de Ohio, nos Estados Unidos, que fornece uma enorme gama de dispositivos projetados para PcDs.
Os joysticks são semelhantes aos antigos fliperamas, com botões e direcionadores enormes, que não dependem da manipulação tradicional para serem ativados.
A empresa também desenvolve um interruptor digital de mordida, que pode ser “clicado” com a boca. Todos esses aparelhos são projetados para serem adaptados aos controles dos consoles modernos, para que os jogos de última geração sejam aproveitados por todos.

Acessibilidade para quadriplégicos

Falando em joysticks acionados por boca, a Quadstick é outra empresa estadunidense que desenvolve controles com foco em pessoas quadriplégicas. O seu aparelho acessível permite que usuários joguem jogos complexos em sistemas modernos, como Switch, Xbox One, PC, Android e PS4.
O aparelho é operado através da boca e da voz do jogador, e possui sensores que são ativados através de sopro, sucção e movimentação dos lábios.
O projeto ganhou vida através da plataforma de financiamento coletivo Kickstarter, onde arrecadou mais de US$ 27 mil dos apoiadores.

Jogabilidade com um piscar de olhos

Uma tecnologia acessível que já está disponível no Brasil é o Tobii, um dispositivo de rastreamento ocular que permite que jogadores controlem interfaces digitais através do movimento dos olhos.
A tecnologia não foi desenvolvida exclusivamente para uso por pessoas com deficiência, mas tem trazido excelentes resultados na melhoria da comunicação, autonomia e entretenimento.
É indicado para pessoas com esclerose lateral amiotrófica, lesões e atrofias na medula espinhal, síndrome de Rett e paralisia cerebral.
Mais de 140 jogos já são compatíveis com o Tobii, como Assassin’s Creed, Farcry 5, Final Fantasy XV, Shadow of the Tomb Raider e F1 2019.


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