Facebook busca inspiração na China para lançar Facebook Pay

O que o WeChat Pay e AliPay, carteiras virtuais dos gigantes chineses WeChat e Alibaba, têm em comum com a nova ferramenta da empresa de Mark Zuckerberg?

Foto Pixabay

O Facebook lançou na última semana um novo sistema de pagamentos que permitirá aos usuários enviar dinheiro para empresas e amigos por meio da própria ferramenta e das outras plataformas da empresa, como o WhatsApp, o Instagram e o Messenger. Batizado de Facebook Pay, a funcionalidade é bastante semelhante ao WeChat Pay e AliPay, carteiras virtuais dos gigantes chineses WeChat e Alibaba, que movimentaram US$ 3,23 trilhões em 2018, segundo a iResearch Consulting.
No Facebook Pay, o usuário cadastra uma forma de pagamento, como cartão de crédito, de débito ou PayPal, e pode fazer compras ou transferir dinheiro diretamente pelos aplicativos do Facebook, sem precisar usar novamente o cartão de crédito a cada transação.

“As pessoas já usam pagamentos em nossos aplicativos para fazer compras, doar para causas e enviar dinheiro entre si. O Facebook Pay facilitará essas transações, continuando a garantir que suas informações de pagamento estejam seguras e protegidas”, afirma Deborah Liu, vice-presidente de Marketplace & Commerce do Facebook, em comunicado no site da empresa.
Inicialmente, o Facebook Pay pode ser usado para compras dentro de jogos, compra de ingressos de eventos, transações entre pessoas físicas e compras em páginas páginas de empresas selecionadas do Facebook Marketplace. Com o tempo, a empresa espera ampliar o leque de possibilidades do produto.
Por enquanto, ele funciona nos Estados Unidos e apenas no Facebook e no Messenger. Segundo anúncio da empresa, em breve deve ser ativado nas outras plataformas – Instagram e WhatsApp – e em outros mercados.
facebook pay

Exemplo que vem da China

O lançamento do Facebook Pay é uma tentativa de emplacar no mercado americano inicialmente, e depois em outros países ocidentais, um sistema que já funciona muito bem e há muito tempo com o aplicativo WeChat, da empresa chinesa Tencent.
Com mais de um bilhão de usuários ativos, o WeChat é um “superapp” que contempla mensagens instantâneas, rede social, feed de notícias, loja, carteira virtual, serviços de entregas e de carros compartilhados, dentre muitas outras funcionalidades.
A maior receita do WeChat vem do WeChat Pay, a funcionalidade de fazer pagamentos e transações financeiras sem sair do aplicativo. Lançado em 2014, o método de pagamento é tão popular que pode ser usado em praticamente todos os segmentos da economia chinesa – de estabelecimentos de luxo à ambulantes na rua.
De acordo com a Business Insider, cerca de 900 milhões de pessoas usam o WeChat Pay mensalmente. Seu concorrente, o AliPay, do Alibaba, tem cerca de 500 milhões de usuários mensais. Para efeito de comparação, o Apple Pay tinha 383 milhões de usuários no mundo todo em 2018, segundo o site Apple Insider.
Atualmente, o WeChat Pay já atravessou as fronteiras da China e, segundo o China Daily, é usado por estabelecimentos comerciais em 49 países, incluindo Japão, Estados Unidos, França e Alemanha – todos de olho no consumo de turistas e cidadãos chineses pelo mundo.

Desafios para o Facebook

Embora os números do WeChat Pay na China impressionem, o Facebook não terá tarefa fácil para conseguir consolidar seu sistema da mesma forma.
Ao contrário do WeChat Pay, que opera predominantemente em apenas um país e com uma economia centralizada, o Facebook terá o desafio de atuar no sistema financeiro de dezenas de países, cada um com uma regulamentação bancária diferente.
Além disso, a empresa terá de convencer seus usuários a confiar em seus mecanismos de privacidade para inserir dados tão sensíveis como os financeiros.
Nos últimos anos, a empresa foi acusada de ter fornecido dados pessoais de milhões de usuários a terceiros e de ter sido usada para disseminar informações falsas que impactaram nas eleições de 2016 nos Estados Unidos.
Com tantos escândalos em um curto período, a reputação do Facebook nunca esteve tão baixa, segundo relatório do Reputation Institute, um instituto de pesquisa presente em mais de 30 países que avalia a reputação das maiores empresas do mundo.


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