Grandes varejistas fazem testes para a Black Friday

Empresas preparam seus e-commerces para receber um fluxo maior que o normal. Testes revelam o tamanho do investimento necessário em infraestrutura

Foto: Unsplash

Além de preços competitivos, incentivos como frete grátis e boa divulgação, os varejistas ainda precisam oferecer um site com estrutura para aguentar um fluxo maior durante a Black Friday. Por isso, grandes varejistas estão submetendo seus e-commerces a testes de carga e estresse para garantir que as páginas não caiam durante a sexta.

Como funciona

“Os testes de carga e estresse simulam o comportamento de um produto digital quando ele é acessado por milhares de usuários ao mesmo tempo”, explica Bruno Abreu, CEO da Sofist, empresa especialista em prevenção e redução de problemas em produtos digitais.

Segundo Abreu, para saber como se preparar para grandes eventos, como a Black Friday, é preciso ter dados confiáveis para embasar a tomada de decisões como contratação de mais servidores ou realizações de ajustes na arquitetura do site.

Testes na Netshoes

Na varejista de artigos esportivos, o objetivo dos testes foi verificar o comportamento do portal quando submetido a uma carga máxima de 150 mil usuários simultâneos.

Os times de infraestrutura e de arquitetura da Netshoes participaram da ação. Estes testes mostraram lacunas que ajudaram a melhorar a performance do e-commerce, explica Diego Peroni, Diretor de TI da Netshoes.

A empresa já tem uma equipe de infraestrutura que realiza testes de carga usando um software que emula a navegação na loja. Mas ele não é tão eficiente na geração de insights sobre o dimensionamento da infraestrutura do e-commerce, segundo a empresa.

“Com nosso recurso interno é possível saber qual parte do sistema não está performando, mas não conseguimos saber, por exemplo, quantos usuários simultâneos estão no site”, diz Peroni.

A empresa realizou o teste com uma companhia especializada para descobrir o tamanho da infraestrutura necessária para receber uma quantidade de usuários simultâneos.

“Além da verificação da carga, os testes apontaram oportunidades de melhoria no carregamento dos banners da homepage, descobriram que algumas ações no site geravam uma superutilização de recursos do servidor, além de observar gaps no processo de autenticação”, comenta Bruno Abreu.

Testes na Arezzo

A Arezzo espera um crescimento de até 10 vezes no fluxo nos sete e-commerces da empresa. Para fazer o teste de estresse, a varejista faz um mapeamento dos principais processos a serem testados.

“Depois os executamos manualmente a fim de gerar o script automatizado. Posteriormente executamos duas baterias de teste, com um intervalo entre elas para coleta de feedbacks e ações de melhorias. Ao fim do processo é gerado um relatório de desempenho do site”, explica Ricardo Sousa Pinho, gerente de Operações E-commerce da Arezzo

O resultado dos testes mostrou a necessidade de investir em infraestrutura. “Para a Black Friday fizemos um ‘upsizing’ dos nossos servidores. Neste ano também focamos no nosso aplicativo, que garantirá uma parte significativa dos acessos”.

Testes em pagamentos

Na Cybersource, empresa da Visa que oferece soluções em pagamentos, a preparação para a Black Friday começa seis meses antes da data. Durante o ano, a empresa faz testes de estresse para checar se é possível suportar pelo menos o dobro do número de transações esperadas.

O braço antifraude da empresa demanda muita atenção da empresa. A Cybersource começou a contratar profissionais que fazem a revisão de transações com meses de antecedência. Hoje a equipe já tem mais de 200 pessoas que tiveram 200 horas de treinamento para realizar as revisões.

“Na Black Friday a quantidade de fraudes aumenta, mas não na mesma proporção de pedidos bons”, afirma Gustavo de Carvalho, diretor de Vendas da CyberSource, que explica que a revisão manual é necessária para não cancelar pedidos bons e para analisar comportamentos que fogem do padrão.

Na Black Friday um consumidor pode se comportar de modo completamente diferente do restante do ano. Além disso, as campanhas promovidas pelos varejistas também fogem do habitual, o que dificulta a vigilância contra fraudes. Por isso, Carvalho alerta para a necessidade de alinhar a estratégia antifraude com as campanhas que serão promovidas.


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