Conheça a história de 5 CEOs de grandes varejistas

Quem são os nomes por trás das principais redes de varejo do país? Lista reúne executivos de empresas como Carrefour e Riachuelo

Quando se pensa no varejo brasileiro que nomes te vêm à cabeça? Juntas, essas empresas elencam a lista das maiores redes do segmento no país. Abaixo, reunimos a história de 5 CEOs por trás dessas organizações, que também estão entre os grandes nomes da década da Consumidor Moderno. Veja a lista e saiba mais sobre eles:

ALBERTO SARAIVA – HABIB’S

Ceos

DO ESTETOSCÓPIO ÀS ESFIHAS

O que um médico e uma rede de fast-food têm em comum? Quem compra em uma das mais de 420 lojas do Habib’s no País talvez não imagine que a história da marca tenha começado em uma padaria de bairro no início dos anos 70. E que o cérebro por trás de uma das maiores redes brasileiras saiu do interior do Paraná para estudar medicina em São Paulo. No fim, trocou os estetoscópio por rolos de massa e quilos de farinha. “Cresci com o sonho de ser médico ao mesmo tempo em que aprendia a ser comerciante com meu pai, que vendia doces no interior do Paraná”, relembra Alberto Saraiva, CEO do Habib’s.

Foi na capital paulista que o patriarca da família Saraiva decidiu comprar uma padaria. No entanto, 19 dias após a abertura, um assalto tirou a vida do comerciante e foi Alberto quem precisou assumir o negócio. “Herdei a padaria – a pior do mundo – com equipamentos da Arca de Noé, funcionários problemáticos e cercada por outras cinco padarias. Ninguém chegava na minha sem passar pelas outras”.

O segredo para atrair o público foi o mesmo que fez do Habib’s uma das maiores franquias do País: apostar nos preços abaixo do mercado. Na época, ele cobrava 30% a menos no pãozinho e a cada dez o cliente ganhava mais dois. A máxima atraiu padeiros da região que passaram a formar filas para adquirir o produto o qual, depois, seria revendido em bares e restaurantes. “Daí nasceu o conceito comercial que me acompanha até hoje: oferecer mais cobrando menos”, explica Saraiva. Foi com esse modelo de negócio que inaugurou, na sequência, uma pastelaria, a Casa do Pastel. Mais uma vez, casa cheia e filas na porta.

O negócio deu tão certo que foi o ponto de partida para outros empreendimentos, como a Casa do Gnocchi, a Casa da Fogazza e até um rodízio de pizza – vendido antes mesmo de começar a operar. E foi através do chef Paulo Abud, que procurava emprego, que Saraiva decidiu lançar uma nova aposta: um restaurante especializado em comida árabe. “Abri a primeira loja Habib’s e tive 40 dias de filas na porta”, relembra o empresário, que trazia ainda no cardápio, além das famosas esfihas, pastéis, chope e pizzas. O fim dessa história todo mundo conhece.

Hoje, depois de quatro anos como presidente do Grupo e aos 66 anos, Alberto Saraiva assumiu novamente o posto de CEO. Com apenas duas semanas no cargo, conseguiu baixar novamente o preço dos produtos. “A missão é transformar a rede na melhor e mais amada do Brasil, modernizá-la e trazê-la para o mundo digital”.


FLÁVIO ROCHA – RIACHUELO

O SENTIDO DA FELICIDADE

Flávio Rocha foi o comandante máximo do Grupo Guararapes, um dos 15 maiores empregadores do País, na última década. Em 2018, ano em que foi pré-candidato à Presidência do Brasil, venceu o Prêmio Consumidor Moderno como CEO do Ano. Casado e pai de quatro filhos, hoje preside o Conselho de Administração do conglomerado integrado por Lojas Riachuelo, Confecções Guararapes, Midway Financeira, Transportadora Casa Verde e Shopping Midway Mall.

Todos os títulos atribuídos a Rocha carregam implicitamente o nome do pai, Nevaldo Rocha, potiguar que criou o Grupo Guararapes, na metade do século passado e maior inspiração da vida do empresário.

Inspirado pelo livro “Capitalismo Consciente”, de Rajendra Sisodia e John Mackey, Flávio aponta o propósito de uma empresa como o guia de qualquer forma de negócio. O executivo afirma ter encontrado na obra um propósito não só para a própria empresa, mas também para seus clientes, fornecedores, colaboradores, investidores e para o meio ambiente.

Para ele, uma empresa que busca somente o lucro é como alguém que vive apenas para comer. “A empresa precisa ser lucrativa para ser sustentável, mas ela não vive de lucro; ela vive de um propósito”, afirma. O propósito da Riachuelo e de seus 40 mil colaboradores, segundo Rocha, é democratizar o acesso à moda “como forma de mudar para melhor a vida das pessoas”.

Na política, Flávio Rocha foi membro da Assembleia Nacional Constituinte, sua grande inspiração para iniciar carreira no legislativo, e cumpriu dois mandatos como Deputado Federal, de 1986, quando tinha apenas 28 anos, a 1995. Em 2018, foi pré-candidato à Presidência da República, mas decidiu não concorrer ao pleito por entender que o cargo de chefe do Poder Executivo não deveria ser um projeto pessoal.

Na Riachuelo, empresa mais famosa do Grupo que presidiu, o empresário conduziu o processo de transformação digital e integração dos setores, desde a cadeia de produção, nas fábricas, até as vendas nas mais de 300 lojas espalhadas pelo País.

Cristão, Flávio ainda reforça sua vida espiritual como parte fundamental de sua jornada na última década. “Eu teria evitado muitos conflitos internos e pessoais com essa descoberta de que Deus sempre tem as respostas para as perguntas. Busque o seu lado espiritual e se aproxime de Deus que ele vai lhe poupar de muitos conflitos internos”, recomenda.


MANUEL CORREA – SAINT GOBAIN

AS LIÇÕES DE UMA GESTÃO EMPÁTICA

Formado em Inovação de Mercado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), mestre em Ciência com foco em engenharia pela USP e UNESP e especialização em varejo por Harvard, Manuel Correa não foi bem-sucedido apenas em solo acadêmico. No começo dos anos 2000, estreou na carreira executiva como diretor da Saint-Gobain na Ásia. Morou por três anos na China. Em 2007, voltou ao Brasil para assumir o cargo de diretor-geral da companhia para o Brasil e a Argentina.

O conhecimento em diferentes territórios da companhia foi, segundo ele próprio, o que ajudou a moldar seu perfil em inovação e gestão. Em 2010, ele se tornou diretor-geral da Telhanorte no Brasil (pertencente ao grupo francês Saint-Gobain desde 2000). Em 2017, ocupou a presidência do Grupo e, no ano passado, mudou-se para Massachusetts para um novo desafio: ser gerente-geral do Grupo para a América do Norte. “Hoje sou um profissional que migrou da indústria para o varejo e que aprendeu muito sobre gestão e gente”, declara.

Durante sua gestão, a Telhanorte tornou-se uma das maiores redes varejistas de material de construção do País. Em 2013, lançou seu e?commerce e o projeto “Telhanorte Experience”, que coloca os clientes no centro da estratégia ao melhorar a experiência de compra. Em 2014, consagrou-se como uma das primeiras varejistas a lançar o Click and Collect. Este ano, mais uma novidade: o anúncio de um novo formato de lojas – a Telhanorte Já, focada em bairros. “Um dos maiores desafios da minha carreira foi saber lidar com o conflito entre a visão de longo prazo e a pressão de resultados em curto prazo”, revela.

Correa também ajudou o Grupo a colecionar reconhecimentos como o Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente nos anos de 2017, 2018 e 2019. Este ano, a empresa também levou, pelo oitavo ano seguido, o título de Empresa mais Inovadora do mundo pelo ranking Top 100 Global Innovators, da Clarivate Analytics. Para Correa, o segredo do sucesso está nas pessoas. “Elas representam 99% do sucesso de uma empresa”, diz ele.


ARTUR GRYNBAUM – GRUPO BOTICÁRIO

PAIXÃO PELO VAREJO

Juntos, O Boticário, Eudora, quem disse, berenice? e The Beauty Box estão presentes em mais de 4 mil pontos de venda próprios, em 1.750 cidades brasileiras, com e?commerce e venda direta. Os produtos da empresa chegam a outros 12 países. No comando da empresa está o curitibano Artur Grynbaum. Administrador, economista, torcedor do Coritiba e apaixonado pelo varejo, o executivo começou a trabalhar ainda jovem, em uma loja do tio e do pai no centro de Curitiba.

Foi no negócio da família que o executivo teve seu primeiro contato direto com os clientes do varejo. Lá, aprendeu sobre respeito nas relações com as pessoas, os parceiros e com o meio ambiente, valores que carrega até hoje e aplica em seu trabalho no Boticário. A grande inspiração para os negócios é seu pai: “ele me ensinou que, para ter sucesso no varejo, é preciso estar presente no ponto de venda e gastar sola para ir atrás de inovação, informações e estar com o consumidor em seu habitat natural”.

Entre as conquistas de Artur no comando do Grupo estão cinco vitórias no Prêmio Consumidor Moderno, quatro na categoria Cosméticos (2010, 2011, 2015 e 2016) e uma como empresa do ano, em 2016. A gestão de Grynbaum começou em 2002. De lá para cá, o faturamento da empresa já cresceu mais de 34 vezes.

A preocupação com os parceiros que preserva desde sua primeira experiência profissional vem surtindo efeito. O Boticário é hoje a maior rede varejista em número de lojas do Brasil, com mais de 4 mil unidades. Para alcançar a marca, a empresa apostou no modelo de franquias. Segundo a marca, os franqueados e revendedores da rede têm índice de satisfação entre 85% e 90%.

Para ele, os últimos dez anos marcaram mudanças, mas sua essência permanece. “Sou a mesma pessoa, continuo curioso e buscando aprender muito. Um pouco mais de cabelos brancos, claro, que ajudam a ter mais vivência e experiência para variados temas. E tenho mais dois filhotes no colo”, brinca.


NOEL PRIOUX – CARREFOUR

A TRANSFORMAÇÃO DO CARREFOUR

Quando Charles André Pierre Desmartis renunciou ao cargo de diretor-presidente do Carrefour Brasil, em setembro de 2017, o Conselho de Administração elegeu, às pressas, o francês Noël Prioux para a função. Os resultados que se sucederam à troca agradaram os acionistas. Naquele ano, o Carrefour atingiu lucro anual recorde no País de R$ 1,6 bilhão. Desde 1984 na companhia, Prioux tem construído uma carreira sólida, passando por diversos cargos de liderança em países como França, Turquia, Colômbia e Espanha. Em junho de 2011, tornou-se diretor-executivo da operação francesa. “Cada novo passo que temos dado constata que o Carrefour Brasil tem toda a expertise para construir uma oferta de serviços completa e inovadora”, diz Prioux. Este ano, ele assumiu interinamente o cargo de CEO da operação de varejo do Carrefour Brasil.

Sob seu comando, a companhia lançou mão de uma estratégia de transformação chamada Carrefour 2022, que se baseia em três pilares de negócio: expansão, transformação digital e transição alimentar. Prioux também tem inserido aos poucos o trabalho por squads – o Banco Carrefour já atua dessa forma – e reforçado a aposta em um ecossistema que contemple uma alimentação saudável e de qualidade para o consumidor. Prova disso são as aquisições dos portais de culinária e bem-estar CyberCook, Vila Mulher e Mais Equilíbrio.

A companhia adquiriu, ainda, 49% da fintech Ewally, especializada em serviços financeiros digitais; e firmou parcerias com a startup Propz, para entregar cada vez mais personalização aos mais de 15 milhões de clientes do programa “Meu Carrefour”. “Temos ampliado a nossa atuação no Brasil, além de investir na renovação de hipermercados e em parcerias regionais, como a que firmamos com o Super Nosso, em Minas Gerais”, afirma Prioux.

A gestão exemplar também impulsiona a empresa na Bolsa de Valores. Em setembro de 2017, o Carrefour Brasil realizou sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), em uma operação que movimentou R$ 5,1 bilhões, a maior no País desde 2013. Desde sua estreia, a ação valorizou quase 30%. “Temos registrado um excelente desempenho, com forte crescimento em receita, que é resultado de uma bem-sucedida estratégia omnichannel, que inclui iniciativas comerciais, forte expansão do Atacadão e desenvolvimento do nosso e-commerce”, diz Prioux.


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