Plano para “salvar a internet” pressiona empresas e governos

Tim Berners-Lee, “pai da web”, afirma que a internet não está cumprindo seu propósito original

É inegável que o surgimento da internet foi um avanço tecnológico que transformou o mundo para melhor, mudou a vida de bilhões de pessoas e abriu oportunidades de desenvolvimento humano inesgotáveis. Mas tal qual um pai preocupado com o futuro do filho, Tim Berners-Lee, reconhecido como o criador da World Wide Web, lançou recentemente um plano para “salvar a internet”.

O plano de Berners-Lee tem razão de existir. Em artigo publicado no fim de novembro no The New York Times, o “pai” da internet diz que ela foi criada para servir à humanidade na troca livre de conhecimentos e na promoção de conexão entre as pessoas. “No entanto, a realidade é muito mais complexa”, diz Berners-Lee.

“Comunidades estão sendo destruídas à medida em que preconceito, ódio e desinformação são espalhados online. Golpistas usam a web para roubar identidades, stalkers a usam para assediar e intimidar suas vítimas, e maus atores subvertem a democracia usando táticas digitais inteligentes”, diz o artigo.

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Por conta deste cenário, Berners-Lee acredita que é necessário haver uma intervenção radical por parte governos, empresas e sociedade civil.

“A forma como reagimos a esse abuso determinará se a internet cumpre sua função como força global para o bem ou nos leva a uma distopia digital”, diz o cientista.

Para pressionar por mudanças, Berners-Lee lançou a iniciativa Contract For The Web (“Contrato para a web”, em tradução literal), um conjunto de princípios que devem ser adotados por governos, empresas e sociedade civil para a preservação da promessa inicial da internet.

Nove princípios fundamentais para salvar a internet

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Tim Berners-Lee

O “Contrato para a web” traz 9 princípios fundamentais, desdobrados em 76 cláusulas, direcionados para governos, empresas e cidadãos.

O documento foi desenvolvido com membros de mais de 80 organizações, representando governos, empresas e sociedade civil.

Os três primeiros princípios são endereçados aos governos e pedem a garantia de que todos possam se conectar à internet, que o acesso não seja deliberadamente negado e que a privacidade e os dados das pessoas sejam protegidos.

Para as empresas, o “Contrato para a web” apresenta outros três princípios que exigem internet com preços acessíveis a todos, respeito à privacidade dos consumidores, e o desenvolvimento de tecnologias que apoiem o melhor da humanidade.

Por fim, para os cidadãos, o manifesto incentiva a criação e a colaboração online, a construção de comunidades fortes, que respeitem a dignidade humana, e pede que os cidadãos lutem para que a web continue aberta a todos, agora e no futuro.

Pressão em empresas e governos

Embora não tenha valor legal e poucos efeitos práticos até o momento, o plano de Berners-Lee deve servir como fonte para embasar decisões políticas, como guia de boas práticas para funcionários do governo e como ferramenta para ajudar a sociedade civil a se mobilizar para cobrar mais transparência por parte das empresas.

Até o momento, três países (Alemanha, França e Gana) e mais de 150 empresas dos mais variados portes e ramos de atuação já anunciaram apoio público à iniciativa, incluindo os pesos pesados Microsoft, Facebook e Google.

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“Ao endossar o ‘Contrato para a web’, governos e empresas comprometem-se a tomar medidas concretas em várias questões.

Algumas mudanças podem levar um longo tempo: não estamos esperando uma transformação de um dia para o outro. Mas acompanharemos seus esforços e, se eles não progredirem, perderão seu status de patrocinadores do projeto”, explica Berners-Lee no artigo para o The New York Times.


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