Irã e EUA: como o conflito político partiu para a internet

Saiba como o principal conflito do mundo foi além do combate físico e se tornou também uma relação online

As redes sociais são um grande palco para as tensões recentes entre Estados Unidos e Irã. O presidente americano Donald Trump discorreu sobre suas principais ameaças, ataques e comunicados no Twitter. Não à toa formou-se uma situação inédita nos tempos recentes: um conflito militar oficializado nas redes sociais.

Irã vs EUA

Após o assassinato do líder iraniano Qassem Solemani, as pesquisas da palavra Irã aumentaram em mais de 100% no Google. Comentários e publicações tomaram as redes sociais: mais de 2,5 milhões de pessoas seguiram os perfis de Donald Trump, Barack Obama, da Casa Branca e do presidente iraniano Hasssan Rouhani, com o objetivo de acompanhar os últimos acontecimentos.

Até 8 de janeiro, às 16h46 (horário de Brasília), a hashtag “#IranvsUSA” trazia 1,3 milhões de menções no Twitter. Já no Instagram brasileiro,o conflito é o segundo assunto com mais publicações nesta semana.

 

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Iran launched more than a dozen missiles at two Iraqi bases that hold US troops in what appears to be retaliation for the American airstrike that killed a top Iranian general last week, the Pentagon said. A US official told CNN that there were no initial reports of any US deaths or injuries, but an assessment of the impact of the strikes was still underway. Tap the link in our bio for the latest in this developing story.

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As principais autoridades dos dois países e outras figuras expressivas na política mundial têm comentado o conflito em seus canais digitais. A mídia também tem focado sua cobertura massiva em tempo real no online.

Relações diplomáticas via Twitter

Uma promessa de retaliação aos Estados Unidos por parte do Ministério de Relação Exteriores do Irã, ao invés de seguir um comunicado oficial, foi comunicada pela conta oficial do Twitter.

Tanto Trump quanto Rouhani também trocaram farpas na rede social e indiretamente reagiam aos comentários de ambas as partes em tempo real. Esse é um olhar nunca antes visto na história sob os conflitos políticos. A narrativa das negociações políticas sempre foi contada com um tom de confidencialidade. E, por mais que não saibamos o que rola por trás dos tweets, vemos consumado no digital um contato imediato e direto entre os países.

Uma guerra que pode ser cibernética

Mas se engana quem pensa que a batalha cibernética entre Estados Unidos e Irã para nas redes sociais. Na manhã desta quarta-feira (8), a conta oficial da Cidade de Las Vegas no Twitter alertou publicamente que havia sofrido um hack completo em seus servidores e serviços online. Não há confirmação da origem, mas o timing é estranho.

Para te situar nessa parte da história, é importante compreender que tanto Irã quanto Estados Unidos contam com um aparato cibernético e tecnológico extremamente massivo. A NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos), por exemplo, comandou nos últimos anos a Operação Glowing Symphony, um ataque de grandes proporções ao grupo terrorista Estado Islâmico.

A Glowing Symphony foi um ultimato sobre a demonstração de poder cibernético dos EUA: todos os sites do ISIS foram derrubados, servidores, arquivos e diversas partições foram deletadas permanentemente. Contas do Paypal e de criptomoeda também foram tomadas e todo esse dinheiro foi perdido. No fim, diversas entidades do grupo terrorista tiveram seu fim após uma constante série de ataques insistentes que tomaram a credibilidade de boa parte da comunicação global do Estado Islâmico.

Já o Irã possui uma horda de hackers militares que estão preparados para o ataque. Segundo Peter Singer, um especialista em cibersegurança estratégica na The New American Foundation em recente entrevista ao portal Wired “as forças iranianas não são iguais as dos Estados Unidos, mas têm a capacidade de causar sérios danos, especialmente sem a preocupação de atribuição, a qual agora eles com certeza querem”, revela.

O mundo na velocidade de um post

Um hacker famoso no Twitter que atende pela alcunha de Elliot Alderson (famoso protagonista da série sobre hack Mr. Robot) decidiu monitorar e expor pessoas com pensamentos extremistas de diversas hashtags relacionadas à problemática:

O hacker em questão já conseguiu penetrar diversas contas de órgãos federais dos Estados Unidos, além de recentemente ter encontrado falhas no sistema de segurança social da Índia. Classificado como um pentester (monitor de vulnerabilidades digitais), seu objetivo é a busca por vulnerabilidade em sistemas de terceiros para que essas entidades possam corrigir o problema.

O jornalista e pesquisador investigativo iraniano Reza Marashi também trouxe revelações em primeira mão de uma conversa com oficiais do governo americano sobre o cenário do conflito. Aqui denotamos que o material trazido por ele não figura em nenhum veículo midiático. Apenas em sua rede social.

Poderia essa ser uma nova era onde acordos diplomáticos e ameaças militares acontecem em tempo real, aos olhos do mundo, nas redes sociais? O que vemos é a exposição direta de informações antes secretas sendo escrachadas aos bilhões de usuários da internet em volta do globo. E você? Já parou para pensar em como consumia notícias há 10 anos? Hoje, pelo visto, basta um clique na hashtag e o envio de um tweet para selar ou perturbar a paz mundial.

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