“Cidade de 15 minutos” pode revolucionar planejamento urbano das metrópoles

Projeto da prefeita de Paris busca aproximar as pessoas de seus locais de trabalho e reduzir uso do carro

Quanto tempo você leva de casa ao trabalho? E do trabalho até uma área de lazer ou comércio? Se você mora em grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, esses trajetos podem levar muitos minutos ou até horas e normalmente são feitos de carro ou ônibus. Em Paris, uma proposta radical da prefeita, Anne Hidalgo, tem como objetivo transformar a capital da França em uma “CIDADE DE 15 MINUTOS”, ou seja, uma cidade em que o cidadão levaria apenas 15 minutos de bicicleta ou a pé para chegar ao seu trabalho, casa e equipamentos de lazer.

A ideia por trás da “cidade de 15 minutos” é que a população esteja mais integrada aos seus bairros e possa comer, cuidar de si mesmo, se divertir, fazer atividades físicas, mas também trabalhar a apenas 15 minutos de sua casa. A pé ou de bicicleta, é claro, para reduzir a emissão de poluentes na cidade.

“O que é uma ‘cidade de 15 minutos’? É a cidade dos bairros onde você encontra tudo o que precisa dentro de 15 minutos de casa. Essa é a condição para a transformação ecológica da cidade, melhorando o dia a dia dos parisienses”, explicou a atual prefeita Anne Hidalgo, que busca a reeleição nas eleições de março deste ano.

planejamento urbano

Mudanças na cidade

A espinha dorsal do plano de Anne Hidalgo é a implantação em larga escala de ciclovias em todas as ruas de Paris, algo que já vem sendo feito durante seu atual mandato. Além das ruas 100% amigáveis à bicicleta, o plano também prevê a remoção de espaços para carros, como vagas na rua e faixas de rodagem, para a ampliação de calçadas para pedestres.

A proposta também inclui tornar as principais vias de Paris inacessíveis aos carros, transformando avenidas e rotatórias em praças para pedestres, como foi feito com a região da Times Square, em Nova York.

Apesar de Paris ser uma cidade bem planejada, com bairros cheios de vida, a proposta de transformação urbana de Hidalgo vai demandar mudanças na configuração de locais já existentes. Parte do plano é abrir escolas e faculdades, que seriam o “coração dos bairros”, para realização de serviços e lazer aos fins de semana. Praças e parques poderiam virar playgrounds para crianças e locais com pequenos quiosques onde muitos serviços podem ser encontrados.

A importância do home office

Fazer com que bairros tenham mais parques e serviços públicos pode ser tarefa relativamente fácil, porque depende exclusivamente das ações do poder público. O desafio do plano da “cidade de 15 minutos” é fazer com que as pessoas trabalhem perto de suas casas.

Parte do plano prevê a construção de escritórios e espaços de coworking em vizinhanças que não tenham essa estrutura, mas isso não é suficiente. O grande obstáculo, segundo o site da FastCompany, que detalhou os planos da prefeita, será convencer as empresas da cidade a permitirem que seus trabalhadores tenham direito ao trabalho remoto ou home office, com horários flexíveis. (Falamos sobre essa tendência por aqui. Clique para ler)

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Uma nova forma de ver o urbanismo

Na origem do conceito de “cidade de quinze minutos” está o urbanista Carlos Moreno, professor da universidade de Sorbonne, que está dando consultoria a Anne Hidalgo no plano. O conceito da “cidade de 15 minutos” baseia-se na ideia de Moreno de “crono-urbanismo”, ou de ter comodidades, empregos e compras perto de casa. Isso significa “mudar nossa relação com o tempo, essencialmente o tempo relacionado à mobilidade”, diz Moreno.

Durante o anúncio do plano, Moreno explicou que quer mudar a visão que as pessoas têm das cidades. “Vivemos em cidades fragmentadas, onde frequentemente trabalhamos longe de onde moramos, onde não conhecemos nossos vizinhos, onde estamos sozinhos, onde sofremos”, disse o pesquisador.

Segundo Moreno, citado pela Forbes, o planejamento das cidades “ainda é movido pelo paradigma da era do petróleo mas a era dos carros onipresentes está chegando ao fim”.

De acordo com o pesquisador, as cidades mais densas e mais populosas do futuro, e não apenas Paris, precisarão “transformar ruas em espaços livre da emissão de carbono, com mobilidade a pé ou de bicicleta”.

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