Novo chatbot do Google pode aprimorar interações entre máquina e humanos

Treinado com mais de 40 bilhões de palavras, Meena consegue manter diálogos sobre assuntos variados

Foto: Unsplash

O grande objetivo dos desenvolvedores de chatbots é fazer com que suas criações consigam conversar naturalmente, como se fossem uma pessoa, mantendo interações prolongadas sobre vários assuntos. O Google investe pesado no assunto e anunciou recentemente o lançamento do Meena, chatbot mais avançado do mercado e que pode transformar o cenário dos assistentes de inteligência artificial.

Atualmente, chatbots são muito úteis para dar respostas a perguntas de baixa complexidade e com resultados exatos. Se você perguntar quanto foi o jogo do Corinthians no fim de semana, o chatbot certamente irá mostrar o resultado correto, porque o sistema busca essa informação em dados estruturados na internet. Mas se, em seguida, você perguntar se o time jogou bem, é bem provável que o chatbot não consiga responder com precisão.

O Meena, por outro lado, foi construído para responder mensagens das pessoas, permanecer dialogando sobre o assunto e se comportar o mais parecido possível com um ser humano.

Ele é um chatbot que usa uma rede neural de conversação com 2,6 bilhões de parâmetros de conversas já catalogados. As redes neurais são compostas por vários “nós” interconectados, numa estrutura semelhante ao sistema nervoso humano, e aprendem por meio da atualização e ampliação desses laços e interconexões.

A equipe de pesquisadores treinou o modelo de inteligência artificial com 40 bilhões de palavras, o equivalente a 341 GB de dados de texto, retiradas de conversas abertas em redes sociais. Com isso, os diálogos gerados pelo Meena são mais naturais e podem ser usados para contextualizar qualquer assunto.

Testando o Meena

Para testar se o Meena de fato é um chatbot capaz de fazer tudo o que foi prometido, o Google desenvolveu uma nova métrica chamada SSA (Sensibleness and Specificity Average), que registra atributos importantes para conversas naturais: se cada interação faz sentido no contexto geral e se a resposta é específica ao que foi dito anteriormente.

Por exemplo, se o usuário fala para o chatbot a frase “eu gosto de churrasco” e ele responder “eu também”, significa que a resposta está adequada ao contexto. A maioria dos chatbots faz isso sem problemas. Mas se a resposta for “Eu também. Minha carne preferida é a picanha mal passada”, a resposta foi adequada ao contexto e específica ao que foi dito anteriormente. Essa tarefa é bem mais complexa para os chatbots atualmente.

Nos testes realizados pelo Google, o Meena teve uma taxa de acerto na métrica SSA de 79%. Humanos que participaram do teste tiveram uma taxa de acerto de 86%. Outros chatbots testados pela empresa ficaram com taxas de acerto entre 31% e 56%.

Previsão de lançamento indefinida

Apesar de o anúncio parecer promissor, ainda deve demorar para que o Meena seja lançado ao público para uso geral. Por enquanto, ele ainda é um projeto desenvolvido no laboratório de inteligência artificial do Google, e os primeiros estudos lançados pelos cientistas ainda não foram revisados por pesquisadores independentes.

Os pesquisadores do Google afirmam que o lançamento de uma versão de demonstração do sistema só será feita após muitos testes para garantir que a inteligência artificial por trás do chatbot seja confiável, segura e não tenha viés em suas respostas.

Segundo o Google, o Meena tem usos práticos que vão além dos chatbots. O sistema pode ser usado para humanizar ainda mais as interações com os computadores, melhorar a prática de idiomas estrangeiros e criar personagens interativos de filmes e videogames.

Tendências de chatbots para 2020 que transformarão a experiência do cliente
Chatbots são ferramentas importantes para reduzir custo e aumentar retenção de clientes
“Todo chatbot precisa de uma mãe”. O que isso quer dizer?






ASSINE NOSSA NEWSLETTER

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

CM 256: Os vencedores do Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente

CM 255: Tudo o que você precisa saber sobre o consumidor na pandemia

Você já conhece as Identidades do consumidor?

VEJA MAIS