O TikTok já está no seu celular? É melhor pensar duas vezes!

Conversamos com uma expert na cobertura de tecnologia para entender melhor que riscos o app traz ao usuário

Você está no TikTok? Se ainda não tem perfil na rede social é bem possível que esteja “por fora” do app do momento no mundo. Em setembro de 2019, o aplicativo de origem chinesa bateu uma marca impensável: chegou a 1,5 bilhões de downloads globalmente, se tornando o terceiro mais baixado de acordo com relatório da plataforma de tecnologia SensorTower Analytics do final de 2019. Seus criadores apenas celebram o crescimento exponencial e por dois motivos – enquanto redes como o Facebook, por exemplo, estão em franco declínio, o TikTok caiu no gosto da Geração Z e também tem enorme público infantil.

“É uma rede social fácil de manusear e o vídeo é algo muito popular”, explica Cláudia Bredarioli, professora do curso de Jornalismo da ESPM e também Doutora em Comunicação pela ECA-USP, que tem grande experiência na cobertura da área de cobertura de tecnologia.

Conversamos com Cláudia para saber mais sobre o app porque, olha só, nem tudo é festa na terra desconhecida do TikTok. Acusado de ser pouco transparente no que se refere a forma como trata os dados de seus usuários – e após ter seu uso proibido pelo Exército norte-americano, que não quer seus integrantes rastreados por deixarem informações na plataforma – começam a surgir perguntas sobre o que está por trás de seu funcionamento. Afinal de contas, seu uso é seguro? Existe mesmo brecha de segurança? Para onde vão as informações postadas?

As respostas parecem longe de serem definitivas e, por isso, é preciso cautela ao entrar na onda do TikTok. Confira abaixo o bate-papo para entender mais sobre a situação atual do app e quais riscos reais ele traz ao usuário. Vem ler!

CONSUMIDOR MODERNO – Por que você acha que o TikTok, como rede social, se tornou uma “febre” tão rápida entre os mais jovens.
CLÁUDIA BREDARIOLI – Por causa da imagem e por ser uma rede social muito fácil de manusear. O vídeo se tornou popular entre adolescentes e crianças. A hora que você junta recursos como música e possibilidades de interação, tudo fica ainda mais interessante para esse tipo de público.

CONSUMIDOR MODERNO – O fato de ela ter origem chinesa difere em que, essencialmente, de outras redes sociais como o Facebook ou o Twitter, que são norte-americanas?
CB – Ser uma rede chinesa talvez esteja facilitando essa questão da dúvida sobre o uso dos dados, como a falta de transparência do que acontece com eles dentro da plataforma. Isso porque na China existem outras regras, outras possibilidades de colocar no ar essa rede social de acordo com o que é estabelecido. Acho legal a gente lembrar que mesmo o Twitter e, principalmente, o Facebook não estão isentos de uso inadequado de dados, de transmissão de informações de forma irregular ou mesmo da presença de fake news em suas plataformas. Temos vários casos que comprovam: não é o fato a rede ser ou não da China que a torna mais segura ou menos segura à nossa presença nessa rede social.

CONSUMIDOR MODERNO – Em 2019, o TikTok pagou uma multa milionária (o equivalente a 5,7 milhões de dólares ou 24 milhões de reais) por captar de forma incorreta dados de usuários menores de idade em sua plataforma. Qual é a sua avaliação sobre essa quebra de confiança no quesito privacidade?
CB – É uma rede de grande apelo para o público adolescente e infantil. Esse é um grupo não tão atento à questão de segurança de dados. Tanto que o TikTok já foi multado por expor crianças que são suas usuárias, como você bem mencionou. Então, sim, existe uma brecha de segurança e, sim, existe uma falta de transparência sobre o que a rede faz e como ela utiliza os dados dos seus usuários. Isso não fica claro em momento algum. Essas questões, inclusive a proibição dentro do Exército norte-americano, feita em dezembro de 2019, reforça essa dúvida de quem consome o aplicativo.

CONSUMIDOR MODERNO – Ainda que existam muitas notícias relacionadas à falta de transparência em relação a como são tratadas as informações dos usuários do TikTok, seu número de registrados não para de crescer. Você acha que a geração Z, que acessa mais essa rede, tem uma preocupação menor com questões como vazamento de dados ou falta de privacidade? Essa seria uma explicação plausível?
CB – Sim, acho que a Geração Z pensa menos nessa questão do vazamento de informações. Mas o que preocupa no TikTok, na minha opinião, nem é tanto essa parte dos consumidores da rede, mas seu uso por por crianças mesmo. Elas chegam a ter 4, 5 anos de idade e estão conectadas muitas vezes sem a participação ou a anuência dos pais. Eu acho essa a questão mais grave, você envolver crianças em um mundo no qual elas não foram apresentadas de maneira oficial. E aí a gente pode pensar em diversas outras coisas que decorrem dessas questões – em mais alto grau o perigo da pedofilia, por exemplo.

CONSUMIDOR MODERNO – É possível se proteger na hora de criar um perfil na rede? Você pode nos dar algumas dicas para isso?
CB – Eu não teria muitas dicas práticas para dar para quem está conectado nessa rede no que se refere à segurança pessoal. Esse assunto é muito nebuloso para a gente saber até onde os dados estão sendo utilizados ou como isso vai se desdobrar futuramente. É claro que com a adesão tão grande que o TikTok tem tido atualmente, é natural que os órgãos reguladores olhem com mais cuidado para isso e exijam respostas. Mas ainda não dá para saber como isso irá se desdobrar. Temos que pensar que eles já foram chamados para dar esclarecimentos no Congresso norte-americano – e não compareceram. Então existe, por parte da empresa, uma percepção de que não há vontade de ser transparente, de esclarecer questões. Pode ser que isso mude a partir de uma pressão maior globalmente, com órgãos internacionais envolvidos. Só que ainda teremos que esperar para ver.

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