Como projetar ruas seguras? Cientistas propõem menos espaço para os carros

Após análise de 1700 cidades pelo mundo, especialistas defendem o investimento em transporte público como meio de evitar futuras mortes e lesões no trânsito

Os acidentes de carro podem se tornar a quinta maior causa de mortes no mundo todo até 2030, segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a cada uma hora 5 pessoas morrem no trânsito, dado que nos coloca entre um dos lugares mais perigosos para se dirigir. Pensando nisso, cientistas de diversas entidades se juntaram para estudar 1.700 cidades em todo o planeta e encontrar a melhor maneira de desenhar ruas seguras para as pessoas.

Profissionais da Mailman School of Public Health, da Columbia University, nos Estados Unidos, do Centro de Pesquisa em Transportes, Saúde e Design Urbano da Universidade de Melbourne, na Austrália e do Instituto de Saúde Global de Barcelona, na Espanha, fecharam um projeto após avaliar as estatísticas locais de lesões nas estradas.

O estudo está publicado na revista acadêmica Lancet Planetary Health e diz, em resumo, que se queremos vias mais seguras, precisamos controlar a quantidade de carros que passam por elas.

“O que este trabalho sugere é que a melhor abordagem para evitar mortes é tirar as pessoas dos carros individuais e projetar as cidades de maneira todos usem menos os veículos a motor”, diz Christopher Morrison, professor assistente de Columbia, e um dos envolvidos no estudo, em entrevista à imprensa internacional.

CIDADES COM DESIGN ANTI-CARRO

Dentro das 1700 cidades investigadas foram identificados 9 tipos de design de ruas diferentes, com base na densidade, na malha de estradas e no tipo e viabilidade de transporte público.

Entre os tipos elencados estão:

1. CIDADES INFORMAIS
Aquelas com baixíssima infra-estrutura rodoviária e transporte ferroviário;

2. CIDADES “SEM SAÍDA”
Aquelas com redes rodoviárias densas e estreitas;

3. CIDADES “MOTORIZADAS”
Têm como exemplo maior Manhattan e também as cidades que têm uma quantidade média de transporte de massa;

4. CIDADES DE “ALTO TRÂNSITO”
Eleitas por possuírem o maior nível de transporte de massa ferroviário disponível.

Desta forma, fica bastante claro, portanto, algo que parece óbvio de ser dito, mas que acaba de ser comprovado cientificamente, como explica Morrison sobre o trabalho.

“Fica claro que os lugares que tendiam a ter mais transporte público disponível, principalmente o transporte ferroviário, também tendem a ter menores acidentes e pessoas lesionadas.”

Entre as cidades com maior malha ferroviária estão Paris, Londres e Amsterdã. Aquelas incluídas no tipo “beco sem saída” são algumas do sudeste asiático, entre as quais Jacarta, Indonésia e Tailândia.

Condições críticas de locomoção, como congestionamento, por exemplo, não foram avaliadas nesta análise. O que ficou claro, portanto, é que quanto mais misto o uso dos transportes – carros, motos, ônibus, etc – pior o desempenho para evitar acidentes e ferimentos nas pessoas.

Segundo o time de cientistas, a principal conclusão do projeto de pesquisa é a de que se faz necessário “retirar” as pessoas de dentro dos carros, colocando-as para interagir mais com as vias das cidades.

“Os pesquisadores não estão sugerindo que reestruturemos imediatamente as metrópoles do mundo. Mas é preciso pensar em um novo desenvolvimento urbano para os próximos anos”, diz o pesquisador para o site.

“Incentivar o transporte público é uma maneira muito, muito boa de reduzir o ônus de lesões motoras”, finaliza Morrison.

No final do mês de fevereiro, representantes de quase 100 cidades do mundo se reunirão em Estocolmo, na Suécia, para pensar saídas afim de reduzir o número de mortos e feridos no trânsito até 2030.

Trata-se de um dos objetivos listados entre as metas globais acordadas no documento “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, das Nações Unidas, a ONU. Diante desta constatação, fica claro que o transporte de diversos passageiros, como o feito por trens, é cada vez mais um negócio lucrativo para todas as partes.

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