Mês da Mulher: 7 mulheres que mudaram a indústria do audiovisual

Diante das câmeras – ou atrás delas, estes nomes colocaram mais igualdade na indústria do entretenimento

Março, oficialmente o Mês da Mulher, deve ser dedicado a repensar o papel feminino nas mais diversas áreas. Já ficou claro nos últimos tempos que não se trata de uma data para entregar flores no escritório ou dar batom e chocolates em casa, certo? Em tempos de #MeToo fortalecido com a condenação do ex-produtor Harvey Weinstein (que finalmente foi para a prisão esta semana nos Estados Unidos), e de olho em um mercado que só cresce mundialmente, aqui vai uma lista com 7 mulheres que mudaram a indústria do cinema e das séries para melhor. Com o streaming consolidado como o campo de disputa do entretenimento para os próximos anos – e tendo as gigantes Amazon Apple e Netflix mundiais no centro dessa batalha, vale ficar de olho nos nomes abaixo (que podem estar diante ou por trás daquele sucesso de bilheteria ou da série que todo mundo maratona).

Myke Lee, a produtora-executiva de “Parasita”

O filme de Bong Joon-Ho é mesmo ótimo. Mas não se engane: sem a visão estratégica de Myke Lee ou o dinheiro que a milionária coreana colocou na divulgação do longa-metragem mundo afora, o resultado final seria bem outro. Não à toa, Myke, de 61 anos, subiu no palco do oscar 2020 e fez um discurso enaltecendo o valor do cineasta e reconhecendo a importância da arte para a cultura de seu país. A sul-coreana é vice-presidente da CJ Entertainment, empresa que fez “Parasita”, mas seu faro para produtos culturais de qualidade e com potencial alto de virarem sucesso não começou aqui. É dela algumas descobertas musicais de K-POP, como o grupo BTS) e a assinatura na produção de outros longas-metragens que conquistaram prêmios, prestígio e o mercado internacional. Entre eles está “Old Boy”, de Park Chan-Wook, que  conquistou o Grand Prix de Cannes em 2004. Os Estados Unidos e o Oscar foram a última fronteira a ser desbravada por essa gênia do entretenimento.

Charlize Theron, atriz e quebradora de estereótipos

Mês da Mulher

A atriz sul-africana que é um dos nomes mais poderosos de Hollywood na atualidade passa bem longe de ser uma mulher que se contenta apenas com elogios por sua beleza física. Desde o Oscar recebido em 2003 por sua atuação no filme “Monster”, no qual interpretou uma serial killer dentro da prisão, Charlize fez questão de mostrar como pode quebrar tabus no que se refere tanto a personagens que interpreta quanto a produções na qual se envolve. Em 2017 com “Atômica” interpretou uma das primeiras agentes secretas da História do Cinema – papel reservado comumente aos James Bond da vida – e que deve ganhar uma sequência ainda sem data definida. Já em “Mad Max – Estrada da Fúria”, de 2015, não deu bola nenhuma para as críticas de fãs masculinos da série anteriormente estrelada por Mel Gibson e levou nas costas o desempenho do filme passado em um futuro catastrófico para a humanidade. Charlize Theron também manda bem por trás das câmeras: é produtora-executiva de diversos filmes e séries, entre elas “Mindhunter”, sucesso da Netflix, e mais recentemente de “O Escândalo”, produção que contou como um dos maiores executivos do canal de TV americano Fox News, Roger Ailes, se tornou réu  por diversos casos de assédio sexual. 

Kathryn Bigelow, a única a ganhar o Oscar

Aos 68 anos, a cineasta norte-americana deve ser presença obrigatória nesta lista. Ainda que depois de “Guerra ao Terror” (2009), longa-metragem pelo qual conquistou os Oscars de Melhor Direção, Roteiro e Filme, Kathryn se tornou referência no mundo do cinema. Ainda que não tenha conseguido repetir o reconhecimento com sua produção seguinte, o excelente “A Hora Mais Escura” (2012), a diretora quebrou um monte de tabus. Inclusive o de que mulheres não têm afinidade com a temática de conflito. Vale lembrar que, no ano em que levou a estatueta, Kat bateu o próprio ex-marido na competição: James Cameron tinha colocado nas telas o blockbuster “Avatar” naquele ano e havia grande expectativa para que essa mega produção levasse o reconhecimento.

Geena Davis, ativista pela igualdade na mídia

Talvez você não se lembre da atriz do road-movie cult “Thelma e Louise”, de 1991, já que faz algum tempo que ela não aparece em nenhum papel de grande relevância. Mas por trás das câmeras, a atriz de 64 anos coordena o Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia, uma entidade dedicada a mapear as desigualdades de oportunidade na mídia como um todo, indo além dos espaços que precisam ser ocupados com igualdade no cinema ou no universo das séries de TV e streaming. A ideia é ter números que provem o quanto as mulheres ainda ficam em segundo plano em histórias ou castings relevantes, bem como tratar, é claro, da diferença salarial, que ainda persiste.

Ashley Judd, uma das vozes contra Weinstein

Não é possível encerrar essa lista sem falar de uma das atrizes mais conhecidas de Hollywood que topou revelar publicamente – na reportagem publicada pelo “The New York Times” – as situações de assédio pelas quais passou envolvendo o ex-produtor Harvey Weinstein. Na época, Weinstein ainda era um dos poderosos da indústria e apesar de muita gente saber do que fazia, o silêncio de vítimas e advogados era comprado a peso de ouro com acordos financeiros em troca de sigilo. Nas semanas que se seguiram após Ashley Judd revelar o que sofreu, mais denúncias vieram à tona e o caso ganhou repercussão global. Aos 51 anos, ela se tornou referência para um dos movimentos que mudou a maneira como as relações de trabalho devem acontecer em uma das indústrias mais ricas do mundo todo.

Em tempo: Fique de olho nas diretoras Greta Gerwig (“Adoráveis Mulheres”) e Patty Jenkins (de “Mulher-Maravilha”), além da atriz Adèle Heanel, francesa do aclamado filme “Retrato de Uma Mulher em Chamas”, que foi uma das primeiras a deixar a plateia do último prêmio César, em fevereiro passado, na França, após Roman Polanski, diretor acusado de assédio, ter recebido o reconhecimento máximo da noite.

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