IDENTIDADES: O que define um Nativo Ecológico?

Com uma vida baseada em transparência e autenticidade, eles buscam reduzir os impactos no ecossistema. A gestora ambiental Júlia Luchesi é uma dessas pessoas

Foto Paulo Reis

Crescer estudando em um ambiente onde há contato com a natureza, diversidade de etnias e desenvolvimento saudável com atividades de bem-estar para o corpo e mente. Parece um sonho? Pois essa foi a infância de Júlia Luchesi. Aos 31 anos, a gestora ambiental relembra como foi a época que definiu suas escolhas profissionais.

 “Desde pequena estudei em uma escola integrada com a natureza, como se fosse uma fazenda. Todo o dia de manhã tínhamos aulas de canto e nos dias de provas uma preparação e relaxamento. Esse momento da escola foi muito fundamental porque eu penso que trouxe uma integração na minha vida mais sistêmica e conectada”, destaca.

“Pra mim, nunca houve distinção entre o que é natureza e cidade. É uma coisa só. Desde pequena, entendi que viver teria de estar sempre aliado a fazer algum propósito ao mundo.”

Nativo ecológico

Foto Paulo Reis

Praticante de uma rotina focada em hábitos sustentáveis, Júlia busca sempre investir em ações que causem um impacto menor ao meio ambiente. 

“A relação de consumo dos nativos ecológicos é extremamente baseada em transparência e autenticidade e em uma consciência de que não podemos continuar a consumir como antes”, afirma Iza Dezon, sócia da Dezon Consultoria Estratégica e representante oficial da Peclers Paris no Brasil, que criou o termo sobre a tendência.

De acordo com a futuróloga, essa tendência de perfil que possui como prioridade a conexão ambiental, começou a se destacar e ganhar notoriedade entre 2017 e 2018, e desde então vem permeando o comportamento através das novas gerações e fazendo alusões aos nativos digitais, ou seja, a Geração Z.

Um dos momentos mais importantes para a profissional de gestão ambiental foi quando trabalhou no Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, que busca a valorização e espaço da classe trabalhista. 

Através desta experiência recebeu um convite para integrar um projeto com educação ambiental para jovens de 15 anos, em Berlim. A ideia era que eles viessem ao Brasil para interagir com brasileiros moradores da favela de São Remo.

“Foi um negócio muito louco na minha vida porque o meu chefe era um catador, um cara que por 30 anos puxou carroça e se politizou, e trabalhava para pleitear políticas públicas para os catadores que é uma profissão. Foi um negócio que fez um giro na minha vida”, conta ela, que na época tinha 26 anos.

A viagem lhe rendeu muitos aprendizados e o contato direto com práticas de consumo consciente muito mais avançadas que as do Brasil. 

Júlia também morou 3 meses na Índia. Desta vez, com a Cooperativa de Catadoras, onde só trabalham mulheres. Lá passou por uma experiência desafiadora: morava com outras 6 indianas, dormia em uma sala com uma cama minúscula e não tinha eletrodomésticos como geladeira na cozinha.

nativo ecológico

Fotos Paulo Reis

Além de ser frequentemente questionada por escovar os dentes mais de uma vez ao dia. “Foi difícil o trabalho porque a maioria das catadoras não falava inglês já que na Índia cada região tem um dialeto diferente. Então, não conseguia me comunicar muito bem com as pessoas.”

As macrotendências que definem os nativos ecológicos são movimentos que influenciam o comportamento do consumidor e identificam mudanças na sociedade por um período longo. Iza explica cada uma delas.

1. MANIFESTO LIXO-ZERO
Enfatiza que, na verdade, o lixo é um erro de ‘design’ da sociedade. “A compreensão de que o real vilão ou problema é a quantidade de lixo que geramos e que precisamos parar de tratá-lo como algo que podemos jogar fora, pois não se existe o fora.”

2. VERDADEIRO MATERIALISMO
Busca uma contrapartida ao consumismo. “Ao invés de consumir por consumir, que geralmente vem de uma ideia criada por instabilidades internas, o verdadeiro materialismo surge associado a respostas de questões como: saber o que se está comprando, de onde vem e quem faz. Dar valor ao material e ao trabalho por trás deste produto.”

3. HIPERECOLOGIA
Tem como objetivo rever os sistemas estruturalmente. “O ponto central é a mudança sistêmica; em como a gente vai alterar a indústria, como a gente vai olhar a longo prazo e profundamente na cadeia alimentar ou o lixo eletrônico, além dos nossos pós-consumo.”

Para a gestora, depois que as pessoas têm noção de como esses assuntos estão inseridos no dia-a-dia e que qualquer atitude que façam na sua vida pode impactar diretamente o território em que o planeta está inserido, movimentos simples começam a fazer grandes mudança e, esse é um ponto que deve ser debatido com frequência.

“Depois que você tem noção de que cada coisa que você faz muda, transforma o território, a gente fica mais exigente. Desde comprar um produto, saber onde vai parar este produto até olhar nas informações onde foi produzido. São coisas que eu faço diariamente. Sou a chata de casa no bom sentido de ter de lembrar que é importante separar as embalagens, cuidar do resíduo orgânico, ter uma composteira…”

Hoje, após estar há mais de 10 anos na área, além de trabalhar em uma empresa de soluções sustentáveis e atuar em projetos sociais, Júlia faz parte de uma trupe de clown que realiza performances de arte circense com o objetivo de espalhar sorrisos e conscientização por aí. 

“Quero sempre fazer algo com propósito e que cause bons impactos. Penso que a gente não veio para cá à toa. Para mim, tudo isso é como respirar. É como se fosse o meu propósito de vida.”

 

Juntamos 7 pessoas do cotidiano que representam o futuro e tendências do aqui e agora que moldarão o amanhã. Ieda, por exemplo, é uma chefe de cozinha da Chapada Diamantina e espalha sua culinária por onde passa. Hoje encanta os paulistas com uma comida tradicional e nordestina em um restaurante que leva seu nome. Por isso impossível não falar de LOBAL, quando o local é muito maior do que o que vem de fora.

Também descobrimos Leandro, preparador de atletas, que muda a vida das pessoas através da AUTO-OTIMIZAÇÃO. Já Urick é púpilo dessa geração de pessoas preocupadas com PRIVACIDADE E PROTEÇÃO DE DADOS. E tem o Fabrício, tão ligado em tecnologia que já fala em uma ROBOTIZAÇÃO DA VIDA.

Sem falar da Renata, que acredita em um mundo em que é possível (e necessário) VIVER MELHOR, assim como a Ana Lúcia, que sabe que número não define nada, que IDADE é EMOCIONAL. E a Júlia? Uma NATIVA ECOLÓGICA que quer transformar o mundo através do ativismo ambiental e na sua crença de um planeta melhor.

Esses são 25 anos da nossa história e é você consumidor que a define. O mundo do consumidor sem rótulos. Um mundo de IDENTIDADES. A cada semana um novo personagem! Conheça nosso manifesto vivo e um evento que moldará o novo olhar sob o consumo e o comportamento na nova década: identidades.consumidormoderno.com.br

 






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