Alimentação e dados pessoais podem melhorar a sua resistência

Membros da Singularity University descrevem a necessidade de nos reconectarmos com o hábito da alimentação por conta do seu poder regenerativo, assim como o uso dos dados na prevenção de doenças

O atual cenário global em que o modelo de vida exige uma quarentena, o uso de aplicativos para a entrega de quase tudo tornou-se ainda mais comum. No entanto, a economista italiana e fundadora do Instituto da Comida do Futuro Sara Roversi defendeu a necessidade de existir uma reconexão com os alimentos, ainda mais no cenário da pandemia do novo coronavírus, durante uma palestra online da Singularity University, na última quarta-feira (18).

Com um mercado avaliado em US$ 8 trilhões e dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas que mostram a existência de mais pessoas sofrendo com a obesidade (2,1 bilhões) no mundo do que passando fome (805 milhões), Sara abordou o poder regenerativo que os alimentos podem trazer, em um momento que as pessoas buscam a auto-otimização, ou seja uma melhora contínua seja no lado físico ou mental.

Alimentação com poder regenerativo

alimentação

(Foto: Shutterstock)

“Comida é vida, energia, nutrição, amor, família, experiência, comunidade, tradições, cultura, e uma conexão profunda com a nossa identidade e língua”, comentou a especialista italiana, que ainda descreveu o estágio de prateleiras vazias em alguns mercados do seu país. “No atual cenário nós estamos buscando pelas nossas necessidades básicas.” 

Sara explicou que durante muito tempo nos acostumamos a sair para comer, mas que agora as pessoas retornaram para cozinhar em casa. Porém, existem países, como o Brasil, em que prédios estão sendo construídos sem cozinhas.

“Se as cozinhas não existem onde vamos compartilhar experiências? Agora temos acesso a produtores locais próximos das nossas casas. E o que vamos comer? Menos comida processada e nos alimentarmos juntos. Seremos forçados e realizar este recomeço cultural que nos dará a possibilidade de entender o poder da comida, que passa por energias, cultura, cuidado, tradição, inclusão, diversão e prazer,” explicou.

Na visão dela, até muito recente, produtos eram desenvolvidos para as pessoas, com a mentalidade de convencê-las a comprarem. Nos últimos, as companhias passaram a desenvolver o que as pessoas querem. Porém, agora é preciso pensar em uma nova forma que é, pensar no que o planeta precisa.

Produção dos alimentos no futuro

A  fundadora do Instituto da Comida do Futuro também avaliou como as novas tecnologias terão um papel no futuro dos alimentos. “Tecnologias exponenciais estão acelerando a nossa relação com o meio ambiente, produção de alimentos e o nosso acesso à comida. A comida passou de ser um medicamento para possibilitar ‘super poderes’. O poder dos alimentos é o nosso medicamento real”, disse.

Sara concluiu ao comentar que até 2050 quase 70% da população mundial viverá em metrópolis e com isso ela vê a necessidade de redesenhar a produção de alimentos, com o desenvolvimento de plantações urbanas, através de sistemas inteligentes. E isso pode mudar a nossa relação com o alimento.

Dados para auto-otimização e resistência à doenças

Sabine Seymour, doutora em economia e ciências sociais,especialista em sensores e dados biométricos, pontuou, no mesmo dia da palestra online, o que o compartilhamento de dados, com ética, pode causar nas nossas vidas.

“O uso de dados ambientais e biométricos, capturados por dispositivos, como anéis e relógios inteligentes, serem para estudar os sistemas de imunidade das pessoas infectadas hoje e entender no futuro”, afirmou a especialista na intersecção entre sensores, dados e o corpo humano.

Mas para isso que aconteça Sabina disse que é necessário a criação de algoritmos sem viés e que protejam a privacidade dos dados das pessoas para limitar a expansão de pandemias. Ela também comentou que o novos negócios precisam estar de acordo com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados Europeu (GDPR).

“E com esta quantidade de dados teremos evidências em um mundo digitalizado para entender porque alguém fica doente e o comportamento inteiro desta pessoa. Isso servirá para desenvolver cuidados de saúde personalizados”, comentou a especialista austríaca conhecida por seu trabalho em tecnologia.

Para aumentar o nosso sistema imune e a resistência, Sabine apontou que devemos ter uma mentalidade holística composta por medicamentos sintéticos, terapias alternativas, alimentação e exercícios. Por fim, ela disse que além da necessidade de digitalizar o corpo, a tecnologia de ser utilizada de forma humanizada para criar novos modelos de negócios.


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