Guerra por higiene: álcool gel ou água e sabão contra o coronavírus?

Higienizar as mãos é fundamental para se prevenir contra o coronavírus; mas qual é a melhor opção para realizar este processo?

O álcool gel antisséptico é considerado um grande aliado contra as bactérias. Desenvolvido para o segmento da saúde, especialmente na prevenção contra infecção hospitalar, o produto começou a ficar popularizado quando a gripe A (ou gripe suína) apareceu, em 2009. Agora, com a pandemia de coronavírus, seu uso voltou a ficar extremamente em alta.

De acordo com um estudo da MindMiners, desde que a população começou a se preocupar com o vírus, atitudes como a lavar as mãos com mais frequência (68%), usar álcool gel (63%) e limpar assento/privada (15%), fazem parte do dia a dia de cada um. Desta forma, a compra de produtos de higiene pessoal e para a limpeza da casa, também cresceu bruscamente, resultando em uma corrida apavorante por álcool gel (83%), sabonetes líquidos (56%) e desinfetantes (45%).

Com a preocupação em se manter limpo e longe de uma contaminação, é importante ressaltar que não é qualquer álcool que pode ser utilizado. Para a higienização das mãos, somente os que possuem sua composição concentrada em 70%, propiciam a desnaturação de micro-organismos com grande eficiência.

 “Nesta concentração o álcool tem ação antimicrobiana, agindo contra bactérias, fungos e vírus (incluindo o novo coronavírus). Concentrações diferentes desta não terão o mesmo efeito antimicrobiano. Além disso, álcoois em concentrações maiores poderão evaporar rapidamente, diminuindo sua eficácia, além de ressecar a pele, levando a formação de fissuras e rachaduras, o que pode servir como porta de entrada a bactérias”, explica a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

Álcool gel x água e sabão

Diante da situação que se implantou no país nas últimas semanas,  atitudes como as mudanças nos hábitos de consumo e a busca intensiva pelo álcool, fez com que o produto ficasse em falta em praticamente todos os supermercados e farmácias. Mas será que toda essa disputa realmente vale a pena?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool é indicado na prevenção da doença, porém, é importante saber que ele não deve ser o único meio. Em tempos de guerra por higiene, lavar as mãos constantemente ainda é a opção mais viável, mais barata e mais acessível para muitos.

“A eficácia dos dois métodos é bem semelhante, mas é preciso lembrar que na presença de sujidades visíveis nas mãos recomendamos que a higienização seja feita com água e sabão. O álcool gel tem a vantagem de trazer praticidade para manter as mãos limpas onde não houverem pias. “, explica o Dr. Lucas Agra, Médico infectologista e Supervisor  da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (USP).

Diante disso, milhares de pessoas estão optando por sabonetes antibacterianos, que prometem uma ação mais poderosa contra micro-organismos, mas na verdade, qualquer sabonete é capaz de manter as mãos limpas contra o CONVID-19.  “Não há evidências científicas que recomendem o uso indiscriminado de sabonetes antibactericidas. O ato de higienizar as mãos com e sabão depende mais da fricção imposta sobre as mãos do que da capacidade antibactericida de qualquer sabonete”, afirma o infectologista.

Já sobre o álcool gel, muitos ainda questionam se há uma forma correta de utilizá-lo. Assim como a lavagem, o ideal é que o procedimento dure cerca de 20 segundos para garantir a cobertura eficaz em todas as partes. O Dr. Lucas orienta: “a maneira mais adequada de se utilizar o álcool gel é aplicando uma quantidade na palma de uma mão e friccionar as mãos entre si, não esquecendo do dorso da mão, das pontas dos dedos e dos polegares, e esperando secar sem usar papel toalha”.

Logo, independentemente de utilizar sabonetes antibacterianos ou sabão neutro, o mais indicado é que enquanto as pessoas estiverem em sua casa, lavem as mãos, e quando estiverem fora, aí sim optem pelo gel antisséptico. “No atual momento e diante da escassez de álcool gel, o uso do sabão precisa ser estimulada para trazer segurança à população que acredita estar segura só com o álcool gel e também para poupá-lo para situações emergenciais, onde não houverem pias, por exemplo”, ressalta o médico.

Então, lave as mãos sempre que possível e, principalmente, nestas situações:

Antes e depois de comer;
Depois de usar o banheiro;
Depois de assoar o nariz, tossir ou espirrar;
Depois de tocar em animais e animais de estimação;
Depois de visitar qualquer espaço público e tocar em superfícies fora de casa.

E qual a melhor forma de lavar as mãos?

De acordo com a UNICEF (órgão das Nações Unidas), as orientações adequadamente são:

1º: Molhar bem as mãos e os pulsos com água corrente;
2º: Aplicar sabão neutro ou sabonete antibacteriano suficiente para cobrir as mãos e os pulsos molhados;
3º: Esfregar todas as superfícies das mão: os pulsos, as costas, entre os dedos,  as pontas e as unhas; o processo deve durar de 20 a 30 segundos;
4º: Enxaguar com água corrente até eliminar toda a espuma;
5º: Secar as mãos com um toalha limpa de uso individual ou descartável.

Isso impacta o meio ambiente ?

Toda ação gera uma reação. E no ecossistema que estamos inseridos não é diferente. Em meio à imensa preocupação em fazer uma higienização adequada, há dois pontos que também precisam de atenção: o consumo excessivo de álcool gel e a má conduta na hora de lavar as mãos.

Como lavar as mãos necessita de tempo e cuidado, é importante não esquecer de deixar a torneira desligada enquanto isso. Já em relação ao antisséptico, é relevante que cada um tenha conscientização sobre o material e não exagere.

“O uso do álcool gel traz um impacto praticamente nulo no meio ambiente (com exceção da embalagem plástica do  produto). No entanto, desde 1982 a ANVISA exige por lei que qualquer sabão contenha tensoativo biodegradável, o que somado aos produtos que utilizam matéria prima renovável ao invés de derivados do petróleo, podemos reduzir a agressão ao meio ambiente”, conclui o Dr. Lucas Agra.

Solidariedade em tempos de coronavírus

A falta de álcool gel na maioria dos estabelecimentos e seu preço elevado, fez com que algumas indústrias se mobilizaram e começaram a investir na fabricação do produto para auxiliar no combate à proliferação do coronavírus no Brasil. A Ypê, por exemplo, recebeu doações de fornecedores para viabilizar o processo. Os produtos serão destinados gratuitamente aos seus colaboradores e entidades de saúde.

Outro nome que entrou na ação foi a Cervejaria Ambev, empresa brasileira dedicada à produção de bebidas, que vai doar 500 mil frascos aos hospitais públicos municipais das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Conversamos com Carla Crippa, vice-presidente de relações corporativas da AMBEV, para saber como está o condicionamento da produção. Confira:

CONSUMIDOR MODERNO: Como é o álcool que vocês vão doar? Podem falar sobre a composição?

Carla Crippa: O álcool que vamos doar é o mesmo que vem do nosso processo cervejeiro, ou seja, ele tem origem dos cerais. Na nossa unidade de Piraí-RJ temos uma planta de destilação e concentração de álcool, que purifica esse álcool que vem do processo cervejeiro. O que vamos fazer é extrair o álcool que já extraímos normalmente no processo de produção da nossa Brahma 0,0%, nossa cerveja sem álcool, e purifica-lo nessa planta de destilação. Com isso, teremos um álcool mais puro e concentrado, com base de etanol, que é o mesmo que a indústria de cosméticos utiliza para fabricar álcool gel.

CM: Como ocorrem as etapas de produção até chegar ao consumidor final?

CC: Feita a destilação do álcool em Piraí-RJ, vamos leva-lo para um produtor parceiro no interior de SP que vai realizar o processo de transformação do etanol em álcool gel. Em paralelo, a unidade da Ambev em Jundiaí-SP vai fazer a produção das 500 mil PET onde o álcool gel vai ser envasado. Nós vamos doar essas 500 mil PET para o co-packer parceiro envasar na sua própria unidade o álcool gel e nossa frota parceira vai pegar o álcool gel envasado e levar para as secretarias de saúde dos municípios.

CM: Caso não seja suficiente, vocês pretendem continuar a produção após disponibilizar as 500 mil garrafas?

CC: Nós estamos produzindo o máximo que conseguimos no momento, mas temos uma limitação de possibilidade de produção, pois não é em qualquer uma de nossas cervejarias que conseguimos produzir o etanol, de capacidade de produção do etanol e das embalagens, além da disponibilidade de fornecedores e insumos. Por isso, priorizamos as cidades mais afetadas até o momento, dentro da disponibilidade de produtos. Estamos empenhados em aumentar as possibilidades de produção, e daremos um retorno o quanto antes.

CM: Após as doações vocês pretendem produzir para os consumidores comprarem?

CC: Não, o objetivo da nossa iniciativa é ajudar a rede pública de saúde e os hospitais municipais das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, que concentram a maior quantidade de casos da doença no momento.


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