Após dias de isolamento social, como manter uma boa saúde mental durante o restante da quarentena?

Uma das saídas é se envolver mais com a prática de mindfulness, um treinamento de atenção que vai além da meditação e foca em estarmos mais conscientes diante dos desafios da vida

A incerteza diante dos cenários causados pela contaminação do novo coronavírus está deixando muita gente sem dormir, comer ou trabalhar direito. Não se trata somente do medo de contrair a doença, mas também dos efeitos que ela já está provocando ao alterar a rotina dos brasileiros através do confinamento em casa, além dos impactos econômicos que ainda não podem nem ser avaliados.

A avalanche de informações nos noticiários também contribui para essa sensação de pânico e perda de controle diante do dia-a-dia. Para combater esses efeitos, uma das saídas é se envolver mais com a prática de mindfulness, um treinamento de atenção para a saúde mental que vai além da meditação e foca em estarmos mais conscientes diante dos desafios da vida.

O exercício pode ser praticado por qualquer pessoa e mesmo dentro de casa, como é o momento agora. Para entender melhor como o contexto atual no Brasil e no mundo impacta nossa mente, conversamos com Marcelo Maia, instrutor de mindfulness formado pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) e pelo Mindfulness Trainings International (MTI). Ele também é o fundador do estúdio Moved by Mindfulness, em São Paulo, que está dando aulas do treinamento de forma online e gratuita até o dia 4 de abril. Acompanhe o bate-papo:

CONSUMIDOR MODERNO – Você pode comentar um pouco como a mente é afetada pelo turbilhão de acontecimentos relacionados à pandemia do Covid-19?

Marcelo Maia – Estamos vivendo um momento de incertezas, não sabemos o que vai acontecer nos próximos dias, quanto tempo precisaremos de quarentena, o que vai acontecer com nossos empregos etc.. Além disso, vivemos numa ameaça constante de uma doença um tanto desconhecida. Nossa tendência, nesses casos, é “ficar ruminando” as questões e imaginando todas as coisas horríveis que poderiam acontecer. Se ficarmos acompanhando cada notícia há possibilidade de entrarmos em desespero. Da mesma forma, se alienar também não é saudável. Isso cria uma ansiedade absurda.

CM – Que outros sinais a mente dá quando está sob pressão por situações de estresse como essa?

MM – Além de ficar nesse ciclo de pensamentos catastróficos que comentei acima, podemos também entrar em depressão.

CM – Na sua opinião, o que pode funcionar como gatilho de ansiedade nessa situação em que estamos vivendo?

MM – Não saber o que pode acontecer, quanto tempo precisaremos para resolver essas questões, quais medidas serão tomadas… Vejo esses como gatilhos para piorar essa ansiedade.

CM – Como enxergar o isolamento social por um viés positivo? É possível?

MM – Tudo pode ter um viés positivo. Mas acho que aceitar que estamos passando por um momento difícil sem precedentes também é importante. Ficar mais com a família, poder

repensar nosso formato como sociedade, dar valor a pequenas coisas que normalmente passam despercebidas. E entender que, às vezes, teremos que passar por momentos de desconforto, que isso também faz parte da vida.

CM – Nem todo mundo reage ao isolamento da mesma forma – tem gente que está levando numa boa, por exemplo. Você pode comentar um pouco essa diferença no entendimento da situação?

MM – Para mim, uma maneira de minimizar isso é pensar momento a momento, desafio por desafio e se perceber. Mesmo as pessoas que lidam melhor, alguns dias vão ficar mais ansiosas, é normal. A prática da meditação pode ajudar bastante nessa hora.

CM – Como o mindfulness funciona em um momento como esse? Uma pessoa que nunca fez a atividade pode começar agora, dentro da quarentena?

MM – O Mindfulness é um treinamento de atenção e sua base é estar no presente, sem julgamentos. Nesse período de incertezas, viver momento a momento é essencial. Além disso, a prática ajuda a pessoa a se conhecer mais e a perceber a melhor maneira de lidar com os desafios do dia-a-dia. Fazer o mindfulness é simples e indicado para qualquer pessoa. Conforme você pratica, começa a ter maior controle da atenção, percebendo os comportamentos impulsivos e quando fica remoendo as coisas. A ideia é escolher não se identificar com o que te fazer mal.


Você conhece o Centro de Valorização da Vida (CVV)? Nele, há pessoas sempre dispostas a ajudar. Caso você queira conversar, ou conheça alguém que esteja precisando de ajuda, acesse o site (clique neste texto) ou ligue para o número 141.


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