Hábitos simples de incorporar para quem está em quarentena

Com o novo coronavírus espalhado pelo mundo, colunista que mora em Barcelona sugere algumas atitudes que podem ajudar neste período de quarentena

Estou lendo como nunca. Não, não são livros de ensinamentos elevados, mantras, estudos. Estou falando é de notícia mesmo. O desejo de olhar minuto a minuto os portais, bem como de ficar ouvindo incessantemente o que diz a TV consumiu boa parte dos meus primeiros dias de confinamento. Sou jornalista, criadora de conteúdo e estou morando em Barcelona para fazer um mestrado. Me mudei cerca de um mês antes da crise de Covid-19 pegar fogo na Espanha. Por aqui, dizem que estamos no ponto crítico. Ainda não há um sinal claro de que as contaminações e mortes irão arrefecer.

Só que não estou sozinha neste cenário. Você que me lê também está em confinamento como eu, certo? O Brasil entrou de vez no ciclo de contaminação da doença e ainda aguarda a chegada das semanas mais duras. O tempo parece que passa rápido para o vírus e devagar para a gente. Moro sozinha e tenho que encontrar em mim mesma disciplina para trabalhar, organizar a casa, me informar, comer e dormir bem. Depois do alto consumo de notícias, outra leitura que me impactou bastante foi a de como manter a mente fortalecida dentro de um cenário como esse, de total incerteza tanto sanitária quanto econômica. Pode parecer clichê, mas encontrei um ponto de partida na máxima “viver um dia de cada vez”.

Por isso mesmo, compartilho abaixo o que tem funcionado para mim e que pode servir agora que a ficha da reclusão caiu de vez. Por aqui, o isolamento só tem prazo de ser reavaliado em 12 de abril. Serão praticamente 30 dias em casa. Estou alguns dias no futuro dessa situação, se comparado ao Brasil. Então, sigo esse jogo:

HORA DE DORMIR, HORA DE ACORDAR

Durante a semana fica mais fácil manter a rotina de sono, já que o home office estipula horários para a gente. Mas tente manter o fluxo também no fim de semana. Se bater um sono maior, aos sábados e domingos é possível tirar uma soneca. Só não deixe o relógio biológico pirar de vez, trocar o dia pela noite. A insônia, como já se sabe, contribui com a ansiedade.

MÚSICAS E PODCASTS, SIM. NOTÍCIAS TODO TEMPO, NÃO

Buscar em fontes confiáveis as informações para saber como se desenrola a pandemia é fundamental. No meu caso, evito áudios encaminhados não sei de onde, memes que são feitos por sei lá quem, links de sites obscuros. E também coloquei um limite: acompanho as atualizações pela manhã e algumas vezes até o começo da noite. Antes de dormir, nem pensar. Não vai ajudar a desligar a mente e trata-se de uma situação que está totalmente fora do meu controle. Músicas e podcasts podem manter o barulhinho na casa – principalmente se você estiver sozinho, como eu, e trazem outros assunto, outras emoções para o corpo. Ficar 100% conectado na cobertura gera estresse, inclusive nós, jornalistas.

mercado de podcasts

TRABALHE COM PERÍODOS DE TEMPO

Tem dias que você será mais produtivo, outros menos. É importante não exigir da mente entrega de 100% em um momento de total instabilidade como esse. Se você sentir que está mais concentrado, foque nas tarefas mais profundas. Se estiver disperso, aproveite para resolver demandas picadas, como responder emails rápidos, organizar arquivos, listar próximas tarefas, ver a agenda da semana. Se coloque tempos curtos para essas execuções do tipo: o que posso fazer em duas horas? Assim, quando eu “fecho” um período de trabalho como esse, posso olhar de novo no celular, dar uma caminhada pela casa. Os checks na lista de demandas são um impulso positivo.

AGRADEÇA ÀS PEQUENAS VITÓRIAS DIÁRIAS

A situação das pessoas é tão diferente no mundo todo diante da pandemia de Covid-19 que se você pode ficar na sua casa, sem medo de ser demitido, sem problemas financeiros, sem ter que encarar a doença na linha de frente é preciso olhar no espelho e agradecer. A pandemia também mostra nossos limites, é a prova concreta de que não temos controle sobre nada e do quanto precisamos do outro. Então, se acordou bem, agradeça. Se sua família está segura, agradeça também. Não precisa ser religioso para fazer isso: é só reconhecer o lado bom da sua situação no momento e valorizar o presente.

RESPIRE E FALE SOZINHO         

Muitas vezes estamos tão ansiosos ou acelerados que não reparamos como nossa respiração está curta, ofegante, e os músculos tensos. Respirar faz milagre, bem como falar sozinho. Sabe aquela cena que a gente costuma ver em filme, do protagonista dizendo a si mesmo o que pretende fazer a seguir? É uma ação capaz de acalmar, não tem nada de maluquice nisso. Em tempos nos quais o foco e a concentração desaparecem em um piscar de olhos, precisamos mudar também nossas crenças. Respire, verbalize e siga em frente.

CONECTE-SE. MAS TAMBÉM DESCONECTE-SE

Nada melhor do que fazer um encontro virtual com os amigos e até ter reuniões online agendadas nos aplicativos para poder ver o rosto das pessoas, certo? A internet fez da nossa quarentena algo muito mais fácil de se suportar. Mas não exagere. Confesso que meu celular anda avisando: Luciana, você passa das sete horas diárias conectadas. Ë bastante, mas dou um desconto porque trabalho com isso. Agora pense: tem stories infinitos para você assistir no Instagram, diversos grupos bombando no whatsapp, emails para responder (e para jogar fora) nas caixas de entrada da vida… Tem o Twitter que não para e gente mandando mensagem no Facebook. Ou seja, se todos os dias sua atenção for roubada pelos apps de comunicação, daí não há paz mental que aguente. Celular no silencioso também é uma medida de necessidade. Porque os dias dentro de casa ainda não têm garantia de quando vão acabar.


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