Páscoa 2020: de doces mais baratos a “faça você mesmo”

Segundo um estudo do Google, chocolates mais baratos e a venda de ingredietes para a fabricação do ovo de páscoa caseiro são alguns dos novos comportamentos dos consumidores

Foto: Unsplash

A pandemia do novo coronavírus está causando uma série de transformações em nossa sociedade, inclusive nas relações de consumo. A indústria e o varejo são exemplos desse processo de transformação. Os dois setores da economia mudaram suas cadeias produtivas e passaram a oferecer os seus produtos por meio de canais digitais, garantindo o consumo em tempos tão difíceis. No entanto, falta ainda o grande teste. E ela vai acontecer esta semana: a Páscoa.

Antes da pandemia, tanto indústria quanto o varejo falavam em um crescimento de 15% nas vendas de ovos de páscoa em 2020. A expectativa mudou, mas existem boas oportunidades de negócios em tempos de distanciamento social.

É o que aponta, por exemplo, uma pesquisa feita pelo Google que ouviu mil pessoas entre 7 e 19 de março deste ano. A empresa pediu para que os consumidores elencassem o que mudará em seus planos para a Páscoa. As duas principais mudanças citadas pelo consumidor nesta páscoa serão Viagem no Feriado (53%) e Forma/Local de Compra dos Ovos/Chocolates. Além disso, o estudo aponta que o consumidor está de olho em chocolates mais baratos, menores e mais fáceis de serem transportadas por um entregador do Rappi, Uber e outros – seriam eles os novos coelhos da páscoa?

Outra tendência é que o consumidor está disposto a produzir o ovo em casa, algo no melhor estilo “do it yourself”. Essa pode ser uma boa notícia para quem vende os insumos básicos dos chocolates.

Compras pela internet

De acordo com a pesquisa, o brasileiro tem o hábito de comprar ovos de Páscoa em lojas físicas. E somos um dos países que mais consome em função da data. Porém, esses dois fatores não combinam com o isolamento social e os consumidores sabem disso.

A pesquisa aponta que o consumidor estará mais atento ao meio digital para comprar o chocolate. O estudo mostra que mais da metade (51%) disse que vai evitar os horários de maior movimento para comprar ovos de Páscoa, barras de chocolate e bombons. Ou seja, muitos querem evitar a aglomeração,

No entanto, o dado que chama a atenção é o total de pessoas que afirmam que farão compras pela internet. O estudo mostra que 26% dos entrevistados vão optar por esse canal.

Barra de chocolate é o novo ovo de páscoa?

O levantamento aponta que produtos menores, mais baratos e mais fáceis de serem transportados representam uma forte tendência para este ano. Ou seja, a barra de chocolate está, digamos assim, em alta.

Segundo o Google, os ovos de chocolate vão manter o seu protagonismo na páscos deste ano, porém terão a companhia de produtos mais baratos e mais fáceis de transportar – e que caberiam em alguma caixa de um entregador do Rappi. Ao todo, 69% continuarão comprando ovos de páscoa, enquanto os chocolates em barra serão consumidos por 30% dos entrevistados e 27% irão preferir bombons ou trufas. 21% ainda deve comprar bombons ou trufas individualizadas.

Segundo dados da busca do Google, de 2018 para 2019 houve um aumento do interesse por barras (+30%) e bombons (+17%) e queda de formatos gourmet, como ovo de colher (-6%), o que tende a continuar em 2020.

Faça você mesmo!

Outra tendência curiosa de consumo desta páscoa é a venda dos ingredientes básicos para a produção de ovos de páscoa em casa. Ou seja, é hora de investir no insumo e em tutoriais pela internet.

Com mais pessoas em casa, as buscas no Google por termos relacionados a “como fazer ovos de páscoa” e “receitas de ovos” também estão crescendo em um ritmo mais acelerado do que no mesmo período do ano passado. Nas últimas quatro semanas, as buscas cresceram 5 vezes, enquanto no ano anterior o crescimento foi de 4 vezes.

E o que as empresas tem feito?

É pensando nessa parcela de compradores mudando seus hábitos que as empresas estão investindo no online. Uma alternativa óbvia — ainda que de execução não tão simples — foi estruturar e-commerces com entregas para grandes cidades. No caso da indústria, uma das alternativas foi criar sites que informam ao consumidor quais varejistas vendem seus produtos.

A Lacta, por exemplo, reforçou sua atuação em canais de delivery e e-commerce. A  marca, em parceria com o Rappi, está lançando uma campanha de venda chamada “Cada Pedacinho Importa. A ideia é que o consumidor se cadastre no site da promoção e seja um vendedor afiliado. Cada um que se inscrever terá um cupom atrelado para divulgar aos amigos. Essas pessoas não só poderão aproveitar as promoções de Lacta no app, como também vão ajudar a pessoa que enviou o código a ganhar uma premiação de 10% sobre o valor do ovo vendido com o código. A ação vai até dia 12 ou até o final dos estoques.

A Cacau Show criou um e-commerce com delivery que atende todo o Brasil. A Cacau Brasil, outra varejista do segmento, é mais uma que vem apostando para vender na data.

“Criatividade tem sido um processo essencial para nós. Além disso, temos franqueados que estão com o serviço de drive-thru, onde o cliente faz o pedido e passa na loja para retirar, muitas vezes sem nenhum contato”, explica Alexandre Costa, fundador e CEO da Cacau Show.

Para impulsionar as vendas, a Lacta intensificou investimentos em um site que direciona os consumidores para os varejistas que vendem seus produtos e relançou sua loja virtual com entregas em São Paulo, Campinas e Jundiaí.

“Viemos otimistas para a Páscoa 2020 por conta do crescimento que tivemos em 2019. Ainda é cedo para calcular os potenciais impactos, mas estamos atuando fortemente para levar a magia da data para o maior número de pessoas neste momento sensível”, disse a empresa em nota.

Os desafios

É claro que todas essas ideias são emergentes e feito até mesmo às pressas. O cenário é desafiador e as projeções de renomados institutos falam em uma desaceleração nas vendas.

Essa é a opinião de entidades como a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), Apas (Associação Paulista dos Supermercados) e a ACSP (Associação Comercial de São Paulo). Elas projetam uma desaceleração de até 8,5% nas vendas deste ano.

Antes da crise, a previsão da Apas era de crescimento de 2,2% na comparação anual das vendas de produtos como bombons, ovos, barras e tabletes de chocolate, refrigerantes, cerveja, vinho e peixes. Na semana passada, porém, a entidade mudou a estimativa e agora espera queda de 8,5%.

Para a Grande São Paulo, a projeção é de queda de 10,5%. Os piores números no estado de São Paulo devem vir da região de Campinas, que tem expectativa de vendas 19,5% menores em relação ao ano passado.

“A expectativa de venda do varejo para a Páscoa pode ser fraca, e também vai depender muito se até lá nós estivermos ainda em isolamento. Como está hoje, vai reduzir não só a procura, mas também a abertura de lojas. Para aquelas que vão poder abrir, como os supermercados, o movimento deve ser mais fraco do que no ano passado”, analisa Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Confiança em baixa

De modo geral, Solimeo comenta que os consumidores estão mais cautelosos para comprar itens que não são essenciais.

Uma pesquisa da FecomercioSP apoia o argumento do economista da ACSP. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) sofreu queda de 5,5% em março — 124,6 pontos ante os 131,8 de fevereiro.

A entidade afirma que é possível notar uma mudança de comportamento do consumidor na busca por alimentos com maior durabilidade nos estoques, como arroz, feijão e carnes salgadas ou enlatadas. Isso indica um direcionamento da renda para preparar os estoques domiciliares para a quarentena, restando menos recursos para a compra de itens não essenciais, como os ovos de Páscoa.

Para quem ainda pretende realizar a tradicional bacalhoada, os itens que compõem a receita estão 4,32% mais caros do que no mesmo período de 2019. Por outro lado, os itens para fabricação de ovos de Páscoa estão mais baratos. O chocolate em barra e bombom estão cerca de 8% mais baratos. E chocolate e achocolatado em pó, apontam praticamente estabilidade com leve queda de 0,05%.

Estoques cheios

Indústria e varejo começam a se planejar para a Páscoa muito antes de abril. A Lacta, por exemplo, finalizou a produção e distribuição de produtos para a Páscoa em fevereiro.

Ou seja, a indústria não teve tempo para frear a produção prevendo queda no consumo. Agora, o varejo precisa encontrar formas de vender esses produtos.

Promoções antecipadas e investimento em delivery estão entre as principais medidas tomadas pelos lojistas.

A Cacau Show é uma das varejistas que anteciparam as promoções e já oferece desconto progressivo na compra de ovos de Páscoa. A Kopenhagen oferece 30% em todos os produtos relacionados ao feriado. Já a Lojas Americanas oferece cashback para quem comprar os ovos de chocolate.

A produção da Cacau Show para a Páscoa deste ano foi ainda maior na comparação com o ano passado. Foram 15 milhões de ovos de Páscoa produzidos, 10% de crescimento na comparação anual.

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