Supermercadistas internacionais colocam clientes em listas de espera online

Nos Estados Unidos, número de famílias que compram alimentos online mais que dobrou e supermercados têm dificuldades para absorver a demanda

Um dos recentes desafios de e-commerces americanos e britânico, curiosamente, tem sido o aumento da demanda de consumidores durante o distanciamento social causado pelo novo coronavírus. O tal “problema bom” estaria resultando em uma lista de espera de compras – ou quase uma espécie de fila virtual. Alguns compradores chegam a esperar mais de uma hora para acessar as lojas virtuais.

Os consumidores relatam que a espera é semelhante à que fãs enfrentam para garantir ingressos para os shows de suas bandas favoritas.

A ShopRite é uma das varejistas do setor que está enfrentando dificuldade de abastecimento e que percebeu um aumento significativo no tráfego em sua loja online. A página da varejista tem uma mensagem pedindo desculpas pela espera e com uma justificativa: “A demanda pelo nosso serviço de compras online aumentou significativamente”.

O recurso da fila de espera é usado por varejistas que estão recebendo um aumento de tráfego intenso, que afeta o funcionamento da loja virtual. Os clientes têm dez minutos para confirmar que desejam acessar o site quando chegam ao começo da fila.

No caso da quarta maior rede de supermercados britânica, a Morrisons, a média de espera é de 20 minutos. No momento do acesso da reportagem ao site, 18.569 estavam à frente na fila.

No site, um pedido de desculpas pela demora no acesso, mas uma recomendação: as caixas com produtos pré-selecionados estão disponíveis sem a necessidade de espera.

A Ocado, rede também britânica, está dizendo aos consumidores que não tem capacidade de atendê-los. Nem mesmo uma fila é formada. Novos usuários estão recebendo a negativa da empresa. É necessário ser cadastrado previamente na plataforma para ter acesso à fila de espera.

Nas últimas semanas, a Amazon aumentou o número de lojas da Whole Foods – sua rede de supermercados – que oferecem o serviço de entrega. Antes eram 80 localidades, agora são 150.

Mas isto não foi o suficiente. A empresa começou nesta segunda-feira (13) a colocar novos clientes em uma fila de espera para o delivery de alimentos. A prioridade são os clientes antigos e pessoas que estão no grupo de risco da pandemia de COVID-19.

Aumento da demanda

Os números de uma pesquisa da consultoria Brick Meets Click em parceria com a ShopperKit mostram o aumento exponencial da demanda online por alimentos nos Estados Unidos.

Quase um terço (31%) das famílias norte-americanas comprou alimentos online em fevereiro. A proporção representa aproximadamente 40 milhões de lares comprando alimentos pela internet. Em agosto do ano passado, eram 16 milhões de famílias comprando pela internet.

O levantamento ainda revelou que 26% dos que compraram online em fevereiro o fizeram pela primeira vez. Dos compradores acima de 60 anos de idade, 39% compraram pela primeira vez em supermercados online.

Na época em que a pesquisa foi feita, 30% dos que não compraram mantimentos pela internet disseram que tinham a intenção de o fazer se a crise se agravasse no país, o que aconteceu.

Demanda controlada no Brasil

No Brasil, as vendas em supermercados – online e offline – se estabilizaram. Depois de um aumento de 45,1% no dia 7 de abril, na semana que antecedeu a Páscoa, houve queda de 11% nas vendas na Grande São Paulo, epicentro da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

“A queda no movimento também reflete que o abastecimento está se normalizando com a maioria da população ficando em casa, como recomenda a quarentena determinada pelo governo do Estado”, disse a Associação Paulista dos Supermercados em nota.

Ou seja, o movimento de varejistas britânicos e norte-americanos não dá sinais de que irá atingir o mercado brasileiro. Por enquanto, os supermercados do País declaram que não há problemas de abastecimento e que a demanda está sendo bem absolvida pelo setor.

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