É possível desenvolver a Síndrome de Burnout trabalhando em casa?

Muito associada a ambientes de trabalho, a doença também pode aparecer durante o home office; veja como se prevenir

Vivemos em um mundo globalizado, onde as coisas acontecem muito rápido e há um alto nível de cobrança e pressão psicológica para que tudo seja ágil e eficiente. Com a pandemia do novo coronavírus, que fez com que grande parte da população mundial passasse a trabalhar em casa, de forma remota, a situação pode ficar ainda mais intensa, resultando em fatores que podem comprometer a saúde mental.

Um dos males que podem surgir é a Síndrome de Burnout, que afeta 33 milhões de brasileiros, segundo a International Stress Management Association (Isma-BR) e, em 2019, foi reconhecida como uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Trabalhar no regime de home office pode parecer muito bom, mas o trabalho remoto está longe de ser perfeito. Tudo que envolve o funcionamento de uma casa pode afetar o processo. Contudo, as cobranças profissionais continuam as mesmas (ou maiores) e a mudança de conduta de vida e postura precisam ser reavaliadas. Por isso, desenvolver Burnout durante a quarentena pode ser mais comum do que muitos pensam.

Reconhecendo a síndrome

Caracterizado como um distúrbio de caráter depressivo, o Burnout surge acompanhado de cansaço físico e mental muito fortes, geralmente em pessoas que possuem um ritmo de trabalho muito intenso e estressante.

Segundo Ana Racy, psicanalista com especialização em programação neurolinguística, o distúrbio pode causar sintomas variados. “As pessoas acometidas pelo Burnout podem ter muitas alterações físicas, como dores de cabeça, queda de cabelo, crises de choro, insônia, alterações no apetite, pressão alta, taquicardia e problemas gastrointestinais. Tudo isso pode evoluir para uma depressão e crises de ansiedade”, explica.

Contudo, o Burnout não acontece da noite para o dia; as variações aparecem aos poucos e muitas pessoas não percebem. “Tanto no ambiente profissional quanto no pessoal, há uma grande necessidade de reconhecimento e aprovação pelo trabalho feito ou pela forma de ser. Isso pode sair de uma necessidade natural para uma dependência e, quando esse reconhecimento não chega, o estresse aumenta. Uma das formas de não adoecer é reduzir essa dependência para que venha a ser apenas uma necessidade emocional a ser atendida”, orienta a especialista.

Como controlar o estresse profissional e ter uma boa saúde mental?

Estamos em uma era na qual conseguimos praticamente tudo por meios virtuais; e isso é muito bom. Mas também há aqueles momentos em que a nossa mente e o nosso corpo precisam de um respiro. Sem poder sair de casa, é importante que as pessoas achem formas de utilizar seu tempo de uma forma prazerosa e saudável. Coisas simples podem trazer paz mental e ajudar a prevenir o Burnout ou outros desgastes emocionais.

Veja as dicas:

1. Trabalhe, mas descanse

É importante buscar um equilíbrio entre as diferentes áreas que compõem a vida neste momento. O trabalho é importante e a saúde também. “Sugiro definir de 10 a 15 minutos de descanso a cada duas horas de trabalho. Cada pessoa pode escolher o tempo de acordo com o seu período máximo de concentração”, orienta a profissional Ana Racy. Fazer um alongamento, meditar antes de iniciar o trabalho e ler uma mensagem positiva são atividades que também ajudam.

2. Movimente-se

Todos sabemos a importância de praticar exercícios diariamente. Quem frequenta a academia precisou se reinventar e tentar malhar em casa. Mas e quem não gosta de levantar peso? Se você não gosta do fitness, praticar dança pode ser uma ótima solução. A dança é um excelente exercício que além de trazer benefícios para o corpo deixa a mente mais leve. Se você mora sozinho, aproveite para explorar o espaço. Se está com a família, chame-os para dançar junto. O importante é se mexer.

3. Tome sol

O sol é um anti-depressivo natural: estimula a produção de vitamina D e de melanina, ajuda a regular o sistema imunológico e aumenta a sensação de bem-estar. É importante que a pessoa se exponha de preferência antes das 10h da manhã e após às 16h, quando não há tanto risco de insolação e de agressão à pele. Neste momento aproveite para “conversar com a família, brincar com os filhos, jogar jogos de tabuleiro (que exigem estratégia e atenção), contar histórias, filosofar, relembrar histórias vividas, deixar vir à tona os melhores sentimentos e emoções”, indica a psicanalista.

4. Pratique o desapego

Quando ficamos muito tempo em casa percebemos que não precisamos de tudo o que temos. É importante lembrar que nem todos estão na mesma situação: há muitas pessoas necessitando de ajuda. Se possível, tire um tempo para arrumar o guarda-roupas e fazer doações, é um bem que você faz aos outros e a si mesmo. “Uns precisam de alimentos, outros de roupa e outros ainda de coisas mais básicas. Por isso, podemos nos juntar aos programas de ajuda ao próximo, seja por ONGs, vaquinhas virtuais ou auxílio direto, entregando cestas e marmitas, porque as necessidades materiais são muitas. As necessidades emocionais também são, por isso devemos conversar, ouvir e oferecer simplesmente o amor”, ressalta Ana.


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