Curadoria em tempos de crise pode salvar seu negócio?

Descobrir melhor o que quer o seu cliente ou qual é o público-alvo a ser atingido para melhorar um serviço ou produto: descubra como a informação especializada ajuda a avançar em tempos de crise

A Soft Economy, que deve ser cada vez mais realidade principalmente em um mundo pós-coronavírus, aposta as suas fichas na importância do conhecimento como forma de avançar nos negócios e de gerar novas demandas, produtos e interações entre empresas e consumidores. O site Consumidor Moderno já falou sobre esses conceitos de nova economia e, por isso mesmo, neste momento de isolamento e reinvenção de negócios, voltamos ao tema. Agora de forma a entender quais benefícios a curadoria de informações e o conhecimento podem trazer para as marcas que desejam conquistarem novos territórios – ou simplesmente se manterem vivas. “O primeiro passo é identificar aquilo que você sabe que não sabe”, diz André Freire, um dos sócios criadores da agência de tendências e pesquisa Inesplorato. Ele trabalha com clientes como a Ambev e o canal GNT, entre outros, e está há mais de 10 anos atuando no mercado.

As marcas até sabem, ali em seu DNA, que conhecimento é vantagem competitiva. Mas o dia a dia muitas vezes faz com que a tarefa de captar insights e saber para onde se está indo fique no fim da lista de prioridades. “Conhecer o comportamento do consumidor é sempre importante e também sempre difícil. Se essa já é uma realidade em circunstâncias normais, tudo fica ainda mais acentuado quando estamos sobrecarregados”, explica André. Se você não quer deixar essa oportunidade de investir em maior conhecimento sobre o que está criando ou produzindo, acompanhe a entrevista abaixo:

Selecionando tendências

Consumidor Moderno – Conhecer melhor o consumidor da sua marca é sempre uma necessidade para qualquer empresa. Em tempos de crise sanitária e econômica, como a causada pelo surto de Covid-19, isso se torna mais importante? Qual é a sua avaliação sobre esse momento?
André Freire – Com certeza. Conhecer o comportamento do consumidor é sempre importante e também sempre difícil. Às vezes tentamos nos reconfortar com a ideia de que o consumidor pode ser traduzido e entendido com facilidade, mas a verdade é que as pessoas são complexas e contraditórias. Basta pensar na nossa própria vida. Tem dias que estamos felizes, outros mais estamos tristes, tem dias que estamos felizes e tristes ao mesmo tempo, tudo junto e misturado. E isso vale para emoções, ideias e comportamento. Não somos um rótulo e isso é muito difícil de lidar quando pensamos em mercado. Se essa já é uma realidade em circunstâncias normais, tudo fica ainda mais acentuado em um momento onde estamos todos sobrecarregados.

“Muitas vezes as empresas acabam caindo no conforto de se relacionar só com aquilo que já conhecem”

CM – Como pesquisador de tendências há mais de 10 anos, quais os primeiros passos que uma empresa precisa tomar se quiser entrar nesse caminho de usar o conhecimento para potencializar sua comunicação e até a estratégia de lançamento de produtos?
AF – Se você trabalha no mercado você toma decisões diariamente. Qual produto vou lançar? O que as pessoas estão precisando? Qual a melhor forma de comunicar minha marca, produto ou serviço? Para que melhores decisões sejam tomadas, as pessoas precisam de conhecimento. Afinal, como você vai fazer uma boa escolha se não conhece bem o contexto, se não entende as consequências de cada cenário? Diante disso, o trabalho com curadoria de conhecimento pode ajudar a levar as informações certas para ajudar os profissionais e, por consequência suas empresas, a tomarem melhores decisões seja qual for a área de atuação. O primeiro passo? Identificar aquilo que você sabe que não sabe, mas estar aberto a ouvir também aquilo que você não sabe que não sabe.

O investimento em curadoria

CM – Por que o investimento em Curadoria e em Conhecimento nem sempre está na lista de gastos de empresas no Brasil? Você acha que é cultural? O que pode dizer da prática em outros países?
AF – Muitas vezes as empresas acabam caindo no conforto de se relacionar só com aquilo que já conhecem. Isso é o que a psicologia chama de “viés de confirmação”, a tendência que temos de buscar sempre confirmar nossas próprias certezas. Se isso é comum nas pessoas, é claro que também é comum nas empresas. É muito mais cômodo pensarmos em tudo o que já sabemos e ter a certeza de que estamos fazendo o certo, pois estamos repetindo a fórmula que já funcionou. O problema é que o mundo muda constantemente. A situação pela qual estamos passando nesse momento é um exemplo disso. A boa notícia é que, apesar de incipiente, temos visto uma procura crescente em relação à curadoria de conhecimento, já temos atendido clientes na América Latina, América do Norte e Europa.

Um guia para pequenos negócios

CM – Muita gente acha que esse tipo de investigação de tendências e de busca por mais conhecimento sobre um assunto específico, de afinar o foco da curadoria, é algo apenas para grandes empresas, marcas multinacionais e afins. Médias ou pequenas empresas podem lançar mão deste trabalho também? Como quebrar esse conceito?
AF – Curadoria de Conhecimento pressupõe um trabalho personalizado e feito de acordo com as demandas específicas de um cliente. Nesse contexto, é realmente mais comum que empresas de grande porte tenham maior possibilidade de investir em projetos que seguem essa metodologia. Mas acredito que a curadoria de conhecimento pode ajudar as mais diversas realidades, por isso mesmo, temos promovido cursos para que pessoas de variados setores e tamanhos de empresas possam se beneficiar do método que criamos. Além disso, criamos recentemente um guia para transformar pequenos negócios a partir do cenário da pandemia. Um conteúdo no qual conectamos a experiência dos grandes com os desafios dos pequenos. Esse conteúdo (https://bit.ly/guiapequenosnegocios) é gratuito e muito prático.

Cases

CM – Você pode contar exemplos concretos de como a pesquisa de tendências e o investimento em conhecimento se revertem em bons resultados para uma empresa?
AF – Em 2014 criamos para a equipe de marketing da Ambev um projeto chamado Marketing Academy. Ao longo dos anos, ajudamos os profissionais da companhia a entenderem e se aprofundarem em diversos temas que contribuíssem para o seu dia a dia de trabalho. Hoje vemos o marketing da Ambev como uma das referências no mercado, acumulando prêmios de criatividade e inovando constantemente. É claro que esse resultado não se deve só a melhor formação da equipe, mas com certeza somos parte importante desse desenvolvimento. Já para o canal GNT fazemos estudos temáticos anuais para que eles possam refletir sobre questões importantes da vida em sociedade, se inspirar com a cultura humana e criar a partir disso em seus diferentes conteúdos. Já foram cinco projetos, o mais recente foi lançado na última segunda-feira, 27 de abril, em um documentário que fizemos em parceria sobre o futuro das escolhas.

Ineditismos e imprevistos

CM – Em tempos inéditos, como este da pandemia de Covid-19, você já consegue identificar algumas mudanças nas tendências de comportamento das pessoas?
AF – Precisamos tomar muito cuidado ao falar sobre “tendências de comportamento”. Não podemos simplesmente olhar daqui para o futuro, ver o que está aparecendo de mais novo e chamar isso de tendência. É claro que é importante desenhar cenários futuros para que possamos nos planejar, mas para isso é fundamental entender muito bem o passado. E o presente também, para desta forma olhar com mais critério para o que começa a se desenhar. Estamos estudando em profundidade as consequências da pandemia no Brasil e no mundo e cruzando isso com toda base de conhecimento que já acumulamos ao longo de mais de 10 anos de pesquisas. Certamente o mundo mudou e estamos monitorando possibilidades e direções, só que ainda é cedo para tirar conclusões mais concretas.






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