Metade dos jovens demanda atitude mais proativa das empresas

Estudo realizado pela Kantar revela qual é a visão das gerações mais jovens sobre a atuação das marcas durante a pandemia

Desde que o isolamento social, necessário devido à pandemia do novo coronavírus, foi implantado no Brasil, muitas mudanças aconteceram nos lares, nas ruas, nos comércios. Essas transformações afetaram todas as gerações e, como mostra um novo estudo, fizeram com que o público mais jovem elevasse ainda mais o nível de exigência em relação ao comportamento das empresas.

De acordo com o Barômetro Kantar, estudo sobre as influências da COVID-19 no consumo e no comportamento das pessoas, os Centennials (18-24 anos) e os Millennials (25-34 anos) esperam um posicionamento mais proativo das marcas atualmente, sendo que 48% acreditam que elas precisam guiar uma mudança.

A pesquisa ainda aponta que 35% deles desejam que as marcas utilizem seu conhecimento para informar corretamente os consumidores sobre a atual situação do mundo. Para Valkiria Garré, CEO de Insights da Kantar Brasil, os dados mostram que apesar das últimas gerações fruírem uma vivência menor no mundo dos negócios, elas possuem engajamento e força de vontade para movimentar assuntos importantes, e que por isso, as companhias precisam estar atentas.

“A população mais jovem com certeza está atenta a assuntos importantes e a como as marcas se posicionam em relação a ela. Tanto é que muitos usam sua proficiência digital para disseminar e viralizar seu apoio ou descontentamento nas redes sociais. Em função desse tipo de comportamento dos Centennials e Millennials e por ser um momento sensível, mensagens das marcas podem ser mal interpretadas, conteúdos podem gerar desserviços e peças criativas podem estimular o sentimento errado, por isso as marcas precisam ter muito cuidado. Ainda assim, elas devem continuar investindo de forma estratégica para conseguir crescimento a longo prazo”, afirma a executiva.

Consumidores digitais

Com as lojas físicas fechadas, muitas pessoas precisaram se adaptar e aprender a utilizar mecanismos de compras online.  Para os consumidores entre 18 e 34 anos, que já eram familiarizados com a digitalização do mercado, o processo correu naturalmente: 39% aumentaram sua presença no e-commerce; e 47% pretendem expandir ainda mais seus pedidos.

Porém, eles não buscam por qualquer produto: mesmo no ambiente digital, marcas que possuem ética, sustentabilidade e transparência, ganham reconhecimento. Essas exigências já eram percebidas há algum tempo. Segundo o relatório “A Vantagem da Experiência”, realizado pela Kantar em 2019, 52% dos Millennials brasileiros já preferiam investir seu tempo e dinheiro em experiências marcantes, ao invés de bens materiais.

“Todas as gerações podem se beneficiar do consumo pelos canais virtuais. A pandemia forçou empresas já presentes no mundo digital a acelerarem as melhorias em experiência e, para aquelas que ainda não tinham presença no on-line, a se estruturar para não perder clientes. A decisão de compra digital é o ápice de um grande número de influências, tanto on-line, off-line, na loja e fora da loja. Para influenciar o comprador, é preciso entender seu universo – desde sua relação com a marca, até como foi seu processo de compra. E isso varia de geração para geração, entre outras características”, comenta a especialista.

Como as marcas podem se destacar?

Para guiar uma mudança e mostrar bons exemplos, é importante que as companhias suspendam seu próprio ponto de vista e se coloquem no lugar dos consumidores. Isso significa que a comunicação precisa ser centrada nas necessidades comprovadas das pessoas e fornecer suporte emocional, valores positivos, solidariedade e união.

“As marcas podem se beneficiar de uma comunicação constante nesse período, porém, devem repensar a forma de falar com seus consumidores. É importante garantir que o conteúdo não mostre comportamento contrário aos conselhos das autoridades de saúde locais e regulamentos governamentais sobre distanciamento social, ou que causaria pânico”, orienta Valkiria.

Entretenimento dentro de casa

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Por as pessoas estarem muito tempo dentro de suas casas, é natural que haja um acréscimo no consumo de mídia televisiva e digital. Neste sentido, as gerações mais jovens também se destacam: 63% dos Centennials e Millennials consumiram mais TV aberta, contra 56% da Geração X e 22% dos Baby Boomers.

O streaming também ganhou mais espaço: 58% das gerações mais jovens começaram a consumir conteúdos em plataformas digitais, contra 51% da Geração X e 39% dos Baby Boomers.

Plataformas de vídeos, como o YouTube, também foram favorecidas, principalmente diante da produção em massa das lives de cantores famosos. Segundo o estudo, 77% do público mais jovem passou a assistir vídeos online, versus 67% da Geração X e 48% dos Baby Boomers.

“Os hábitos de consumo de mídias digitais das gerações mais jovens se acentuaram consideravelmente com o distanciamento social. Mas, é interessante ver que eles também recorreram à TV tradicional como fonte de entretenimento e informação”, conclui Garré.


O que pensam e fazem os mais jovens?

  • 77%passaram a assistir vídeos online
  • 63% consumiram mais TV aberta
  • 58% começaram a consumir conteúdos em streaming
  • 48% acreditam que as marcas precisam guiar uma mudança
  • 47% pretendem expandir ainda mais seus pedidos nas lojas on-line
  • 39% aumentaram sua presença no e-commerce
  • 35% desejam que elas utilizem seu conhecimento para informar corretamente sobre a atual situação do mundo

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