Como streamers de games ajudam seus públicos a enfrentarem o isolamento social

Cerol e El Gato, streamers recordistas da NimoTV, contam como a pandemia influenciou o comportamento dos espectadores em suas lives ― e o que eles têm feito para ajudá-los nesse período desafiador

Imagem ilustrativa (Pexels)

O uso geral de jogos aumentou significativamente com o isolamento social. De acordo com a Verizon, o uso de videogame nos Estados Unidos, nos horários de pico, aumentou em 75% desde que a quarentena entrou em vigor. Semelhantemente, o streaming de vídeo aumentou 12%, e o tráfego geral na web aumentou quase 20%. Serviços como Netflix e YouTube tiveram que diminuir sua qualidade de streaming em algumas partes do mundo para lidar com o excesso de demanda, segundo a The Verge.

Apesar das dificuldades, o setor de entretenimento digital segue como um dos principais recursos que estão ajudando as pessoas a enfrentarem o período de quarentena. Diversas pessoas estão aderindo aos streamings de games, tanto como espectadores como streamers, exibindo seus gameplays e criando conexões com os espectadores nas salas de transmissão.

Plataforma registra aumento de 25% de público após isolamento social

A NimoTV, plataforma de streaming de jogos e campeonatos de Esports, com mais de 23 milhões de usuários somente no Brasil, foi um dos canais a registrar aumento de público desde o início do isolamento social.

Rodrigo Russano Dias, Gerente de Marcas e PR da NimoTV, contou à Consumidor Moderno que número de cadastros na plataforma registrou aumento de 180 mil novos usuários por dia, entre 10 de março e 10 de abril. “Comparado aos meses de março e abril de 2019, a NimoTV apresentou um aumento de 25% na audiência no mesmo período de 2020, com uma média de 20 milhões de usuários ativos mensais, desde o início do isolamento social.”

Segundo Russano Dias, com base em uma pesquisa da NewZoo, até 2022 a receita gerada pelos games deve atingir US$ 196 bilhões no mundo ― e o streaming já faz parte desse universo. “As pessoas querem acompanhar de perto seus jogadores preferidos, aprender mais sobre os jogos, pegar dicas, gifts, códigos etc. O isolamento social trouxe mais público, e acreditamos que isso vá perdurar após a quarentena”, comenta, e revela que os jogos mais consumidos da plataforma durante o isolamento são Free Fire, GTA V Roleplay, Arena of Valor, Fortnite, PUBG Mobile e o recém-lançado Area F2.

streamers

Imagem ilustrativa (Unsplash)

Streaming como fonte de conscientização e colaboração social

O streaming de games não é só adrenalina; também é conscientização. Russano Dias conta que o streamer Weedzão, no dia 19 de abril, fez uma live especial para conscientização de seus seguidores à importância de se cuidar durante a pandemia. Weedzão convidou o médico Marcello Jun, que é voluntário do SUS no tratamento de infectados com o coronavírus, para falar sobre o tema. Além de ajudar com as dúvidas do público, o streamer arrecadou mais de US$ 1 mil para comprar produtos essenciais para um hospital do Espírito Santo, como máscaras e álcool em gel.

Semelhantemente, Cerol, eleito o maior streamer do Brasil em 2019, relata que faz questão de orientar seu público para que fiquem em casa e se cuidem. “Devemos orientar todos eles sobre as formas de se protegerem, para fiquem bem até que tudo passe. Faço isso não por conta do período desafiador que vivemos com a pandemia mas, sobretudo, pelo respeito que tenho por tudo que meus seguidores fizeram na minha vida, me ajudando e apoiando sempre”, declara o influenciador, que tem jovens que sonham em serem jogadores profissionais dentre seus fãs.

Cerol responde, também, que sentiu maior proximidade dos seguidores em suas lives desde o início do isolamento. Para o apresentador, isso é um movimento natural, já que as pessoas estão mais em casa e em busca de entretenimento no tempo livre.

“Estou mais engajado, ficando mais perto do público. Fazendo mais lives, publicando mais conteúdos, interagindo com o pessoal a todo momento. É o papel dos streamers e, nesse momento tão delicado, é importante manter essa relação firme e presente, para o bem de todos. Eles me ajudam nesse momento e eu os ajudo. Isso cria uma relação sólida e duradoura”

Cerol, streamer de Free Fire da NimoTV

streamers

Foto (Cerol/Instagram oficial)

Aumento na procura por entretenimento resultou em maior pressão para streamers

Outro importante streamer da NimoTV é El Gato, que conta com mais de 2 milhões de espectadores. O influenciador diz que, apesar do aumento no engajamento de seu público, o crescimento não foi tão acentuado, uma vez que a crise gerou um aumento, também, na concorrência. “O crescimento não foi tão absurdo porque há mais concorrência agora, tem muita gente produzindo conteúdo”, explica.

Por outro lado, El Gato relata que as marcas patrocinadoras não estão declinando contratos durante a crise. Pelo contrário: estão indo muito mais atrás de seu trabalho. “Sou uma pessoa que está, de certa forma, sendo favorecida nesse período, pela natureza do trabalho digital”. Já as doações dos fãs, que são tradicionais nessas plataformas, diminuíram bastante. “As pessoas estão segurando dinheiro e o desemprego está cada vez maior, o que faz as pessoas repensarem este tipo de suporte no momento”, diz.

Em relação ao clima na sala de transmissão, o jogador conta que o stress é evidente nas pessoas, devido à situação atual da sociedade. Como consequência, a pressão nos influenciadores para produzirem conteúdos diversos é maior.

“A galera está buscando conteúdo novo para não cair no tédio. Com isso todo influenciador vai precisar se reinventar um pouco. O medo a respeito da COVID-19 está bem claro”

El Gato, streamer de Free Fire da NimoTV

streamers

Foto (El Gato/Instagram oficial)

Por fim, El Gato desabafa: “Eu mesmo faço parte do grupo de risco, pois tenho asma, e também temo a situação. Estou em quarentena há muito tempo, antes dos mil casos confirmados, e toda a minha equipe também estava em quarentena desde então. Hoje, uma tia minha está me ajudando. Estou me prevenindo muito e tentando dar o exemplo com um posicionamento correto: “se cuidem, fiquem em casa”. Faço lives uma vez ou outra de máscara e sempre uso álcool em gel.”

O papel social dos jogos de tabuleiro durante a pandemia
Coronavírus ‘infecta’ mercado de games com simuladores de epidemia e cancelamento de campeonatos
66% dos brasileiros jogam games eletrônicos

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

As IDENTIDADES do novo consumidor sem rótulos #CM25ANOS

Futuro incerto? O que pensam os futuristas em tempos de crise social

“Contágio” e outros filmes sobre epidemias para ver dentro de casa

Manu Gavassi e sua brilhante estratégia de branding. O que as marcas podem aprender com ela?

A ascenção das newsletters

VEJA MAIS