O que muda no consumo de automóveis depois da pandemia?

Em webinar, executivos da Webmotors e FCA falam sobre novos caminhos do setor de automóveis. O que mudou durante a pandemia, e para onde caminha o mercado?

Imagem ilustrativa (Unsplash)

Como se dá o consumo de automóveis em meio ao isolamento social? Investigando esse panorama, a Consumidor Moderno realizou mais um webinar com especialistas de setores participantes da economia. Dessa vez, o bate-papo foi com Eduardo Jurcevic, CEO da Webmotors, e Breno Kamei, Diretor de Portfólio, Pesquisa e Inteligência competitiva da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) para a América Latina.

Acompanhados por Jacques Meir, Diretor-executivo de conhecimento do Grupo Padrão, e Estela Cangerana, Editora-chefe da Consumidor Moderno, os executivos falaram sobre os novos caminhos do setor de automóveis, para quais direções caminha esse mercado e quais mudanças já vinham se desenhando e foram antecipadas com a pandemia. Confira abaixo os melhores momentos.

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Mundo pós-pandemia: comércio digital deverá permanecer em alta

Eduardo Jurcevic começa o bate-papo falando sobre a aceleração das transformações digitais. Segundo o CEO, o próprio consumidor já conduzia essa aceleração, pois vinham buscando modelos, valores e reviews de carros pelos meios digitais. “Há oito anos atrás o consumidor ia a 10 lojas antes de tomar uma decisão. Antes da pandemia já estavam indo em apenas duas lojas, porque já tiravam as principais dúvidas no digital.” Jurcevic ressalta, contudo, que ambos os meios de compra e venda deverão continuar existindo no mundo pós-pandemia, uma vez que são serviços complementares e necessários.

Ele observa, também, que o delivery de carros era algo inimaginável no mindset das pessoas. Na contramão, a Webmotors criou o serviço Car Delivery, que busca resolver a dor do consumidor que ainda quer comprar automóveis mesmo na pandemia, e precisam de segurança no processo de isolamento. Para Jurcevic, essa modalidade de atendimento deverá perdurar após a crise, uma vez que o cliente está se acostumando a novas comodidades.

Em contrapartida, Breno Kamei, da FCA, vê que impacto da pandemia na indústria automobilística foi negativo, mas trouxe reflexões nos processos de venda. “Esse ano provavelmente teremos um retrocesso de uma década e meia em termos de indústria, similar às décadas de cinquenta e sessenta. É impactante, em um primeiro momento, mas não vemos isso como algo permanente”, responde, afirmando que a economia remota digital veio para ficar. “Muito em breve o automóvel se tornará inteligente, e isso vai se refletir no nosso consumo. Vemos com bons olhos o consumidor estar mais aberto a essas transformações. Contudo, fazer uma previsão de como a indústria vai se comportar daqui para frente é um pouco difícil e prematuro.”

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Para especialistas, crescerá a adoção pelo transporte individual

Para Jacques Meir é nítido que estamos vivendo em um cenário VUCA, devido à grande incerteza diante do futuro. Segundo o Diretor, antes da pandemia houve grande transformação na mobilidade urbana, com ciclovias, aplicativos de transporte e patinetes elétricas. Agora, ele aponta, há apelo maior ao transporte individual, graças ao medo do contágio viral nas aglomerações de ônibus e metrôs. Ele questiona, assim, como serão viabilizadas as mudanças de transporte individual no Brasil e no mundo.

De acordo com o CEO da Webmotors, as pesquisas nos mercados internacionais, como China e Europa, indicam que a aversão ao transporte coletivo cresceu após a primeira onda da pandemia, fazendo com que a população passasse a buscar meios alternativos. “Tem toda uma questão de renda, da economia. O transporte de massa não vai desaparecer do dia pra noite, e o Brasil não tem infraestrutura para um impacto maior de veículos. Mas muda o consumo do uso do carro que não envolve a posse do veículo. Em outros países essa tendência se reflete.”

Breno Kamei esclarece que a FCA acompanhou de perto essa tendência ocorrida na China e na Europa. Inclusive, a empresa já estuda trazer para o Brasil acessórios que permitem maior sanitização e filtros de ar dentro de automóveis. Ele reconhece, porém, que não são todos os brasileiros que podem optar pela compra de um veículo próprio. Mesmo assim, veremos uma maior flexibilização dos meios de compra de carros, com melhores opções de crédito e financiamento para a população.

Inovar em meio à crise

Quando questionado por Estela Cangerana sobre o desafio de desenvolver novos produtos durante a crise, Kamei respondeu que a FCA já vinha pensando em meios de tornar o processo de compra mais fluido, inteligente e conectado. Segundo o especialista, o time brasileiro tem protagonismo na empresa, porque leva a um cenário global a realidade de um país emergente, com alto índice de conectividade. “Há a necessidade de buscar soluções novas que condizem com o cenário do país. Então tem iniciativas globais, mas também locais. Estamos desenvolvendo serviços conectados, e em breve vamos lançar várias dessas iniciativas; vamos realmente transformar o carro em um objeto inteligente e conectado”, conta, vendo com bons olhos esse processo de adoção tecnológica, sobretudo entre as faixas etárias mais velhas, que são muito significativas no setor.

“Encaramos a crise com muita seriedade, até antes antes mesmo dos primeiros impactos no país. Do ponto de vista social, nos preocupamos muito em contribuir com iniciativas, como a construção de hospitais de campanha, doações e trabalhando com governos. O brasileiro tem resiliência no sangue. Vamos sair mais fortes, para que os diversos setores envolvidos na mobilidade possam trabalhar de forma integrada, procurando soluções para o Brasil e, futuramente, exportando essas soluções.”

Breno Kamei, Diretor de Portfólio, Pesquisa e Inteligência competitiva da FCA

Para Jurcevic, não há uma uniformidade do que o consumidor entende por inovação, uma vez que o nível de conhecimento tecnológico varia de usuário para usuário. Contudo, ele afirma que a grande evolução será via Inteligência Artificial. 

“Já usamos muitas ferramentas de IA, mas o estado da arte dessa inteligência será usada para antecipar e entender a necessidade do consumidor. Chegará mais para atingir a necessidade individual do cliente do que por fator de beleza [na escolha do carro]. Usamos a IA de forma muito massificada, e o grande desafio é chegar no ponto de sensibilidade e personalização, para fazer cada vez mais uma oferta assertiva.”

Eduardo Jurcevic, CEO da Webmotors

Veja o webinar completo:

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