Covid-19 pode acelerar o fim dos shoppings como centros de consumo?

Para site especializado em consumo e tecnologia a aposta é que sim. Nos Estados Unidos essa tendência já existia

Dar uma voltinha no shopping center para passear e fazer compras pode ser algo com data validade para acabar. Ao menos essa de alguns especialistas em tendências de consumo, em especial do site da Fast Company, um dos veículos mais importantes da área de negócios, inovação e tecnologia. E se essa já era uma tendência que podia ser identificada nos Estados Unidos, o templo maior dos mall (como se diz em inglês), a pandemia do novo coronavírus só veio acelerar esse processo de descentralização. É o que diz uma das matérias mais recentes da publicação.

Pandemia pode mudar cultura que dá valor aos centros de consumo. Eles começaram a surgir tímidos nos anos 1970, mas tiveram seu boom nos EUA nos anos 80 e 90. Ter um shopping center na cidade era sinônimo de modernidade, uma evolução para as tradicionais lojas de departamento. Desde a crise norte-americana de 2008, no entanto, esses chamados “templos do consumo”, segundo a “Fast Company”, vêm desaparecendo nas cidades médias norte-americanas, tanto por uma questão cultural, quanto agora por uma questão econômica ligada ao Covid-19.

Com a drásticas reduções no consumo, as primeiras a sofrerem foram as lojas de departamento. O Neiman Marcus Group, um dos maiores varejistas norte-americanos, já declarou falência e demitiu mais de 14 mil funcionários. Em abril foi demitida toda a equipe de executivos da Lord & Taylor, outra gigante do setor. Já a famosa rede Neiman Marcus Group, que está entre as mais sofisticadas lojas de departamentos dos EUA, deverá pedir concordata. Perdeu mais de 50% das vendas desde que a pandemia começou.

Como um todo, as lojas de departamentos ocupam cerca de 30% dos espaços dos shoppings centers, diz um relatório da consultoria imobiliária Green Street Advisors. Com esses lugares vazios o efeito deve ser dominó. Sem as lojas de departamentos como inquilinos, muitas outras empresas se afastariam dos Malls como opção para colocar seus espaços físicos. Se já se previa que esse momento chegaria daqui a cinco anos, o Covid-19 trouxe essa realidade para 2020 com incrível rapidez. Dos cerca de 1 mil shoopings em funcionamento nos EUA, 60% deles estão com seu funcionamento ancorado nas loias de departamento. Ou seja, crise à vista.

A situação no Brasil

Por aqui, a cidade de São Paulo é a que concentra o maior número de shopping centers no país. São mais de 60, segundo dados da Associação Brasileira de Lojas em Shoppings. Alguns dedicados, inclusive, ao consumo de luxo. Desde que a pandemia de Covid-19 chegou pra valer ao Brasil esses espaços estão totalmente fechados – ao menos em boa parte do país. Enquanto não se encontra outra saída para barrar a contaminação do novo coronavírus, o isolamento é a única medida com eficácia, o que faz com que a convivência de inúmeras pessoas em um mesmo ambiente, como nos shoppings center, se torne inviável neste momento. Para a “Fast Company” a decadência desses espaços é um caminho sem volta. Resta saber, apenas se a pandemia do vírus também irá acelerar esse processo no Brasil.






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