A volta dos cinemas começa com os drive-ins?

Popular em décadas passadas, drive-in ressurge como uma tendência momentânea para movimentar o cenário do cinematográfico durante a pandemia de coronavírus

Um dos passeios que as pessoas mais sentem falta durante a quarentena é a ida ao cinema. Afinal, acompanhar os lançamentos e se divertir com os amigos ou familiares é uma tradição de décadas. É difícil ter algo que substitua totalmente o prazer de sair de casa para assistir um bom filme em uma grande tela, especialmente para quem tem paixão por esse tipo de lazer. Mesmo com todas as possibilidades de streaming e tecnologias, o ato de ir ao cinema, ainda é uma experiência da qual muitos não abrem mão.

Para reativar o espírito cinéfilo e dar um respiro no isolamento rígido, na última semana, o Governo de São Paulo anunciou a criação de um cinema drive-in no Memorial da América Latina, localizado na Barra Funda, Zona Oeste da capital paulista. A novidade será inaugurada no dia 16 de junho.

O espaço terá capacidade para até 100 carros por sessão, obedecendo normas de segurança como distância mínima de 1,5 metros entre os carros e funcionários, máximo de quatro ocupantes em cada veículo, higiene e limpeza frequente, além do uso de máscaras e aferição de temperatura.

Do passado para o presente

Os cinemas drive-ins eram muito populares nos Estados Unidos na década de 1960. No Brasil, seu prestígio chegou por volta dos anos 1970. Com os impactos do coronavírus, o movimento já estava popular em alguns estabelecimentos existentes, como o de Brasília, criado em 1973 e que possui a maior tela do país, com 312 m².

Para entender o movimento, conversamos com Renato Coelho, doutor em Multimeios e coordenador do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Anhembi Morumbi. Confira o bate-papo abaixo:

CONSUMIDOR MODERNO: Como podemos analisar a volta dos cinemas no estilo drive-in tanto tempo depois? Por que surge esse interesse na população?

RENATO COELHO: O interessante é justamente esse caráter de diversão nostálgica que o cine drive-in adquire nos dias de hoje, um charme propiciado por um certo ar vintage. Com a pandemia, existe como uma forma de entretenimento para os amantes da Sétima Arte.

CM: Com a indústria cinematográfica parada, não há novos lançamentos disponíveis. A opção de drive-in no Memorial da América Latina terá uma programação composta por filmes clássicos como “A Origem”, “Batman, O Cavaleiro da Noite” e “Laranja Mecânica”, “O Iluminado”, entre outros. Os drive-ins podem ser considerados uma boa opção para lançamentos também ou somente filmes clássicos? Acredita que a indústria pode começar a ter novos olhares para eles?

RC: Penso que o formato drive-in, hoje, seja mais apropriado à exibição de clássicos do cinema, filmes de gênero destinados para diversos públicos, devido a todo esse imaginário vintage que cerca a atração. Mas na situação atual da pandemia, certamente pode servir como plataforma de lançamento para novos filmes, desde que sejam filmes de viés mais comercial, destinado a um público mais amplo.

CM: Comparado com o streaming, qual das opções pode oferecer mais vantagens para o público neste momento?

RC: Depende do ponto de vista e da preferência de cada um. O público em geral tende a preferir a comodidade do streaming, entende como vantagem poder assistir filmes da comodidade do lar. Mas, para o público cinéfilo, o cine drive-in se apresenta como uma aventura a ser desbravada nos dias atuais.

CM: Você acredita que as pessoas podem deixar de preferir os cinemas locais e optar por um drive- in mesmo quando a pandemia passar?

RC: Penso que as pessoas podem preferir o drive-in durante um tempo, enquanto for um perigo se arriscar em aglomerações na sala escura. Mas quando a pandemia passar, as salas de cinema continuam sendo o que sempre foram e o drive-in continua sendo uma diversão pitoresca.

CM: O que esperar para o futuro do cinema?

RC: É difícil prever o futuro do cinema, mas certamente ele sempre continuará existindo, nem que para o um público mais restrito e apaixonado. O que podemos afirmar é que por muitas vezes a morte do cinema, da sala escura, já foi anunciada: quando surgiu a televisão, quando apareceu o vídeo, com o advento da internet e das novas mídias. E que, sempre, o cinema continuou existindo. E certamente continuará, ainda, por muito tempo.

CM: A França também flexibilizou o isolamento e com o Cannes cancelado, algumas optaram por assistir filmes em um drive-in. Apesar de ser interessante, a alternativa não pode substituir a experiência de um festival de cinema. O que perdemos este ano com o evento anulado?

RC: Perdemos certamente o festival de cinema mais importante do mundo, que congrega a nata da cinematografia mundial em suas dimensões artística e mercadológica. Assim como Cannes, festivais importantes como o de Locarno foram também cancelados ou tiveram seus formatos originais alterados esse ano. A indústria cinematográfica sofre consideráveis danos com esses cancelamentos, já que fora as exibições de filmes, tais eventos são fundamentais para o mercado, para negociações no mundo do cinema. Fora isso, sofrem os melhores filmes do ano, por não estrearem em janelas que trazem enorme visibilidade, como Cannes e Locarno, entre outras.

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