Reabertura em SP: é melhor aderir ou continuar de portas fechadas?

Especialistas falam sobre os desafios para retomada da operação na capital paulista após autorização da Prefeitura

Após autorização da Prefeitura de São Paulo, o comércio de rua da capital paulista abriu as portas nesta quarta-feira (10). Já os shopping centers da cidade têm reabertura marcada para a quinta-feira, véspera do Dia dos Namorados.

O comércio paulistano trabalha com uma restrição no horário de funcionamento. Os estabelecimentos podem abrir apenas por quatro horas diariamente. No caso das lojas de rua, entre 11h e 15h. Já os shoppings podem escolher entre abrir das 6h às 10h ou das 16h às 20h.

Atualmente, São Paulo está na fase dois da flexibilização da quarentena. O plano de reabertura divulgado pelo governo do estado prevê cinco etapas de flexibilização.

Na fase dois, os shoppings poderão abrir limitando sua capacidade de atendimento em 20% do total. Há também a necessidade de atuar em horário reduzido e com as praças de alimentação fechadas.

Vale a pena abrir?

O modelo anunciado pelo governador João Doria gerou muito debate acerca da viabilidade econômica para os varejistas. Muitos se questionam se vale a pena abrir as portas para uma operação que não deve cobrir os custos da empresa.

É claro que, mesmo com as discussões sobre o plano, não se vê um movimento de lojistas que pretendem permanecer de portas fechadas até uma flexibilização maior.

Especialistas ouvidos pela NOVAREJO, alertam para a importância de abrir as portas mesmo com capacidade de atendimento e horário de funcionamento reduzidos.

“Se você analisar sob o ponto de vista de gestão da empresa e busca de resultado não é uma boa (abrir o comércio). É antieconômico. Por outro lado, não estamos soltos no mundo. Estamos dentro de um contexto em que há expansão da pandemia e os cuidados essenciais são o isolamento e o distanciamento”, opina Ivo Dall’Aqcua, vice-presidente da FecomercioSP.

A entidade calcula que até o dia 9 de junho, o varejo paulistano perdeu quase R$ 17 bilhões, o que significa 6% de todo faturamento esperado para 2020. O prejuízo diário é de cerca de R$ 220 milhões – em média, 30% do total das vendas esperadas diariamente.

Mesmo com esse retorno, com o tempo de trabalho reduzido, somando-se ainda a um cenário comprometido, o restabelecimento econômico deve ocorrer gradualmente, aponta a FecomercioSP.

Luiz Claudio Dias Melo, sócio-diretor da divisão de varejo da consultoria 360 Varejo, afirma que os lojistas de rua e de shoppings deve abrir para cobrir ao menos uma parte dos custos das operações. “Ele (varejista) já deve ter enxugado ao menos uma parte da estrutura de pessoa, os custos já estão menores. Agora deve tentar cobrir uma parte dos outros custos”.

Digitalização vai trazer fluxo

Se a conexão entre canais físicos e digitais era forte tendência antes da COVID-19, isso foi acelerado e se tornou essencial para as operações varejistas nesta reabertura.

Com o consumidor inseguro em frequentar lugares com aglomerações, depender exclusivamente do fluxo na porta da loja é extremamente arriscado. É preciso encontrar novas maneiras de atrair os clientes para as lojas, como a oferta de serviços de retirada de produtos em loja.

“O lojista que tem a estratégia digital fortalecida vai ganhar fazendo relacionamento e entrega com o consumidor indo até a loja. Ele tem a oportunidade de mostrar mais produtos e aumentar o ticket médio. Lojas que conseguiram avançar nessa crise têm uma vantagem competitiva forte”, explica Wagner Pereira, líder da unidade de negócios de varejo da consultoria internacional BIP.






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