Por que nos autossabotamos? Saiba como parar com esse comportamento

A autossabotagem prejudica a vida de muitas pessoas. Confira dicas de especialistas para enfrentar esse desafio e conquistar novas oportunidades

A autossabotagem é uma adversidade que afeta muitas pessoas. Começa indiretamente, sem que o indivíduo perceba que está prejudicando sua vida profissional e pessoal.  As causas são muitas e variam de pessoas para pessoas. Pode advir do medo do fracasso, da rejeição e de não atender suas próprias expectativas.  Em outras palavras, ela surge como uma forma de camuflar medos e se preservar da dor e decepção.

“A autossabotagem é um comportamento que reflete uma postura emocionalmente imatura, de pessoas que não conseguem suportar o ônus da mudança, por comodismo, por percepção da dificuldade para a mudança, falta de motivação, para manter-se no padrão conhecido, para não se afastar muito do modo de ser e agir de sua família de origem”, explica Roberto Debski, psicólogo e médico clínico geral.

Segundo Emílio Figueira, educador, psicólogo e psicanalista, o comportamento também tem relação ao fato da pessoa não querer sair de sua zona de conforto.

“É uma série de ações e pensamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não causa nenhum risco. Nessa condição, a pessoa realiza um determinado número de comportamentos que lhe dá um desempenho constante, porém limitado e com uma sensação de segurança. Ela não se arrisca em conquistar algo mais para si. Contudo, deixar a vida no piloto-automático não é sinônimo de segurança”, afirma.

Ainda de acordo com o profissional, gradualmente, pode gerar uma angústia de uma vida improdutiva e desgaste nos campos profissionais e pessoais. “A ideia de dedicar um tempo para viver em segurança e sem grandes emoções parece inofensivo, mas colocar a vida no piloto-automático pode ser perigoso. Todos nós precisamos sair do período de improdutividade, pensando que o comodismo evita novos”, reforça.

Medo do sucesso?

Além disso,  pode estar relacionada ao medo do sucesso e de cobranças excessivas. “Apesar de ser uma busca universal, o sucesso traz consigo uma carga que nem todos conseguem suportar e lidar. É mais fácil falar e lamentar sobre a falta de sucesso do que arcar com as consequências de obtê-lo, como as cobranças, mudança do estilo de vida, julgamentos, e diferenciação do conhecido padrão familiar”, afirma Roberto Debski.

Repetir continuamente um padrão de comportamento, como, por exemplo, começar e parar com hábitos saudáveis, também pode ser um indicativo.

“Você se matricula na academia, sentindo alto grau de motivação, compra roupas e tênis, frequenta uma semana e depois para, com desculpas como falta de tempo, ritmo acelerado, tarefas a cumprir, dor muscular, ou não viu resultados ainda. Compra alimentos saudáveis, os prepara e come por alguns dias, depois para e volta a se alimentar de maneira descuidada, alegando dificuldade do preparo, praticidade, etc”, orienta Debski.

Relação com autoestima

Vivemos em uma sociedade na qual valorizamos muito a opinião dos outros sobre nós e isso pode trazer muitos problemas na hora de nos auto-valorizarmos. Mas, quando temos uma autoestima fortalecida, o caminho das superações ocorre mais facilmente e maior será a capacidade em lidar com problemas e obstáculos.

“A autoaceitação não significa gostar de tudo o que há em você, mas sim, ser consciente do que é. As pessoas podem se aceitar e ainda assim, ter objetivos de mudança. O mais importante é saber levar essa mudança de uma forma leve e positiva. Você só muda o que deseja, se conseguir aceitar-se como é agora. Ou seja, se você não consegue se enxergar, não saberá o que deve ser mudado em você, ou em algum obstáculo de sua vida”, explica Figueira.

Neste sentido, aplicar a flexibilidade e se permitir auto-elogiar pode ajudar a melhorar o sentimento.”Quanto mais flexível formos, mais resistente seremos à pressão, ao desespero e à derrota. Quanto mais a pessoa se valorizar, conseguirá ver opções e possibilidades diferentes para superar os problemas da vida”, completa ele.

 Sabotamos nosso caminho para a felicidade?

Culturalmente o ser humano nasce e morre com sensações de incompletabilidade. Apesar de trabalharmos para alcançarmos nossos objetivos, sempre surgi algo que ainda não faz parte de nossa vida e que gostaríamos de ter. Psicologicamente falando, isso pode causar danos, pois muitas vezes, não paramos para valorizar ou desfrutar as conquistas que já temos e nos mantemos insatisfeitos.

Segundo o Emílio, esse é um círculo sem fim. “Estamos sempre projetando a felicidade para o futuro: ‘preciso ter tal coisa e tal conquista para me sentir feliz!’. Adiamos a felicidade e raramente desfrutamos do tempo presente. Como uma teimosia, não a percebemos no dia a dia, mesmo sabendo que a felicidade não é uma sensação eterna, e sim, um estado de êxtase, daqueles que se atingem nos momentos de pequenas alegrias, que bastam para se sentir bem”, comenta.

Em contrapartida, os processos de infelicidade também funcionam como um momento para amadurecer, pensar e refletir, mas é importante que tudo tenha equilíbrio.

“Por meio dessa perseguição futura da felicidade, surgem muitas de nossas angústias. No meio de momentos angustiantes, encontraremos soluções internas e forças para agir que nós mesmos desconhecíamos possuir. A partir das soluções de nossas angústias, podemos alcançar a felicidade como uma perspectiva de melhorar de vida”, orienta o especialista.

Dicas para melhorar esse comportamento

Shutterstock

Se você tem percebido esses comportamentos em sua vida, saiba que há alternativas que podem ajudar a bani-los e te fazer alcançar novas oportunidades. Reconhecer o nível de ansiedade e estresse, sem se criticar ou julgar e buscar maneiras de lidar com essas emoções, são algumas das medidas que auxiliam a superar a autossabotagem. Por isso, Roberto Debski, orienta três dicas eficientes para se aplicar no dia a dia.

1 – Treine suas emoções e aprenda a lidar com elas: “Autoconhecimento, leituras, meditação, psicoterapia, constelação familiar, são recursos úteis e efetivos para proporcionar equilíbrio emocional e ajudar a lidar com a ansiedade e o estresse, os quais aumentam a procrastinação e a autossabotagem.  Para completar com chave de ouro, sempre que tomar uma decisão importante, faça uma ação imediatamente a seguir, tomando atitudes concretas, iniciando de imediato a mudança”.

2 – Organize-se e compartilhe com amigos e família suas atividades: “Eles darão apoio e motivação sempre que pensar em desistir e fazer atividades juntos aumenta o grau de diversão e prazer. Prepare-se adequadamente para a tarefa que se propõe a fazer. Estar preparado aumenta a motivação, tranquilidade e confiança para atingir o seu objetivo. Tome notas de suas metas, reveja frequentemente as anotações e as deixe onde as veja, mantendo o foco continuamente“.

3 – Foque no resultado positivo e visualize sua conquista: “A ciência já comprovou que a técnica de visualização tem o mesmo efeito em nosso cérebro do que a prática. Visualizar nos prepara para conquistar nossos objetivos. Visualize-se desfrutando dos benefícios e boas sensações que terá quando tiver acabado seus compromissos e tarefas. Atletas de ponta treinam continuamente visualização de suas provas, diversas vezes antes de realizá-las. Ver com os olhos da mente, o término da tarefa com você se sentindo muito bem, abre o caminho, favorece e direciona para um bom resultado”.






ACESSE A EDIÇÃO DESTE MÊS:

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

CM 256: Os vencedores do Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente

CM 255: Tudo o que você precisa saber sobre o consumidor na pandemia

Você já conhece as Identidades do consumidor?

VEJA MAIS